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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
ce186901
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Cardiologia)
No que se refere às pericardites, julgue o item subsecutivo.Na pericardite constritiva pura, sem envolvimento miocárdico, a função contrátil permanece preservada, mesmo que a fração de ejeção possa estar reduzida, devido à redução da pré-carga.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pericardite constritiva: função contrátil e fração de ejeção

Gabarito: letra C (CERTO). Na pericardite constritiva pura, sem envolvimento miocárdico, a função contrátil do ventrículo permanece preservada, pois o problema é mecânico — o pericárdio espessado e calcificado impede o enchimento diastólico, reduzindo a pré-carga. A fração de ejeção (FE) pode estar reduzida justamente por essa restrição ao enchimento, e não por disfunção sistólica intrínseca do miocárdio. Essa distinção entre disfunção diastólica (pericárdica) e disfunção sistólica (miocárdica) é o núcleo da questão.

A pericardite constritiva é uma doença do pericárdio, a membrana que envolve o coração. Na forma crônica, o pericárdio torna-se espessado, fibrótico e frequentemente calcificado, formando uma "casca rígida" que impede a expansão adequada das câmaras cardíacas durante a diástole. O resultado é uma restrição ao enchimento ventricular: o coração não consegue receber sangue suficiente, e a pressão diastólica final de ambos os ventrículos se eleva e se equaliza. Esse é o mecanismo central da doença — um problema de enchimento (diastólico), não de bombeamento (sistólico).

Como o miocárdio em si não está inflamado ou danificado na pericardite constritiva pura, a capacidade contrátil das fibras musculares permanece intacta. A contratilidade intrínseca está preservada. No entanto, a FE pode aparecer reduzida em exames de imagem. Por quê? A FE é calculada como (volume diastólico final − volume sistólico final) / volume diastólico final. Na constrição, o volume diastólico final é pequeno (a câmara não enche bem), e mesmo que o ventrículo ejete uma fração normal do pouco sangue que recebeu, o volume sistólico final também será pequeno. O resultado numérico da FE pode cair, mas isso reflete a baixa pré-carga, não uma falência da bomba. É um fenômeno hemodinâmico, não miocárdico.

A distinção que importa aqui é entre a pericardite constritiva pura e a miocardite ou a miopericardite. Na miocardite, há inflamação do miocárdio, com dano direto às células musculares, comprometimento da contratilidade e, portanto, disfunção sistólica real. Na miopericardite, há inflamação tanto do pericárdio quanto do miocárdio, podendo haver comprometimento ventricular. Já na pericardite constritiva pura, o miocárdio é poupado — a função contrátil está preservada, e a FE reduzida, quando presente, é consequência da restrição ao enchimento.

A banca explora exatamente essa confusão: o candidato vê "fração de ejeção reduzida" e automaticamente pensa em disfunção sistólica, marcando a alternativa como errada. Mas a afirmativa é precisa ao dizer "na pericardite constritiva pura, sem envolvimento miocárdico" — essa ressalva é a chave. A FE reduzida por baixa pré-carga não contradiz a preservação da contratilidade; ela a confirma, pois é o enchimento que está comprometido, não a bomba.

NÃO CAIA NESSA!

A banca joga com a associação automática entre "fração de ejeção reduzida" e "disfunção contrátil". Na pericardite constritiva, a FE baixa é um artefato hemodinâmico da restrição ao enchimento (pré-carga reduzida), não um sinal de fraqueza do músculo cardíaco. A ressalva "sem envolvimento miocárdico" no enunciado é o que torna a afirmativa correta — se houvesse miocardite associada, aí sim haveria disfunção sistólica real.

1Problema mecânico (pericárdio)
Espessado/calcificado
Restringe enchimento diastólico
Reduz pré-carga
2Miocárdio poupado
Contratilidade preservada
Sem disfunção sistólica
3Fração de ejeção
Pode estar reduzida
Por baixo volume diastólico
Não por falência da bomba
Pericardite constritiva pura
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Pericardite constritiva pura: Problema mecânico (pericárdio) (Espessado/calcificado, Restringe enchimento diastólico, Reduz pré-carga); Miocárdio poupado (Contratilidade preservada, Sem disfunção sistólica); Fração de ejeção (Pode estar reduzida, Por baixo volume diastólico, Não por falência da bomba)

Alternativa C — ✅ CERTOGABARITO

A afirmativa está correta. Na pericardite constritiva pura, o pericárdio espessado e calcificado restringe o enchimento diastólico, reduzindo a pré-carga. A função contrátil do miocárdio permanece preservada, pois não há dano intrínseco às fibras musculares. A fração de ejeção pode estar reduzida, mas isso decorre do baixo volume diastólico final — o ventrículo ejeta uma fração normal do pouco sangue que recebeu. O problema é de enchimento (diastólico), não de bombeamento (sistólico).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa não é falsa. Ela descreve com precisão a fisiopatologia da pericardite constritiva pura: preservação da contratilidade com FE possivelmente reduzida por baixa pré-carga. Quem marca esta alternativa provavelmente cai na pegadinha de associar FE reduzida a disfunção sistólica, ignorando a ressalva "sem envolvimento miocárdico" — que é exatamente o que torna a afirmativa verdadeira.

Gabarito: letra C (CERTO).

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