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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
ce186959
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Ortopedia)
Paciente de 27 anos de idade, vítima de colisão carro contra carro, foi atendida com trauma de alta energia em membro superior esquerdo. Apresenta fratura exposta da porção diafisária do úmero esquerdo com extensas lacerações nos tecidos moles (maior que 10 cm) com cobertura óssea adequada, perfusão preservada em extremidades e lesão completa do nervo radial.Tendo o caso clínico precedente como referência, julgue o próximo item.A classificação de Tscherne tem sido considerada mais acurada e específica do que a classificação de Gustilo como preditora de infecção em fraturas expostas.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação de fraturas expostas: Gustilo-Anderson × Tscherne

Gabarito: letra C (CERTO). A classificação de Tscherne é, de fato, considerada mais acurada e específica que a de Gustilo-Anderson como preditora de infecção em fraturas expostas, pois avalia o dano de partes moles de forma mais detalhada e incorpora o mecanismo de trauma. A classificação de Gustilo-Anderson, embora seja a mais utilizada, tem limitações conhecidas, como a baixa reprodutibilidade interobservador e a correlação menos precisa com o risco de infecção, especialmente nos graus mais altos.

A classificação de Gustilo-Anderson, descrita em 1976 e modificada em 1984, é o sistema mais difundido para fraturas expostas. Ela divide as fraturas em três graus principais, com base no tamanho da ferida, na energia do trauma e no grau de contaminação, sendo o grau III subdividido em IIIA, IIIB e IIIC. O contexto clínico apresentado — fratura exposta da diáfise do úmero com laceração > 10 cm, cobertura óssea adequada e lesão completa do nervo radial — se enquadra como grau IIIA, pois há integridade do revestimento ósseo por tecido muscular ou periosteal, sem lesão vascular que exija reparo (o que seria IIIC).

A classificação de Tscherne, por sua vez, foi desenvolvida em 1982 e é mais abrangente, pois avalia não apenas a ferida externa, mas também o dano interno dos tecidos moles, o mecanismo de trauma e a energia envolvida. Ela é dividida em quatro graus (0 a 3) para fraturas fechadas e quatro graus (1 a 4) para fraturas expostas, considerando a extensão da lesão de partes moles, a contaminação e a viabilidade tecidual. Essa abordagem mais detalhada permite uma melhor correlação com o risco de infecção, pois o dano de partes moles é um dos principais determinantes do prognóstico.

A literatura ortopédica moderna reconhece que a classificação de Tscherne oferece vantagens sobre a de Gustilo-Anderson, principalmente por sua maior acurácia e especificidade na predição de infecção. Estudos demonstram que a classificação de Tscherne tem melhor reprodutibilidade e correlação com desfechos clínicos, como taxa de infecção e necessidade de procedimentos adicionais. Por isso, muitos serviços de trauma a adotam como ferramenta complementar ou mesmo substituta na avaliação inicial.

A principal distinção entre os dois sistemas está no foco: enquanto Gustilo-Anderson se concentra na ferida externa e na contaminação, Tscherne avalia o dano global dos tecidos moles, incluindo o comprometimento muscular e periosteal, que é o fator mais crítico para o risco de infecção. Essa diferença é crucial na prática clínica, pois uma ferida pequena pode esconder um dano interno extenso, e a classificação de Tscherne captura essa complexidade.

A pegadinha desta questão está em assumir que a classificação mais utilizada (Gustilo-Anderson) é também a mais acurada. A banca explora a confusão entre popularidade e precisão: o fato de Gustilo-Anderson ser a mais usada não a torna a melhor preditora de infecção. O candidato que conhece apenas a classificação de Gustilo-Anderson pode marcar errado, mas o conhecimento da literatura especializada confirma a superioridade de Tscherne nesse aspecto específico.

Guarde a fronteira entre os dois sistemas: Gustilo-Anderson é o mais usado e prático para comunicação, mas Tscherne é o mais acurado e específico para predizer infecção. É exatamente nessa distinção que a questão se decide.

Critério

Gustilo-Anderson

Tscherne

Foco principal

Ferida externa (tamanho, contaminação, energia)

Dano global de partes moles (mecanismo, viabilidade tecidual)

Acurácia para predizer infecção

Menor (limitações: baixa reprodutibilidade, correlação menos precisa)

Maior (mais acurada e específica)

Uso na prática

Mais difundido e prático para comunicação

Complementar ou substituto, melhor correlação com desfechos clínicos

Classificação de fraturas expostas
  • 1Gustilo-Anderson
    • Mais utilizada na prática
    • Foco: ferida externa
    • Limitação: baixa reprodutibilidade
  • 2Tscherne
    • Mais acurada p/ infecção
    • Foco: dano global de partes moles
    • Incorpora mecanismo e energia
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Alternativa C — ✅ CERTOGABARITO

A afirmação está correta. A classificação de Tscherne é reconhecida na literatura ortopédica como mais acurada e específica que a de Gustilo-Anderson para predizer infecção em fraturas expostas. Isso se deve à sua avaliação mais detalhada do dano de partes moles, que é o principal fator prognóstico para infecção, e à sua melhor reprodutibilidade entre observadores. A classificação de Tscherne incorpora o mecanismo de trauma e a energia envolvida, oferecendo uma visão mais completa do risco infeccioso.

Alternativa E — ❌ ERRADO

A afirmação está incorreta. A classificação de Tscherne é, sim, considerada mais acurada e específica que a de Gustilo-Anderson como preditora de infecção. O erro desta alternativa está em negar essa superioridade, que é amplamente reconhecida na literatura especializada. O candidato que marca esta opção provavelmente confunde a popularidade da classificação de Gustilo-Anderson (que é a mais utilizada) com sua precisão prognóstica, que é inferior à de Tscherne.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a classificação mais utilizada e a mais acurada. Gustilo-Anderson é a mais difundida na prática clínica, mas isso não a torna a melhor preditora de infecção. A literatura mostra que Tscherne, com sua avaliação mais detalhada do dano de partes moles, é superior nesse aspecto. Lembre-se: popularidade ≠ precisão.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre fraturas expostas, memorize as duas classificações e seus focos: Gustilo-Anderson avalia a ferida externa (tamanho, contaminação, energia), enquanto Tscherne avalia o dano global de partes moles (mecanismo, viabilidade tecidual). Quando a questão perguntar sobre predição de infecção, a resposta quase sempre será Tscherne.

Gabarito: letra C (CERTO).

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