Em relação às cardiopatias congênitas, julgue o item a seguir.Após o período neonatal, a maioria dos pacientes com coarctação aórtica isolada apresenta sintomas variados, sendo a insuficiência cardíaca uma manifestação comum.
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GabaritoE — Errado
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Coarctação aórtica: apresentação clínica após o período neonatal
Gabarito: letra E (ERRADO). Após o período neonatal, a maioria dos pacientes com coarctação aórtica isolada é assintomática ou apresenta sintomas leves, como hipertensão arterial e claudicação de membros inferiores; a insuficiência cardíaca é uma manifestação rara nessa fase, sendo típica do período neonatal, quando a coarctação é grave e frequentemente associada a outras cardiopatias. A banca inverte o quadro clínico esperado: troca a apresentação neonatal (grave, com IC) pela do paciente mais velho (geralmente assintomático).
A coarctação aórtica é um estreitamento da aorta, geralmente distal à origem da artéria subclávia esquerda, no chamado istmo aórtico. Esse estreitamento impõe uma resistência ao fluxo sanguíneo sistêmico, gerando hipertensão proximal (membros superiores) e hipoperfusão distal (membros inferiores). A gravidade da obstrução e a presença de outras anomalias cardíacas determinam o quadro clínico.
No período neonatal, a coarctação crítica se manifesta com insuficiência cardíaca grave, choque cardiogênico e acidose metabólica, especialmente quando o canal arterial se fecha, pois o fluxo para a aorta descendente depende do canal. Nesses casos, a IC é a regra, e o tratamento é emergencial.
Já após o período neonatal (lactentes maiores, crianças, adolescentes e adultos), a coarctação isolada costuma ser bem tolerada. A maioria dos pacientes é assintomática, e o diagnóstico é feito por achados de exame físico (hipertensão em membros superiores, pulsos femorais diminuídos ou ausentes, sopro sistólico) ou por exames de imagem. Quando sintomas ocorrem, são geralmente leves: cefaleia, epistaxe, claudicação de membros inferiores aos esforços, dor torácica. A insuficiência cardíaca é incomum nesse grupo, aparecendo apenas em casos de coarctação grave não tratada, com hipertensão crônica e sobrecarga ventricular esquerda, ou quando há cardiopatias associadas (valva aórtica bicúspide, comunicação interventricular, etc.).
A banca explora exatamente essa inversão: apresenta a IC como manifestação comum após o período neonatal, quando na verdade ela é a apresentação típica do recém-nascido com coarctação crítica. O candidato que memoriza que "coarctação causa IC" sem distinguir a faixa etária cai na pegadinha.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o quadro clínico do neonato (IC grave, choque) pelo do paciente mais velho (geralmente assintomático ou com sintomas leves). A coarctação isolada após o período neonatal raramente causa IC; quando isso ocorre, sugere coarctação grave não tratada ou cardiopatia associada. Fique atento à faixa etária mencionada no enunciado!
Coarctação aórtica
1Período neonatal (crítica)
Insuficiência cardíaca grave
Choque cardiogênico
Acidose metabólica
2Após o período neonatal (isolada)
Assintomática (maioria)
Sintomas leves
Hipertensão arterial
Claudicação de MMII
Cefaleia
IC é rara (só se grave/associada)
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Item — ❌ ERRADO
A afirmação está errada porque inverte a apresentação clínica da coarctação aórtica conforme a idade. Após o período neonatal, a maioria dos pacientes com coarctação isolada é assintomática ou tem sintomas leves (hipertensão, claudicação intermitente). A insuficiência cardíaca é a manifestação típica do período neonatal, quando a coarctação é crítica e dependente do canal arterial. Portanto, dizer que a IC é "manifestação comum" após o período neonatal contraria o conhecimento estabelecido em cardiologia pediátrica e adulta.