No que se refere às pericardites, julgue o item subsecutivo.No tratamento da pericardite aguda, recomenda-se a interrupção dos anti-inflamatórios não hormonais assim que o paciente se torna assintomático, com vistas à redução dos efeitos colaterais gástricos.
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Pericardite aguda: tratamento com AINEs e colchicina
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque, no tratamento da pericardite aguda, os anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) não devem ser interrompidos assim que o paciente se torna assintomático; ao contrário, recomenda-se manter o tratamento por 1 a 2 semanas, com redução gradual da dose, conforme as diretrizes de cardiologia. A interrupção precoce aumenta o risco de recorrência e não é a conduta recomendada para reduzir efeitos colaterais gástricos — estes são manejados com proteção gástrica, não com suspensão prematura do fármaco.
A pericardite aguda é a inflamação do pericárdio, geralmente de causa idiopática ou viral, manifestando-se com dor torácica aguda, atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas (supradesnivelamento difuso de ST) e, por vezes, derrame pericárdico. O tratamento de primeira linha consiste na associação de AINEs (como ibuprofeno 600 mg 8/8h ou ácido acetilsalicílico 750–1000 mg 8/8h) com colchicina, que reduz a recorrência. A duração recomendada do AINE é de 1 a 2 semanas, com descontinuação gradual (por exemplo, reduzindo 250–500 mg de AAS a cada 1–2 semanas), e não a suspensão imediata ao desaparecimento dos sintomas. A colchicina, por sua vez, deve ser mantida por 3 meses após o episódio inicial, mesmo que o paciente já esteja assintomático, justamente para prevenir recorrências.
A lógica por trás dessa conduta é que a inflamação pericárdica persiste por mais tempo que os sintomas clínicos; interromper o anti-inflamatório precocemente pode levar a recidiva do quadro. Além disso, os efeitos colaterais gástricos dos AINEs são prevenidos com o uso concomitante de inibidores da bomba de prótons ou misoprostol, e não com a suspensão do medicamento. A redução gradual da dose é parte essencial do esquema terapêutico, como mostra a tabela de medicações na pericardite aguda: para o AAS, por exemplo, a dose inicial é de 750–1000 mg a cada 8 horas por 1–2 semanas, com diminuição de 250–500 mg a cada 1–2 semanas.
A pegadinha da banca está em inverter a conduta correta: o candidato pode pensar que, uma vez assintomático, não há mais necessidade do anti-inflamatório, mas a diretriz recomenda completar o ciclo e reduzir gradualmente. Essa é uma distinção importante entre o tratamento da pericardite e o de outras condições inflamatórias agudas, onde a suspensão precoce pode ser aceitável. Portanto, a afirmativa está errada ao sugerir interrupção imediata.
1AINE + colchicina
2Manter 1–2 semanas
3Redução gradual da dose
4Colchicina por 3 meses
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Item — ❌ ERRADO
A afirmativa propõe interromper os AINEs assim que o paciente fica assintomático, com o objetivo de reduzir efeitos colaterais gástricos. Isso contraria a recomendação das diretrizes: o tratamento deve ser mantido por 1 a 2 semanas, com descontinuação gradual, e a proteção gástrica é feita com medicamentos adjuvantes, não com a suspensão precoce. A interrupção abrupta aumenta o risco de recorrência da pericardite. Portanto, a conduta descrita é incorreta.