Julgue o item subsequente, relativos à investigação de doenças cardiovasculares e aos métodos diagnósticos em cardiologia clínica.Durante teste ergométrico de esforço em paciente de moderado risco cardiovascular, o surgimento de infradesnivelamento do segmento ST com morfologia ascendente de 1 mm no ponto Y na fase de esforço, mantido na recuperação, é indicativo de isquemia esforço-induzida.
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Teste ergométrico: interpretação do infradesnivelamento do segmento ST
Gabarito: ERRADO. O infradesnivelamento do segmento ST com morfologia ascendente de 1 mm no ponto Y, mesmo mantido na recuperação, não é indicativo de isquemia esforço-induzida — a morfologia ascendente é uma resposta fisiológica ao exercício, e o critério de positividade para isquemia exige infradesnivelamento horizontal ou descendente (medido no ponto J ou no ponto Y, conforme a morfologia). A afirmativa erra ao atribuir valor isquêmico a uma alteração que, isoladamente, não o tem.
O teste ergométrico (TE) é um dos métodos mais acessíveis para investigar doença arterial coronariana (DAC), mas sua interpretação exige rigor na análise do segmento ST. O desvio do segmento ST é medido a partir da linha de base PQ, e o ponto J marca o final do complexo QRS e o início do segmento ST. O ponto Y, por sua vez, localiza-se 2 mm após o ponto J. A partir dessas referências, avalia-se a morfologia do infradesnivelamento, que pode ser ascendente, horizontal ou descendente.
A distinção entre essas morfologias é o cerne da questão. O infradesnivelamento ascendente rápido é uma resposta fisiológica ao exercício, refletindo o aumento da frequência cardíaca e a redução da duração da sístole — não indica isquemia. Já o infradesnivelamento horizontal ou descendente é o padrão clássico de isquemia miocárdica, pois reflete uma repolarização anormal do miocárdio sob estresse. Para ser considerado isquêmico, o infradesnivelamento deve ser igual ou maior que 1 mm, medido no ponto J (se descendente) ou no ponto Y (se horizontal), em três batimentos consecutivos.
A afirmativa da questão descreve exatamente o cenário que não preenche os critérios: morfologia ascendente. Mesmo que o desvio persista na recuperação — o que, isoladamente, é um sinal de gravidade quando associado a outras alterações — a morfologia ascendente não confere especificidade para isquemia. A persistência na recuperação é um marcador de risco, mas não transforma um achado fisiológico em patológico.
Na prática clínica, o médico deve correlacionar o eletrocardiograma com os sintomas e a resposta hemodinâmica. Um paciente com infradesnivelamento ascendente isolado, sem dor torácica, sem hipotensão e com boa capacidade funcional, não deve ser classificado como tendo isquemia induzida pelo esforço. A interpretação correta evita exames complementares desnecessários e tratamentos inadequados.
A banca explora a confusão entre os critérios de positividade do TE. O candidato que memoriza apenas o valor de 1 mm e o ponto de medição pode assinalar como correto, ignorando a morfologia — que é o fator decisivo. A morfologia ascendente é a exceção que invalida o critério, e é exatamente nesse detalhe que a questão se resolve.
Infradesnivelamento do ST no TE: Morfologia ascendente (Fisiológico ao esforço, Não é critério de isquemia); Morfologia horizontal (Isquemia, ≥ 1 mm no ponto Y); Morfologia descendente (Isquemia, ≥ 1 mm no ponto J); Persistência na recuperação (Sinal de gravidade, Não altera a morfologia)
Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está incorreta porque atribui valor isquêmico ao infradesnivelamento do segmento ST com morfologia ascendente. O critério de positividade para isquemia no teste ergométrico exige infradesnivelamento horizontal ou descendente de pelo menos 1 mm, medido no ponto J (se descendente) ou no ponto Y (se horizontal), em três batimentos consecutivos. A morfologia ascendente, mesmo que mantida na recuperação, é uma resposta fisiológica ao exercício e não indica isquemia miocárdica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que o infradesnivelamento de 1 mm no ponto Y, mantido na recuperação, é suficiente para diagnosticar isquemia. O erro está na morfologia: o critério exige desvio horizontal ou descendente, e não ascendente. A persistência na recuperação é um sinal de gravidade, mas não converte um achado fisiológico em isquêmico. Memorize: ascendente = fisiológico; horizontal/descendente = isquêmico.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de teste ergométrico, monte uma tabela mental com as morfologias do infradesnivelamento e seus significados: