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Questão de Medicina — Nefrologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaNefrologia
Código
ce186257
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
No que diz respeito a doenças renais, julgue o item a seguir.Em gestantes, o não tratamento antibiótico da bacteriúria assintomática pode aumentar o risco de pielonefrite, de parto pré-termo e de nascimento de bebê com baixo peso.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Bacteriúria assintomática na gestação

Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: o não tratamento da bacteriúria assintomática em gestantes está associado a maior risco de pielonefrite, parto pré-termo e baixo peso ao nascer. Essa é a base fisiopatológica e clínica que justifica o rastreamento e o tratamento obrigatórios nesse grupo específico, conforme diretrizes de sociedades como IDSA e o Ministério da Saúde.

A bacteriúria assintomática é definida pela presença de crescimento bacteriano significativo na urocultura (≥ 100.000 colônias/mL) em paciente sem sintomas urinários. Na gestação, ela assume importância ímpar: as alterações fisiológicas do trato urinário — estase por ação da progesterona e compressão mecânica do útero, aumento de glicose e aminoácidos na urina, imunidade celular diminuída e refluxo vesicoureteral — favorecem a ascensão bacteriana e a evolução para infecção sintomática alta.

O racional do tratamento é duplo: proteger a mãe e proteger o feto. Na mãe, a bacteriúria não tratada evolui para pielonefrite em 25 a 50% dos casos, condição grave que pode cursar com sepse, trabalho de parto pré-termo e complicações obstétricas. No feto, a infecção urinária materna está associada a prematuridade, restrição de crescimento intrauterino e baixo peso ao nascer. Os estudos clássicos demonstram que o tratamento reduz o risco relativo de pielonefrite em cerca de 76%, de parto prematuro em 66-76% e de baixo peso ao nascer em 36%.

É importante destacar que a bacteriúria assintomática em não gestantes, em geral, NÃO deve ser tratada — a exceção é justamente a gestante e pacientes que serão submetidos a instrumentação do trato urinário. Essa distinção é o ponto central da questão: a banca explora o conhecimento de que, na gestação, o tratamento é mandatório e traz benefício comprovado, enquanto em outros grupos (diabéticos, idosos, cateterizados) não há indicação.

A conduta na gestante com bacteriúria assintomática inclui: urocultura na primeira consulta de pré-natal, tratamento com antibiótico seguro na gestação (nitrofurantoína, cefalexina, amoxicilina ou fosfomicina) por 5-7 dias, urocultura de controle 7 dias após o término e repetição mensal até o parto. O rastreamento deve ser repetido no 3º trimestre conforme recomendação do Ministério da Saúde.

Guarde a fronteira: bacteriúria assintomática na gestante = tratar SEMPRE; bacteriúria assintomática em não gestante = não tratar, exceto antes de procedimentos urológicos. É exatamente essa distinção que a questão testa.

Bacteriúria assintomática
  • 1Gestante
    • Tratar sempre
    • Reduz pielonefrite
    • Reduz parto pré-termo
    • Reduz baixo peso
  • 2Não gestante
    • Não tratar
    • Exceção: pré-operatório urológico
    • Exceção: neutropênico
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Item — ✅ CERTO

A afirmativa está correta porque reflete exatamente a recomendação baseada em evidências: o não tratamento da bacteriúria assintomática na gestação aumenta o risco de pielonefrite, parto pré-termo e baixo peso ao nascer. Os dados de literatura mostram que o tratamento reduz o risco relativo de pielonefrite em 76% (NNT 6-9), de parto prematuro em 66-76% (NNT 7-49) e de baixo peso ao nascer em 36% (NNT 13-102). A associação entre bacteriúria não tratada e esses desfechos adversos é o fundamento para o rastreamento universal e tratamento obrigatório nesse grupo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a lógica da bacteriúria assintomática: em não gestantes, o tratamento de rotina NÃO é recomendado (exceto antes de instrumentação urológica). Mas na gestante, a regra é oposta — tratar SEMPRE, pois o benefício materno-fetal é comprovado. O candidato que generaliza a conduta de "não tratar" para a gestante erra a questão. Lembre: gestante é exceção obrigatória ao não tratamento.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, compare as indicações de tratamento da bacteriúria assintomática:

Grupo

Tratar?

Motivo

Gestantes

Sim, sempre

Reduz pielonefrite, parto pré-termo e baixo peso

Pré-operatório de cirurgia urológica

Sim

Previne infecção de sítio cirúrgico

Neutropênicos

Sim

Risco de sepse

Diabéticos

Não

Sem benefício comprovado

Idosos

Não

Sem benefício

Cateter vesical

Não

Sem benefício

Lesão raquimedular

Não

Sem benefício

Gabarito: CERTO.

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