Acerca da hipertensão arterial sistêmica, julgue o item a seguir, considerando que MAPA significa monitorização ambulatorial da pressão arterial e MRPA, monitorização residencial da pressão arterial.O hiperaldosteronismo primário é uma causa potencialmente curável de hipertensão arterial, e sempre se deve suspeitar desse diagnóstico em pacientes hipertensos com hipocalemia espontânea.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Certo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hiperaldosteronismo primário e hipertensão arterial
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: o hiperaldosteronismo primário é uma causa potencialmente curável de hipertensão arterial (HA), e a hipocalemia espontânea é uma pista clássica que deve sempre levantar a suspeita diagnóstica. Essa relação é amplamente reconhecida nas diretrizes de hipertensão, que listam a hipopotassemia como um dos principais achados clínicos indicativos de aldosteronismo primário.
O hiperaldosteronismo primário (também chamado de aldosteronismo primário ou síndrome de Conn) é uma condição em que as glândulas adrenais produzem aldosterona em excesso de forma autônoma, sem depender do estímulo da renina. A aldosterona é o principal hormônio mineralocorticoide e atua no néfron distal promovendo a reabsorção de sódio e a excreção de potássio. O excesso desse hormônio leva, portanto, a dois fenômenos interligados: retenção de sódio e água (que eleva a pressão arterial) e perda renal de potássio (que causa hipocalemia).
As duas causas mais comuns de aldosteronismo primário são o adenoma produtor de aldosterona unilateral (que responde bem à adrenalectomia laparoscópica, sendo potencialmente curável) e a hiperplasia adrenal bilateral (tratada com bloqueio farmacológico dos receptores mineralocorticoides, como a eplerenona). É justamente essa possibilidade de cura cirúrgica no caso do adenoma que torna o diagnóstico tão importante — identificar precocemente esses pacientes permite tratar a causa e não apenas controlar a pressão com anti-hipertensivos.
A hipocalemia espontânea é um dos principais sinais de alerta. O termo "espontânea" é crucial: significa que o potássio sérico está baixo (inferior a 3,5 mmol/L) sem que o paciente esteja em uso de diuréticos, que são a causa mais comum de hipocalemia na prática clínica. Quando um paciente hipertenso apresenta essa alteração, a suspeita de aldosteronismo primário deve ser levantada imediatamente. Vale ressaltar, porém, que a ausência de hipocalemia não exclui o diagnóstico — mais de um terço dos pacientes não apresenta essa alteração na apresentação inicial, e o diagnóstico deve ser considerado também em casos de hipertensão refratária.
A confirmação diagnóstica envolve a dosagem de aldosterona e renina plasmáticas (cálculo da razão aldosterona/renina), seguida de testes confirmatórios como a carga de sal, e exames de imagem das adrenais. A amostragem da veia adrenal pode ser necessária para distinguir entre adenoma unilateral e hiperplasia bilateral, o que define a abordagem terapêutica.
A banca explora aqui um ponto de conhecimento consolidado na literatura médica: a associação entre hipocalemia espontânea e hiperaldosteronismo primário como causa secundária e potencialmente curável de hipertensão. O candidato que domina esse conceito reconhece a afirmativa como correta sem hesitação.
✅ CERTO. A afirmativa está correta: o hiperaldosteronismo primário é causa potencialmente curável de HA (especialmente quando há adenoma unilateral, tratável com adrenalectomia), e a hipocalemia espontânea é indicação clássica de rastreamento para esse diagnóstico.