Acerca de endocardite infecciosa, julgue o próximo item.As lesões valvares preexistentes estenóticas são muito mais suscetíveis à endocardite infecciosa que as regurgitantes.
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GabaritoE — Errado
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Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmativa está incorreta porque, na endocardite infecciosa, as lesões valvares regurgitantes (insuficiência) são muito mais suscetíveis à infecção do que as estenóticas. Isso decorre da fisiopatologia da doença: o fluxo sanguíneo turbulento e de alta velocidade, característico das valvas regurgitantes, lesa o endotélio e facilita a aderência bacteriana — mecanismo central descrito na literatura médica sobre o tema.
A endocardite infecciosa (EI) é a invasão de agentes infecciosos na superfície do endocárdio, sobretudo valvar, ou em dispositivos intracardíacos, produzindo inflamação e dano tecidual. O tecido cardíaco é relativamente resistente à infecção, pois bactérias e fungos não aderem facilmente ao endocárdio íntegro, e o fluxo sanguíneo constante dificulta a colonização. Para que a EI ocorra, dois elementos básicos precisam estar presentes: fatores predisponentes endocárdicos e a presença de microorganismos no sangue (bacteremia ou fungemia).
A fisiopatologia explica por que as lesões regurgitantes são mais suscetíveis: a insuficiência valvar gera um jato regurgitante de alta velocidade e turbulência, que lesa o endotélio valvar e cria um ambiente propício à deposição de plaquetas e fibrina, formando a vegetação estéril inicial que serve de nicho para a colonização bacteriana. Já nas lesões estenóticas, o fluxo é obstruído e menos turbulento na face proximal da valva, tornando a aderência bacteriana menos favorecida. Por isso, condições como prolapso mitral com regurgitação, valva aórtica bicúspide regurgitante e valvulopatia reumática regurgitante são fatores de risco clássicos, enquanto a estenose isolada, especialmente a mitral, é menos associada à EI.
Na prática clínica, os fatores de risco cardíacos listados na literatura incluem: válvula prostética, febre reumática, marca-passo, degeneração valvar, válvula aórtica bicúspide, doenças congênitas e prolapso mitral — todos com componente regurgitante ou de fluxo turbulento predominante. A banca explora exatamente essa inversão: o candidato pode pensar que a estenose, por ser uma lesão mais "fechada", facilitaria a infecção, mas o oposto é verdadeiro. A pegadinha está em trocar o tipo de lesão mais suscetível, e é isso que torna a afirmativa errada.
Guarde o critério decisivo: fluxo turbulento e lesão endotelial favorecem a EI — e isso é característico das lesões regurgitantes, não das estenóticas. É nessa fronteira que a questão se resolve.
Endocardite infecciosa: Fisiopatologia (Endotélio íntegro resiste, Bacteremia + lesão endotelial, Fluxo turbulento → vegetação); Lesões regurgitantes (Jato de alta velocidade, Turbulência lesa endotélio, Favorece adesão bacteriana); Lesões estenóticas (Fluxo obstruído, Menos turbulento, Menos suscetível)
Item — ❌ ERRADO
A afirmativa inverte a relação de suscetibilidade: afirma que as lesões estenóticas são mais suscetíveis que as regurgitantes, quando o correto é o contrário. As lesões regurgitantes (insuficiência valvar) criam jatos de alta velocidade e turbulência que lesam o endotélio, facilitando a adesão bacteriana e a formação de vegetações. As lesões estenóticas, por sua vez, apresentam fluxo obstruído e menor turbulência na superfície valvar, sendo menos predisponentes à endocardite infecciosa. Portanto, o item está ERRADO.