A respeito de insuficiência cardíaca, julgue o próximo item.A ressonância magnética cardíaca pode auxiliar no diagnóstico de causas mais raras de insuficiência cardíaca de fração de ejeção preservada, como a amiloidose e a doença de Fabry, sendo o padrão de realce tardio característico da primeira o subendocárdico circunferencial e o da segunda, o mesocárdico na parede inferolateral.
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GabaritoC — Certo
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Insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada: papel da ressonância magnética
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: a ressonância magnética cardíaca (RMC) é ferramenta útil no diagnóstico etiológico da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP), e os padrões de realce tardio descritos — subendocárdico circunferencial na amiloidose e mesocárdico na parede inferolateral na doença de Fabry — são, de fato, os achados característicos dessas doenças. A questão cobra conhecimento de cardiologia avançada, especificamente sobre miocardiopatias infiltrativas e de depósito.
A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica complexa, e a fração de ejeção (FE) é um dos parâmetros que a classifica. A ICFEP é definida como FE ≥ 50%, e suas causas são diversas, incluindo doenças infiltrativas (como a amiloidose) e doenças de depósito (como a doença de Fabry). A RMC, por sua capacidade de caracterizar tecidos, tornou-se um método diagnóstico fundamental nesses casos, complementando a ecocardiografia. O realce tardio pelo gadolínio (LGE) é a técnica que permite identificar fibrose ou infiltração miocárdica, e o padrão de distribuição desse realce é um forte indicador etiológico.
Na amiloidose cardíaca, o depósito de proteína amiloide no interstício miocárdico leva a um padrão de realce tardio característico: subendocárdico circunferencial, que pode se estender de forma difusa ou transmural. Esse padrão reflete a infiltração difusa do subendocárdio, uma assinatura da doença. Já na doença de Fabry, uma doença de depósito lisossômico ligada ao cromossomo X, o acúmulo de glicoesfingolipídeos (globotriaosilceramida) nos cardiomiócitos resulta em um padrão de realce tardio mesocárdico, tipicamente localizado na parede inferolateral do ventrículo esquerdo. Essa localização e o padrão mesocárdico são tão característicos que ajudam a diferenciar a doença de Fabry de outras causas de hipertrofia ventricular esquerda.
A distinção entre os padrões de realce é crucial, pois orienta a investigação e o tratamento específico. Enquanto a amiloidose pode exigir terapias como tafamidis ou diflunisal, a doença de Fabry tem tratamento com terapia de reposição enzimática (agalsidase alfa ou beta). A RMC, portanto, não apenas auxilia no diagnóstico, mas também direciona a conduta. A banca explora exatamente esse conhecimento específico de imagem cardíaca, e a afirmativa está precisa em ambos os padrões descritos.
RMC na ICFEP
1Amiloidose
Realce tardio subendocárdico circunferencial
Infiltração amiloide difusa
2Doença de Fabry
Realce tardio mesocárdico inferolateral
Depósito de glicoesfingolipídeos
3Utilidade
Diagnóstico etiológico
Direciona tratamento específico
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Item — ✅ CERTO
A afirmativa está correta em sua totalidade. A RMC é um método de imagem que permite a caracterização tecidual do miocárdio, sendo particularmente útil quando a ecocardiografia é inconclusiva ou quando há suspeita de causas específicas de ICFEP. O realce tardio subendocárdico circunferencial é um achado clássico da amiloidose cardíaca, refletindo a infiltração amiloide difusa. Por outro lado, o realce tardio mesocárdico na parede inferolateral é o padrão típico da doença de Fabry, devido ao acúmulo de glicoesfingolipídeos nos cardiomiócitos. A precisão da afirmativa em descrever esses padrões como característicos de cada doença está correta e alinhada com a literatura médica.