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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
ce186939
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Cardiologia)
A respeito de insuficiência cardíaca, julgue o próximo item.Em pacientes com insuficiência cardíaca, a presença de fibrose identificada por meio de realce tardio na ressonância magnética cardíaca é fator de risco para arritmias ventriculares graves por mecanismo de reentrada.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência cardíaca: fibrose miocárdica e risco de arritmias ventriculares

Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: em pacientes com insuficiência cardíaca, a presença de fibrose miocárdica identificada por realce tardio na ressonância magnética cardíaca é reconhecida como fator de risco para arritmias ventriculares graves, e o mecanismo fisiopatológico envolvido é a reentrada — o tecido fibroso cria áreas de condução lenta e bloqueio, substrato clássico para circuitos de reentrada. Essa relação está documentada na literatura cardiológica e é um dos pilares da estratificação de risco de morte súbita nesses pacientes.

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica em que o coração é incapaz de bombear sangue adequadamente, seja por disfunção sistólica (redução da fração de ejeção) ou diastólica (disfunção de enchimento). Uma das complicações mais temidas é a morte súbita cardíaca (MSC), frequentemente causada por taquicardia ventricular (TV) e fibrilação ventricular (FV). A identificação de pacientes com maior risco de MSC é crucial para decidir intervenções como o cardioversor-desfibrilador implantável (CDI).

A ressonância magnética cardíaca (RMC) com realce tardio pelo gadolínio (LGE) é um método não invasivo que permite visualizar diretamente a fibrose miocárdica — áreas de cicatriz ou substituição do miocárdio por tecido conjuntivo. Essa fibrose é um substrato arritmogênico: ela cria regiões de condução elétrica lenta e heterogênea, que são o cenário ideal para o desenvolvimento de circuitos de reentrada. Na reentrada, um impulso elétrico percorre um trajeto em que encontra uma área de bloqueio unidirecional e condução lenta, permitindo que o estímulo retorne e gere taquicardias sustentadas, como a TV monomórfica.

A literatura é clara ao listar o realce tardio na RMC como um preditor de MSC após infarto do miocárdio, ao lado da fração de ejeção reduzida, da isquemia residual e dos potenciais tardios no ECG. Em pacientes com IC, a presença de fibrose — seja por cardiopatia isquêmica ou não isquêmica — está associada a maior risco de arritmias ventriculares graves. A diretriz brasileira de IC destaca que arritmias ventriculares são comuns e podem causar morte súbita, e que a identificação de marcadores de risco, como a disfunção ventricular grave, é essencial. A RMC, ao detectar fibrose, agrega valor prognóstico e ajuda a selecionar pacientes para CDI.

A pegadinha que a banca poderia explorar é a tentação de negar a afirmação por achar que a fibrose seria um achado inespecífico ou que o mecanismo seria outro (como automaticidade anormal). No entanto, a associação entre fibrose, reentrada e arritmias ventriculares graves é um conceito consolidado. O realce tardio na RMC é, na prática clínica, um marcador de substrato arritmogênico, e sua presença em pacientes com IC deve alertar para o risco de TV/FV e morte súbita.

Portanto, a afirmativa está CORRETA: a fibrose identificada por realce tardio na RMC é fator de risco para arritmias ventriculares graves, e o mecanismo é a reentrada.

1Substrato arritmogênico
Condução lenta
Bloqueio unidirecional
Circuito de reentrada
2Consequência
Taquicardia ventricular
Fibrilação ventricular
Morte súbita
3Utilidade clínica
Estratificação de risco
Seleção para CDI
Fibrose miocárdica (RMC com realce tardio)
LEVELsoulevel.com.br
Fibrose miocárdica (RMC com realce tardio): Substrato arritmogênico (Condução lenta, Bloqueio unidirecional, Circuito de reentrada); Consequência (Taquicardia ventricular, Fibrilação ventricular, Morte súbita); Utilidade clínica (Estratificação de risco, Seleção para CDI)

CERTO.

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