O período de transição menopausática é um momento-chave na saúde cardiovascular das mulheres, com importantes modificações hormonais que afetam o sistema cardiovascular. A esse respeito, julgue o item que se seguem, considerando conceitos de prevenção cardiovascular nas mulheres.Na transição menopausática, há aumento do risco de depressão, transtorno de ansiedade e estresse crônico, mas este, diferentemente da depressão e do transtorno de ansiedade, não exerce influência no processo de formação e progressão da placa aterosclerótica.
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Transição menopausática e risco cardiovascular: o papel do estresse crônico
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque o estresse crônico, assim como a depressão e o transtorno de ansiedade, exerce sim influência no processo de formação e progressão da placa aterosclerótica. O estresse crônico é reconhecido como um fator de risco cardiovascular relevante, atuando por mecanismos neuroendócrinos e inflamatórios que promovem a disfunção endotelial e a aterogênese.
O período de transição menopausática é marcado por profundas modificações hormonais, especialmente a diminuição do estradiol, que impactam diretamente o sistema cardiovascular. A deficiência estrogênica produz um perfil pró-aterogênico, com elevação do colesterol total, LDL-c e ApoB, além de redução do HDL-c. Nesse contexto, fatores psicossociais como depressão, ansiedade e estresse crônico ganham relevância, pois potencializam o risco cardiovascular.
O estresse crônico atua por múltiplos mecanismos: ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, elevando o cortisol, e o sistema nervoso simpático, aumentando a liberação de catecolaminas. Isso leva a aumento da pressão arterial, resistência à insulina, dislipidemia e, crucialmente, a um estado inflamatório sistêmico com disfunção endotelial. A inflamação tem papel central na fisiopatologia da doença aterosclerótica, e o estresse crônico é um dos gatilhos desse processo inflamatório.
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 reconhece explicitamente o estresse crônico como fator de risco emergente para hipertensão em mulheres, ao lado de doenças autoimunes e fatores ambientais e psicossociais. Isso confirma que o estresse crônico não é um mero desconforto emocional, mas um fator com repercussões cardiovasculares concretas e mensuráveis.
A banca explora aqui uma armadilha clássica: apresentar o estresse crônico como se fosse um fator de risco "menor" ou sem impacto direto na aterosclerose, quando na verdade ele é um dos fatores que compõem o contínuo de risco cardiovascular. O candidato que conhece apenas a associação entre depressão e doença cardiovascular pode ser levado a concordar com a afirmativa, mas o conhecimento mais aprofundado mostra que o estresse crônico tem papel igualmente relevante.
Estresse crônico e aterosclerose
1Não é fator de risco (afirmativa errada)
2É fator de risco cardiovascular
Mecanismos
Ativação neuroendócrina (cortisol e catecolaminas)
Inflamação sistêmica (IL-6, PCR)
Disfunção endotelial (menos óxido nítrico)
Reconhecido pela Diretriz de Hipertensão 2025
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Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está errada ao afirmar que o estresse crônico "não exerce influência no processo de formação e progressão da placa aterosclerótica". O estresse crônico é um fator de risco cardiovascular estabelecido, com mecanismos fisiopatológicos bem documentados:
Ativação neuroendócrina: elevação de cortisol e catecolaminas, levando a aumento da pressão arterial e resistência à insulina.
Inflamação sistêmica: o estresse crônico promove estado inflamatório de baixo grau, com elevação de citocinas pró-inflamatórias como IL-6 e PCR, que participam ativamente da aterogênese.
Disfunção endotelial: o estresse oxidativo induzido pelo estresse crônico reduz a biodisponibilidade de óxido nítrico, comprometendo a função endotelial e favorecendo a formação da placa.
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 lista o estresse crônico entre os fatores de risco emergentes para hipertensão em mulheres, ao lado de doenças autoimunes e fatores ambientais e psicossociais. Isso demonstra que o estresse crônico é reconhecido como fator com impacto cardiovascular real, e não pode ser excluído do processo aterosclerótico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que o estresse crônico, diferentemente da depressão e da ansiedade, não influencia a aterosclerose. É uma inversão sutil: todos os três — depressão, ansiedade e estresse crônico — são fatores de risco cardiovascular relevantes, com mecanismos fisiopatológicos que convergem para a inflamação e a disfunção endotelial. O estresse crônico não é um fator "menor" ou "sem impacto" — ele é parte integrante do contínuo de risco cardiovascular.