Paciente de 27 anos de idade, vítima de colisão carro contra carro, foi atendida com trauma de alta energia em membro superior esquerdo. Apresenta fratura exposta da porção diafisária do úmero esquerdo com extensas lacerações nos tecidos moles (maior que 10 cm) com cobertura óssea adequada, perfusão preservada em extremidades e lesão completa do nervo radial. Tendo o caso clínico precedente como referência, julgue o próximo item. Segundo a classificação de Tscherne das lesões abertas de partes moles, essa fratura pode ser classificada como grau III (Fr. O 3).
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
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Classificação de Tscherne para fraturas expostas
Gabarito: ERRADO. A fratura descrita — laceração extensa (>10 cm) com cobertura óssea adequada, perfusão preservada e lesão completa do nervo radial — não se enquadra no grau III da classificação de Tscherne para fraturas expostas, pois o grau III exige grave dano de partes moles com lesão vasculonervosa concomitante, o que está presente, mas também frequentemente associa isquemia, cominuição grave ou contaminação orgânica. O caso, com cobertura óssea adequada e perfusão preservada, é melhor classificado como grau II, que admite qualquer tipo de laceração cutânea com contusão de partes moles e moderada contaminação.
A classificação de Tscherne, desenvolvida por Hans Tscherne, é um sistema que avalia a gravidade das lesões de partes moles tanto em fraturas fechadas quanto expostas. Para as fraturas expostas, ela se divide em quatro graus (1 a 4), que progridem em gravidade. O objetivo dessa classificação é orientar o tratamento e estimar o prognóstico, pois a extensão do dano de partes moles é um dos principais determinantes do risco de infecção e de complicações na consolidação óssea.
A classificação de Tscherne para fraturas expostas é a seguinte:
Grau 1: laceração cutânea por fragmento ósseo perfurante; nenhuma ou pouca contusão da pele; fratura usualmente simples.
Grau 2: qualquer tipo de laceração cutânea com contusão simultânea circunscrita ou contusão de partes moles e moderada contaminação; qualquer tipo de fratura.
Grau 3: grave dano a partes moles, frequentemente com lesão vasculonervosa concomitante, fraturas acompanhadas de isquemia e grave cominuição; acidentes em ambientes rurais e contaminados com material orgânico; síndrome compartimental.
Grau 4: amputação traumática total ou subtotal, necessitando reparo arterial para manter vitalidade do membro distalmente.
No caso apresentado, a paciente tem uma fratura exposta da diáfise do úmero com laceração >10 cm, cobertura óssea adequada, perfusão preservada e lesão completa do nervo radial. A presença de lesão nervosa completa é um componente que pode sugerir grau III, pois o grau III menciona "lesão vasculonervosa concomitante". No entanto, a cobertura óssea adequada e a perfusão preservada são características que não se encaixam na descrição típica do grau III, que frequentemente associa isquemia, cominuição grave ou contaminação orgânica. O grau II, por sua vez, admite qualquer tipo de laceração cutânea com contusão de partes moles e moderada contaminação, o que se aproxima mais do caso descrito, apesar da lesão nervosa.
A banca explora a confusão entre a classificação de Tscherne e a classificação de Gustilo-Anderson. Na classificação de Gustilo-Anderson, uma fratura com laceração >10 cm e lesão nervosa seria classificada como grau III (especificamente IIIB ou IIIC, dependendo da cobertura e lesão vascular). No entanto, a questão pede especificamente a classificação de Tscherne, que tem critérios diferentes. Essa distinção é crucial para responder corretamente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a classificação de Tscherne pela de Gustilo-Anderson. Na Gustilo-Anderson, uma fratura com laceração >10 cm e lesão nervosa seria grau III (IIIB ou IIIC). Na Tscherne, o grau III exige grave dano de partes moles com lesão vasculonervosa, mas também frequentemente associa isquemia, cominuição grave ou contaminação orgânica. O caso, com cobertura óssea adequada e perfusão preservada, é melhor classificado como grau II. Fique atento: a questão pede Tscherne, não Gustilo-Anderson.
Critério
Grau II (Tscherne)
Grau III (Tscherne)
Laceração cutânea
Qualquer tipo, com contusão circunscrita de partes moles
Grave dano a partes moles
Lesão vasculonervosa
Não é componente típico
Frequentemente concomitante
Isquemia/cominuição grave
Ausente
Frequentemente presente
Contaminação
Moderada
Pode ser orgânica (rural)
Cobertura óssea/perfusão
Preservadas (como no caso)
Frequentemente comprometidas
Tscherne (fraturas expostas): Grau 1 (Perfuração por fragmento ósseo, Pouca contusão de pele); Grau 2 (Qualquer laceração cutânea, Contusão circunscrita, Moderada contaminação); Grau 3 (Grave dano de partes moles, Lesão vasculonervosa, Isquemia ou cominuição grave, Contaminação orgânica); Grau 4 (Amputação traumática, Reparo arterial necessário)
Item — ❌ Errado
A afirmativa de que a fratura pode ser classificada como grau III (Fr. O 3) pela classificação de Tscherne está errada. O grau III da Tscherne para fraturas expostas é descrito como "grave dano a partes moles, frequentemente com lesão vasculonervosa concomitante, fraturas acompanhadas de isquemia e grave cominuição; acidentes em ambientes rurais e contaminados com material orgânico; síndrome compartimental". No caso, embora haja lesão do nervo radial (componente vasculonervoso), a cobertura óssea adequada e a perfusão preservada não se encaixam na gravidade típica do grau III, que frequentemente associa isquemia ou cominuição grave. O caso se aproxima mais do grau II, que admite "qualquer tipo de laceração cutânea com contusão simultânea circunscrita ou contusão de partes moles e moderada contaminação". Portanto, a classificação como grau III é incorreta.