Julgue o item a seguir, segundo o protocolo clínico e as diretrizes terapêuticas da hipertensão pulmonar (HP), apresentados como resultados do 6.º Simpósio Mundial de HP de 2023.Os pacientes com HP devem ser prontamente tratados com o bloqueador de canal de cálcio após o diagnóstico.
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GabaritoE — Errado
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Hipertensão pulmonar: tratamento com bloqueador de canal de cálcio
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque o bloqueador de canal de cálcio (BCC) não é indicado para todos os pacientes com hipertensão pulmonar (HP) logo após o diagnóstico; ele é reservado a um subgrupo específico — pacientes com hipertensão arterial pulmonar (HAP) que apresentam resposta positiva ao teste agudo de vasorreatividade, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da HP e as diretrizes do 6º Simpósio Mundial de HP de 2023.
A hipertensão pulmonar é uma síndrome clínica e hemodinâmica caracterizada pelo aumento da resistência vascular na circulação pulmonar, elevando os níveis pressóricos na pequena circulação. Ela é classificada em cinco grupos etiológicos: grupo 1 (hipertensão arterial pulmonar — HAP), grupo 2 (HP por doença cardíaca esquerda), grupo 3 (HP por doença pulmonar ou hipóxia), grupo 4 (HP por obstrução de artérias pulmonares — HPTEC) e grupo 5 (HP com mecanismos multifatoriais ou não claros). Essa classificação é fundamental porque o tratamento específico varia conforme o grupo — e o BCC só tem papel no grupo 1, e mesmo assim em condições muito particulares.
O raciocínio por trás da indicação do BCC é o seguinte: na HAP, o teste de vasorreatividade pulmonar aguda é realizado com um vasodilatador pulmonar seletivo de curta ação (óxido nítrico inalado, iloprosta inalatório ou epoprostenol intravenoso). Uma resposta positiva é definida pela redução da pressão arterial pulmonar média (PAPm) de pelo menos 10 mmHg, atingindo um valor absoluto inferior a 40 mmHg, com manutenção ou aumento do débito cardíaco. Apenas os pacientes que respondem a esse teste agudo — um pequeno grupo — são candidatos à prova terapêutica com BCC, geralmente nifedipino. Para os demais, o uso de BCC é contraindicado e pode até ser prejudicial, pois pode causar hipotensão sistêmica e piora clínica.
Na prática, o fluxo é: diagnóstico de HAP por cateterismo cardíaco direito → realização do teste de vasorreatividade → se positivo, iniciar BCC; se negativo, iniciar terapia específica com outras classes de medicamentos (inibidor da fosfodiesterase tipo 5, antagonista do receptor de endotelina, prostaciclinas, entre outros). A resposta a longo prazo ao BCC é definida pela melhora hemodinâmica sustentada (igual ou melhor que a alcançada no teste agudo) após pelo menos 1 ano de uso exclusivo do BCC, com o paciente em classe funcional I/II da NYHA.
A pegadinha da banca está na generalização: a afirmativa diz "prontamente tratados com BCC após o diagnóstico", o que sugere que todos os pacientes com HP devem receber BCC de imediato. Isso é falso por dois motivos: (1) o BCC só se aplica ao grupo 1 (HAP), não aos demais grupos; (2) mesmo na HAP, o BCC só é indicado após teste de vasorreatividade positivo. O candidato que conhece apenas a existência do BCC como tratamento da HP pode marcar "certo", mas o protocolo é muito mais restritivo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que o BCC é tratamento de primeira linha para toda HP. Na verdade, ele é indicado apenas para um subgrupo de pacientes com HAP que respondem ao teste agudo de vasorreatividade. A palavra "prontamente" e a ausência da qualificação "após teste de vasorreatividade positivo" tornam a afirmativa incorreta.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre HP, lembre-se do fluxo: diagnóstico por cateterismo → teste de vasorreatividade → se positivo, BCC; se negativo, terapia específica. O BCC nunca é usado "às cegas" — sempre após confirmação de vasorreatividade.
1Diagnóstico por cateterismo
2Teste de vasorreatividade
3[+] Positivo → BCC
4[-] Negativo → terapia específica
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Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está incorreta porque o BCC não é indicado para todos os pacientes com HP. O tratamento com BCC é restrito a pacientes com HAP (grupo 1) que apresentam resposta positiva ao teste agudo de vasorreatividade. Para os demais grupos de HP e para os pacientes sem resposta ao teste, o BCC não é recomendado — e pode até ser prejudicial. O protocolo exige a realização do teste de vasorreatividade antes de qualquer decisão sobre BCC.