No que concerne à avaliação cardiovascular do idoso, julgue o item a seguir.Considere que um paciente de 70 anos de idade tenha sido submetido recentemente a cateterismo eletivo seguido por angioplastia com stent farmacológico de segunda geração; considere, ainda, que ele necessite de polipectomia colônica por suspeita da adenocarcinoma de cólon. Nessa situação hipotética, o paciente deve aguardar pelo menos 6 meses para a realização do procedimento, devido à necessidade de interrupção de dupla antiagregação plaquetária (DAPT).
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GabaritoE — Errado
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Avaliação cardiovascular do idoso: DAPT e procedimentos não cardíacos
Gabarito: ERRADO. O paciente com stent farmacológico de segunda geração, em uso de dupla antiagregação plaquetária (DAPT), não precisa aguardar 6 meses para a polipectomia colônica eletiva. As diretrizes do ACC/AHA recomendam que, se a cirurgia for eletiva e puder ser adiada com segurança, o momento ideal é 12 meses após a intervenção coronariana percutânea (ICP), e não 6 meses. A afirmativa erra ao fixar o prazo em 6 meses, que é o período mínimo para cirurgia não adiável em stent farmacológico, não o ideal para procedimento eletivo.
A questão aborda um dilema clínico frequente na avaliação pré-operatória: o manejo da DAPT em pacientes com stent coronariano que necessitam de cirurgia não cardíaca. O stent farmacológico de segunda geração (como os eluídos com everolimus) exige DAPT com AAS e inibidor de P2Y12 para prevenir trombose de stent, que é uma complicação potencialmente fatal. O risco de trombose é maior nas primeiras semanas após a ICP e diminui progressivamente, mas permanece relevante por até 12 meses. Por isso, as diretrizes do American College of Cardiology (ACC) e da American Heart Association (AHA) estabelecem um algoritmo baseado no tempo decorrido desde a ICP e na urgência da cirurgia.
O ponto central é a distinção entre cirurgia eletiva e cirurgia não adiável. Para cirurgia eletiva, o ideal é aguardar 12 meses após a ICP, pois é o período em que o risco de trombose de stent se estabiliza em níveis baixos. Para cirurgia que não pode ser adiada, o procedimento pode ser realizado nos primeiros 30 dias após stent metálico ou 6 meses após stent farmacológico, mantendo a DAPT. Se o risco de sangramento for proibitivo, o inibidor de P2Y12 é interrompido temporariamente (5 a 7 dias) e o AAS é mantido. A polipectomia colônica, no contexto de suspeita de adenocarcinoma, é um procedimento eletivo, pois o câncer de cólon tem crescimento lento e o atraso de alguns meses para o tratamento cirúrgico definitivo não compromete o prognóstico, desde que o paciente seja monitorado.
A pegadinha da questão está em inverter os prazos: o candidato pode confundir o prazo mínimo para cirurgia não adiável (6 meses para stent farmacológico) com o prazo ideal para cirurgia eletiva (12 meses). A banca explora exatamente essa troca, fazendo o candidato acreditar que 6 meses é o tempo de espera adequado para qualquer procedimento, quando na verdade é o limite mínimo para procedimentos que não podem esperar mais. Além disso, a decisão de interromper a DAPT nunca é automática — envolve uma abordagem multidisciplinar, ponderando risco de trombose de stent versus risco de sangramento, e considerando o tipo de procedimento, o risco de sangramento e as consequências do atraso.
Na prática clínica, o manejo ideal seria: avaliar o risco de sangramento da polipectomia (que é um procedimento de risco intermediário), considerar o tempo decorrido desde a ICP (o enunciado não informa, mas diz "recentemente"), e decidir em equipe. Se a cirurgia for eletiva e o paciente estiver dentro dos primeiros 6 meses pós-ICP, o ideal é adiar para completar 12 meses. Se já passaram mais de 6 meses, pode-se considerar a realização do procedimento com manutenção da DAPT ou com ponte de anticoagulação, dependendo do risco. A afirmativa, ao fixar 6 meses como prazo obrigatório, está incorreta.
Guarde a fronteira entre os prazos: 12 meses é o ideal para cirurgia eletiva; 6 meses é o mínimo para cirurgia não adiável em stent farmacológico; 30 dias é o mínimo para stent metálico. É exatamente nessa distinção que a alternativa se divide.
1Cirurgia eletiva
2Aguardar 12 meses
3Cirurgia não adiável
4Stent farmacológico: 6 meses
5Stent metálico: 30 dias
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Alternativa E — ✅ Correta (ERRADO) ⟵ GABARITO
A afirmativa está errada porque fixa o prazo de 6 meses como obrigatório para a polipectomia colônica eletiva. O correto, segundo as diretrizes do ACC/AHA, é aguardar 12 meses após a ICP para cirurgias eletivas, pois é o período em que o risco de trombose de stent se estabiliza. O prazo de 6 meses é o mínimo para cirurgia não adiável em pacientes com stent farmacológico, não o ideal para procedimentos eletivos. Além disso, a decisão de interromper a DAPT não é automática e depende de avaliação multidisciplinar do risco de trombose versus risco de sangramento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o prazo ideal para cirurgia eletiva (12 meses) pelo prazo mínimo para cirurgia não adiável (6 meses). O candidato que decora os números sem entender o contexto cai na armadilha. Lembre-se: eletiva = 12 meses; não adiável = 6 meses (stent farmacológico) ou 30 dias (stent metálico).
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando a questão envolver DAPT e cirurgia, identifique primeiro se o procedimento é eletivo ou urgente. Depois, verifique o tipo de stent (metálico ou farmacológico) e o tempo decorrido desde a ICP. Monte uma tabela mental: eletiva → 12 meses; não adiável → 30 dias (metálico) ou 6 meses (farmacológico). Isso resolve a maioria das questões.