O período de transição menopausática é um momento-chave na saúde cardiovascular das mulheres, com importantes modificações hormonais que afetam o sistema cardiovascular. A esse respeito, julgue o item que se seguem, considerando conceitos de prevenção cardiovascular nas mulheres.Em pacientes do sexo feminino com baixos níveis de hormônios androgênios, a terapia de reposição de testosterona com vistas a alcançar níveis de testosterona sanguínea próximos aos da pré-menopausa é indicada para melhoria da saúde cardiometabólica e prevenção de eventos cardiovasculares.
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Terapia de reposição hormonal e prevenção cardiovascular na menopausa
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque, no momento atual, não existe indicação para o uso de qualquer forma ou dosagem de terapia de reposição hormonal (TRH) — incluindo testosterona — como medida de prevenção cardiovascular, conforme diretrizes brasileiras de cardiologia. A recomendação é que pacientes de risco vascular suspendam o medicamento, especialmente após eventos agudos, e que a decisão de uso para manejo de sintomas seja individualizada, avaliando risco-benefício.
A transição menopausática é um período de importantes modificações hormonais que afetam o sistema cardiovascular. A queda do estradiol e a alteração na relação estrogênio/andrógenio podem induzir aumento de peso, aumento da atividade simpática e do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), culminando em estresse oxidativo, disfunção endotelial e aumento da rigidez aórtica. Esses mecanismos explicam por que a menopausa é um momento-chave para o surgimento de hipertensão arterial e outros fatores de risco cardiovascular.
Historicamente, estudos observacionais sugeriam que mulheres usuárias de terapia de reposição hormonal tinham risco notavelmente menor de eventos cardiovasculares. No entanto, ensaios clínicos randomizados (ECRs) demonstraram o contrário: aumento na incidência de eventos isquêmicos cardiovasculares, tromboembolismo venoso e neoplasia ginecológica em usuárias de TRH. A partir dessas evidências, as diretrizes atuais são claras: não há indicação para uso de TRH como medida de prevenção cardiovascular, seja em prevenção primária ou secundária.
É importante destacar que estudos mais recentes sugerem que, para mulheres saudáveis de baixo risco cardiovascular, nos primeiros anos da pré-menopausa (menos de 10 anos), não parece haver risco cardiovascular aumentado com o uso de TRH, podendo existir benefício no controle de sintomas. Contudo, isso não significa que a TRH seja indicada para prevenção cardiovascular — o benefício potencial é apenas no controle de sintomas vasomotores, e a decisão deve ser individualizada, considerando risco-benefício.
A afirmativa em questão menciona especificamente a reposição de testosterona em mulheres com baixos níveis de hormônios androgênicos, com o objetivo de alcançar níveis próximos aos da pré-menopausa para melhoria da saúde cardiometabólica e prevenção de eventos cardiovasculares. Essa indicação não encontra respaldo nas diretrizes atuais. A terapia de reposição hormonal, incluindo androgênios, não é recomendada para prevenção cardiovascular em nenhuma forma ou dosagem. Pelo contrário, pacientes de risco vascular devem suspender o medicamento, especialmente após eventos agudos.
A pegadinha da questão está em sugerir que a reposição de testosterona seria uma estratégia válida para prevenção cardiovascular, quando na verdade a evidência atual é contrária ao uso de qualquer TRH para esse fim. O candidato pode ser induzido a pensar que, como a menopausa envolve alterações hormonais que afetam o sistema cardiovascular, repor hormônios seria uma forma de prevenir eventos — mas a evidência científica demonstra justamente o oposto.
Terapia de reposição hormonal (TRH) na menopausa
1Prevenção cardiovascular
Não indicada (nenhuma forma/dosagem)
Risco vascular: suspender
Após eventos agudos: suspender
2Controle de sintomas vasomotores
Indicada em casos selecionados
Baixo risco cardiovascular
Individualizar risco-benefício
3Evidências
ECRs: aumento de eventos isquêmicos
ECRs: aumento de tromboembolismo venoso
ECRs: aumento de neoplasia ginecológica
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Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está incorreta porque propõe a terapia de reposição de testosterona como medida de prevenção cardiovascular em mulheres com baixos níveis androgênicos. As diretrizes brasileiras de cardiologia são explícitas: não existe indicação para o uso de qualquer forma ou dosagem de TRH como medida de prevenção cardiovascular. A recomendação é que pacientes de risco vascular suspendam o medicamento, especialmente após eventos agudos. Para pacientes de baixo risco cardiovascular, o manejo de sintomas ou risco aumentado de fraturas requer avaliação individualizada de risco-benefício, mas nunca com finalidade exclusiva de prevenção cardiovascular.
A banca explora a confusão entre o uso de TRH para controle de sintomas climatéricos (que pode ser indicado em casos selecionados) e o uso para prevenção cardiovascular (que é contraindicado). A afirmativa mistura esses conceitos ao sugerir que a reposição de testosterona seria benéfica para a saúde cardiometabólica, o que contraria a evidência atual.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que a reposição hormonal — aqui especificamente a testosterona — seria uma estratégia válida de prevenção cardiovascular na menopausa. A armadilha está em sugerir que, como a menopausa envolve alterações hormonais que afetam o sistema cardiovascular, repor hormônios seria uma forma de prevenir eventos. Na verdade, a evidência é contrária: ECRs demonstraram aumento de eventos isquêmicos, tromboembolismo venoso e neoplasia ginecológica com o uso de TRH. A única indicação atual é para controle de sintomas vasomotores em mulheres de baixo risco, com avaliação individualizada de risco-benefício — nunca para prevenção cardiovascular.