A respeito de insuficiência cardíaca, julgue o próximo item.Em pacientes com insuficiência cardíaca, a presença de fibrose identificada por meio de realce tardio na ressonância magnética cardíaca é fator de risco para arritmias ventriculares graves por mecanismo de reentrada.
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Insuficiência cardíaca: fibrose miocárdica e risco de arritmias ventriculares
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: em pacientes com insuficiência cardíaca, a presença de fibrose miocárdica identificada por realce tardio na ressonância magnética cardíaca é reconhecida como fator de risco para arritmias ventriculares graves, e o mecanismo fisiopatológico envolvido é a reentrada — o tecido fibroso cria áreas de condução lenta e bloqueio, substrato clássico para circuitos de reentrada. Essa relação está documentada na literatura cardiológica e é um dos pilares da estratificação de risco de morte súbita nesses pacientes.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica em que o coração é incapaz de bombear sangue adequadamente, seja por disfunção sistólica (redução da fração de ejeção) ou diastólica (disfunção de enchimento). Uma das complicações mais temidas é a morte súbita cardíaca (MSC), frequentemente causada por taquicardia ventricular (TV) e fibrilação ventricular (FV). A identificação de pacientes com maior risco de MSC é crucial para decidir intervenções como o cardioversor-desfibrilador implantável (CDI).
A ressonância magnética cardíaca (RMC) com realce tardio pelo gadolínio (LGE) é um método não invasivo que permite visualizar diretamente a fibrose miocárdica — áreas de cicatriz ou substituição do miocárdio por tecido conjuntivo. Essa fibrose é um substrato arritmogênico: ela cria regiões de condução elétrica lenta e heterogênea, que são o cenário ideal para o desenvolvimento de circuitos de reentrada. Na reentrada, um impulso elétrico percorre um trajeto em que encontra uma área de bloqueio unidirecional e condução lenta, permitindo que o estímulo retorne e gere taquicardias sustentadas, como a TV monomórfica.
A literatura é clara ao listar o realce tardio na RMC como um preditor de MSC após infarto do miocárdio, ao lado da fração de ejeção reduzida, da isquemia residual e dos potenciais tardios no ECG. Em pacientes com IC, a presença de fibrose — seja por cardiopatia isquêmica ou não isquêmica — está associada a maior risco de arritmias ventriculares graves. A diretriz brasileira de IC destaca que arritmias ventriculares são comuns e podem causar morte súbita, e que a identificação de marcadores de risco, como a disfunção ventricular grave, é essencial. A RMC, ao detectar fibrose, agrega valor prognóstico e ajuda a selecionar pacientes para CDI.
A pegadinha que a banca poderia explorar é a tentação de negar a afirmação por achar que a fibrose seria um achado inespecífico ou que o mecanismo seria outro (como automaticidade anormal). No entanto, a associação entre fibrose, reentrada e arritmias ventriculares graves é um conceito consolidado. O realce tardio na RMC é, na prática clínica, um marcador de substrato arritmogênico, e sua presença em pacientes com IC deve alertar para o risco de TV/FV e morte súbita.
Portanto, a afirmativa está CORRETA: a fibrose identificada por realce tardio na RMC é fator de risco para arritmias ventriculares graves, e o mecanismo é a reentrada.
Fibrose miocárdica (RMC com realce tardio): Substrato arritmogênico (Condução lenta, Bloqueio unidirecional, Circuito de reentrada); Consequência (Taquicardia ventricular, Fibrilação ventricular, Morte súbita); Utilidade clínica (Estratificação de risco, Seleção para CDI)