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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
ce186961
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Ortopedia)
Paciente do sexo masculino, 32 anos de idade, vítima de capotamento, apresenta dor na região pélvica e andar inferior do abdome, além de mobilidade anormal a compressão lateral da bacia. Membros com boa perfusão distal e sem deformidades, ausência de sangramento uretral ou de sangue ao toque retal. Radiografia em AP do anel pélvico demonstrou disjunção da sínfise púbica maior que 3 cm. Considerando o caso clínico apresentado, julgue o item seguinte. As duas incidências complementares a radiografia em AP são a inlet view e outlet view, que são de fácil realização, pois não há necessidade de mobilizar o paciente.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fraturas do anel pélvico: incidências radiográficas complementares

Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque, embora as incidências inlet e outlet sejam de fato as duas complementares à radiografia em AP no trauma pélvico, elas não são de fácil realização sem mobilizar o paciente — pelo contrário, exigem manipulação e rotação do paciente, o que pode ser difícil e arriscado no trauma. A banca explora exatamente essa inversão: reconhecer as incidências corretas, mas atribuir a elas uma característica falsa.

O trauma pélvico de alta energia, como o capotamento descrito, é uma das situações mais desafiadoras da ortopedia de emergência. A pelve é um anel ósseo formado pelo sacro e pelos dois ossos do quadril (ílio, ísquio e púbis), e sua estabilidade depende da integridade desse anel. Quando há disjunção da sínfise púbica maior que 3 cm, como no caso, estamos diante de uma lesão instável do anel pélvico — o que exige avaliação radiológica cuidadosa para planejar o tratamento e identificar lesões associadas.

A radiografia em AP (ântero-posterior) é a primeira e mais importante incidência no trauma pélvico, pois permite identificar a maioria das lesões. Porém, ela tem limitações: não avalia adequadamente o deslocamento posterior (a chamada "rotação interna/externa" dos fragmentos) nem a altura da lesão. Por isso, as incidências complementares inlet e outlet são fundamentais. A inlet view (incidência de entrada) é obtida com o tubo de raios X inclinado cerca de 40° em direção caudal, ou seja, o feixe aponta de cranial para caudal, permitindo avaliar o deslocamento ântero-posterior e a rotação dos fragmentos. A outlet view (incidência de saída) é obtida com o tubo inclinado cerca de 40° em direção cranial, avaliando o deslocamento vertical e a integridade do arco posterior.

O ponto crucial é que, para obter essas incidências, é necessário mobilizar o paciente — seja rotacionando-o, seja inclinando o tubo de raios X. Em um paciente politraumatizado, com suspeita de lesão instável da pelve, qualquer mobilização pode agravar o sangramento e o quadro clínico. Por isso, na prática, essas incidências são realizadas com cuidado extremo e, muitas vezes, com o paciente imobilizado em prancha, utilizando-se técnicas que minimizam a movimentação. A afirmativa, ao dizer que são "de fácil realização, pois não há necessidade de mobilizar o paciente", está errada — a mobilização é necessária e pode ser difícil e arriscada.

A banca explora a confusão entre o nome das incidências (que o candidato pode saber) e a técnica de realização (que exige mobilização). É uma pegadinha clássica: o candidato reconhece as incidências corretas, mas não percebe que a justificativa apresentada é falsa. Para acertar, é preciso conhecer não apenas quais são as incidências complementares, mas também como elas são obtidas e quais as implicações práticas no trauma.

  1. 1AP — visão geral
  2. 2Inlet — deslocamento AP e rotação
  3. 3Outlet — deslocamento vertical
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Item — ❌ Errado

A afirmativa está errada por dois motivos: primeiro, as incidências inlet e outlet são de fato as complementares à AP, mas não são de fácil realização — exigem mobilização do paciente, o que é difícil e arriscado no trauma pélvico instável. Segundo, a justificativa apresentada ("não há necessidade de mobilizar o paciente") é falsa, pois a obtenção dessas incidências requer manipulação do paciente ou do equipamento, o que pode ser contraindicado em casos de instabilidade hemodinâmica.

Na prática, o protocolo de trauma pélvico prioriza a estabilização do paciente (como o uso de cinta pélvica) antes de qualquer mobilização para exames complementares. A radiografia em AP é obtida com o paciente em decúbito dorsal, sem mobilização, mas as incidências inlet e outlet exigem rotação do paciente ou inclinação do tubo, o que pode ser feito com o paciente imobilizado, mas ainda assim envolve manipulação. Portanto, a afirmativa está incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que as incidências inlet e outlet são fáceis de realizar porque não exigem mobilização do paciente. Na verdade, elas exigem manipulação — seja do paciente, seja do equipamento — e, no trauma pélvico instável, essa mobilização pode ser arriscada. O candidato que sabe os nomes das incidências pode cair na armadilha de concordar com a afirmativa, sem perceber que a justificativa é falsa. Fique atento: a banca adora inverter a relação entre o conhecimento técnico e a prática clínica.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de trauma pélvico, memorize as incidências e suas finalidades: AP (visão geral), inlet (avalia deslocamento ântero-posterior e rotação) e outlet (avalia deslocamento vertical). Mas lembre-se: todas as incidências complementares exigem mobilização do paciente, o que é um ponto crítico no manejo do trauma. Se a alternativa disser que são fáceis de realizar sem mobilizar, está errada.

Gabarito: ERRADO.

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