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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
ce186935
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Cardiologia)
No que concerne à avaliação cardiovascular do idoso, julgue o item a seguir.Considere que um paciente hipertenso de 80 anos de idade submetido à colecistectomia tenha apresentado fibrilação atrial no 2.º dia de pós-operatório, com reversão espontânea após cerca de 12 horas. Nesse caso, está contraindicada a anticoagulação, uma vez que se trata de fibrilação atrial pós-operatória com baixo risco de eventos cardioembólicos.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fibrilação atrial pós-operatória e anticoagulação no idoso

Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a fibrilação atrial (FA) pós-operatória, mesmo com reversão espontânea, não contraindica a anticoagulação; pelo contrário, o paciente idoso hipertenso de 80 anos apresenta risco aumentado de eventos cardioembólicos, e a decisão de anticoagular deve ser individualizada, considerando o risco de AVC e o risco de sangramento, conforme as diretrizes de cardiologia. A FA pós-operatória é uma complicação comum e está associada a aumento de mortalidade, maior tempo de internação e risco aumentado de AVC, sendo a anticoagulação uma medida frequentemente indicada, especialmente em pacientes com perfil de risco elevado.

A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum na prática clínica e sua prevalência aumenta significativamente com a idade, chegando a cerca de 9% em pacientes entre 80 e 89 anos. No contexto pós-operatório, especialmente após cirurgias não cardíacas como a colecistectomia, a FA é uma complicação frequente, com incidência que pode variar de 5% a 40% dependendo do tipo de cirurgia e das comorbidades do paciente. O pico de incidência ocorre nas primeiras 48 horas após o procedimento, e a arritmia pode ser autolimitada, como no caso descrito, com reversão espontânea em até 12 horas.

O principal objetivo do tratamento da FA é a prevenção de eventos tromboembólicos, especialmente o AVC cardioembólico, que tende a ser mais extenso e incapacitante do que os AVCs de outras etiologias. O risco de AVC em pacientes com FA aumenta com a idade: o risco relativo é de 2,6 entre 50 e 69 anos e de 4,5 entre 80 e 89 anos. Além disso, o risco atribuível da FA como causa de AVC na população aumenta de cerca de 2% para 24% com o envelhecimento. Portanto, um paciente de 80 anos com FA, mesmo que pós-operatória e de curta duração, não pode ser considerado de baixo risco cardioembólico apenas por essa característica.

A decisão de anticoagular deve ser baseada na avaliação individual do risco de eventos isquêmicos e do risco de sangramento. Ferramentas como o escore CHA2DS2-VASc são utilizadas para estimar o risco de AVC em pacientes com FA não valvar. No caso apresentado, o paciente tem 80 anos (2 pontos), hipertensão arterial (1 ponto), e sexo masculino (1 ponto), totalizando 4 pontos, o que indica risco moderado a alto de eventos cardioembólicos, justificando a indicação de anticoagulação, a menos que haja contraindicação absoluta. A idade avançada, por si só, não é contraindicação à anticoagulação; pelo contrário, o benefício absoluto do uso de anticoagulantes tende a ser maior quanto mais idoso for o paciente, desde que não haja risco elevado de quedas ou hemorragia intracraniana traumática.

A afirmativa da questão sugere que a FA pós-operatória com reversão espontânea tem baixo risco de eventos cardioembólicos e, portanto, a anticoagulação estaria contraindicada. Esse raciocínio é falho por dois motivos: primeiro, a FA pós-operatória, mesmo autolimitada, está associada a um risco aumentado de AVC, especialmente em pacientes idosos com fatores de risco; segundo, a reversão espontânea não elimina o risco tromboembólico, que persiste enquanto houver episódios de FA e depende do perfil de risco basal do paciente. A anticoagulação deve ser considerada e individualizada, levando em conta o risco de sangramento, mas não é contraindicada apenas pelo fato de a FA ser pós-operatória e ter duração curta.

A pegadinha da questão está em associar a reversão espontânea da FA a um baixo risco cardioembólico, o que é uma generalização incorreta. O risco de AVC na FA não é determinado pela duração do episódio ou pela reversão espontânea, mas sim pelo perfil de risco do paciente, incluindo idade, hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca, AVC prévio, entre outros. No caso do paciente de 80 anos hipertenso, o risco é claramente elevado, e a anticoagulação deve ser fortemente considerada, a menos que haja contraindicação específica, como sangramento ativo ou risco muito alto de queda.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a pensar que a FA pós-operatória com reversão espontânea é benigna e não requer anticoagulação. Na verdade, o risco de AVC é determinado pelo perfil de risco do paciente (idade, HAS, etc.), não pela duração do episódio ou pela reversão espontânea. O paciente de 80 anos hipertenso tem alto risco cardioembólico, e a anticoagulação deve ser considerada, não contraindicada.

FA pós-operatória
  • 1Reversão espontânea
    • Não elimina risco tromboembólico
    • Risco depende do perfil basal
  • 2Decisão de anticoagular
    • Individualizada
    • CHA2DS2-VASc
      • 80 anos (2 pts)
      • HAS (1 pt)
      • Sexo masculino (1 pt)
      • Total: 4 pts → risco moderado/alto
    • Anticoagulação indicada
    • Não contraindicada pela duração curta
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Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmativa está incorreta porque a anticoagulação não está contraindicada em paciente idoso hipertenso de 80 anos com FA pós-operatória, mesmo com reversão espontânea. O risco de eventos cardioembólicos é elevado nesse paciente, dado o escore CHA2DS2-VASc de 4 pontos (idade ≥ 75 anos, hipertensão e sexo masculino), e a decisão de anticoagular deve ser individualizada, considerando o risco de sangramento, mas não pode ser descartada apenas pelo fato de a FA ser pós-operatória e ter duração curta. A FA pós-operatória está associada a aumento de mortalidade, maior tempo de internação e risco aumentado de AVC, e a anticoagulação é uma medida frequentemente indicada nesse contexto, especialmente em pacientes com perfil de risco elevado.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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