Julgue o item a seguir, a respeito de valvopatias cardíacas.A prevalência de fibrilação atrial, em portadores de estenose mitral, está relacionada diretamente com a gravidade da estenose valvar e a idade do paciente.
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GabaritoC — Certo
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Estenose mitral e fibrilação atrial
Gabarito: letra C (CERTO). A prevalência de fibrilação atrial (FA) em portadores de estenose mitral está diretamente relacionada à gravidade da estenose e à idade do paciente. A estenose mitral, ao obstruir o fluxo entre átrio e ventrículo esquerdos, eleva a pressão no átrio esquerdo, que se dilata e se remodela — e esse substrato anatômico, somado ao envelhecimento, é o terreno fértil para o desenvolvimento da FA.
A estenose mitral é o estreitamento do orifício atrioventricular esquerdo, quase sempre por doença reumática, que leva ao espessamento e à fibrose das cúspides com fusão das comissuras. Essa obstrução mecânica cria uma sobrecarga de pressão no átrio esquerdo: o sangue encontra dificuldade para passar ao ventrículo, o átrio dilata progressivamente e sua parede sofre remodelamento — fibrose, perda de tecido muscular e aumento da câmara. É exatamente esse átrio esquerdo aumentado, fibrótico e com pressão elevada que predispõe à instalação de arritmias, sobretudo a fibrilação atrial.
A relação com a gravidade é direta: quanto mais severa a estenose, maior a obstrução, maior a pressão atrial e maior o grau de dilatação e remodelamento — logo, maior a chance de FA. A relação com a idade também é direta: o envelhecimento, por si só, já é um fator de risco independente para FA, pois promove alterações degenerativas no tecido atrial e no sistema de condução. Nos portadores de estenose mitral, a idade se soma ao substrato hemodinâmico, potencializando o risco. A FA, por sua vez, é uma complicação clínica relevante nesses pacientes: além de piorar os sintomas (perda da contração atrial, que contribui com parte do enchimento ventricular), aumenta muito o risco de fenômenos tromboembólicos — o átrio esquerdo dilatado e fibrilando é um sítio clássico de formação de trombos, que podem embolizar para a circulação sistêmica, causando AVC.
A banca explora aqui um conhecimento de fisiopatologia e história natural da valvopatia mitral. A pegadinha seria inverter a relação (dizer que a FA independe da gravidade ou da idade) ou trocar a valva (atribuir essa relação à estenose aórtica, por exemplo). O candidato que domina o mecanismo — obstrução → dilatação atrial → arritmia — acerta a questão sem decorar números.
NÃO CAIA NESSA!
A banca pode tentar confundir ao afirmar que a prevalência de FA na estenose mitral é inversamente proporcional à gravidade ou que independe da idade. A lógica é direta: estenose mais grave → átrio esquerdo mais dilatado e hipertenso → maior risco de FA; idade avançada → maior degeneração atrial → maior risco de FA. Guarde o par "gravidade + idade" como os dois pilares que elevam a prevalência de FA na estenose mitral.
Estenose mitral → FA
1Mecanismo
Obstrução do fluxo AE→VE
↑ Pressão no átrio esquerdo
Dilatação e remodelamento atrial
Substrato para FA
2Fatores de risco (relação direta)
Gravidade da estenose
Maior obstrução → maior dilatação
Idade do paciente
Degeneração atrial
3Complicações da FA
Piora dos sintomas (perda da contração atrial)
Risco tromboembólico (AVC)
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Item — ✅ CERTO
A afirmativa está correta. A prevalência de fibrilação atrial em portadores de estenose mitral é diretamente proporcional à gravidade da estenose valvar e à idade do paciente. A estenose mitral, ao obstruir o fluxo atrioventricular esquerdo, eleva a pressão no átrio esquerdo, que se dilata e se remodela — substrato para a FA. A idade, por sua vez, é fator de risco independente para FA, e se soma ao substrato hemodinâmico. A relação é direta em ambos os casos.