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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
ce186964
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Ortopedia)
Paciente de 57 anos de idade foi vítima de tiro de espingarda a curta distância há 3 horas em mão direita. Apresenta enchimento capilar fraco, parestesia, atividade motora diminuída e ausência de pulso no Doppler. Pressão arterial instável no campo, porém responde aos fluidos intravenosos. Considerando esse caso clínico, julgue o item que se segue. O trauma consiste na indicação mais comum para amputação de pacientes na faixa etária de 50 a 75 anos.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Amputação traumática: indicações e epidemiologia

Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque, na faixa etária de 50 a 75 anos, a causa mais comum de amputação não é o trauma, mas sim as complicações de doenças vasculares periféricas, especialmente a doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) associada ao diabetes mellitus. O trauma é a principal indicação de amputação em pacientes mais jovens, tipicamente na faixa dos 20 aos 40 anos, enquanto nas faixas etárias mais avançadas predominam as causas isquêmicas e infecciosas decorrentes de comorbidades crônicas.

O caso clínico apresentado descreve um paciente de 57 anos vítima de ferimento por arma de fogo na mão direita, com sinais clássicos de lesão vascular grave: enchimento capilar fraco, parestesia, atividade motora diminuída e ausência de pulso ao Doppler. Esses achados indicam isquemia crítica do membro, o que pode levar à necessidade de amputação. No entanto, a questão não pergunta sobre a indicação de amputação neste caso específico, mas sim sobre a epidemiologia geral das amputações na faixa etária de 50 a 75 anos. É fundamental distinguir a indicação individual (baseada na viabilidade do membro) da epidemiologia populacional (baseada nas causas mais frequentes).

A literatura médica é consistente ao demonstrar que as amputações maiores de membros inferiores (acima do tornozelo) são predominantemente causadas por doença vascular periférica, sendo o diabetes mellitus o principal fator de risco. Estudos epidemiológicos mostram que cerca de 70% a 80% das amputações não traumáticas ocorrem em pacientes diabéticos, e a maioria desses pacientes tem mais de 60 anos. O trauma, por sua vez, é a causa mais comum de amputação em adultos jovens, especialmente em homens entre 20 e 40 anos, frequentemente relacionado a acidentes de trânsito, acidentes de trabalho e ferimentos por arma de fogo. Na faixa etária de 50 a 75 anos, embora o trauma ainda ocorra, as doenças vasculares e suas complicações (úlceras, infecções, gangrena) superam o trauma como indicação mais comum de amputação.

A avaliação da viabilidade do membro no trauma é feita por meio de escalas como o MESS (Mangled Extremity Severity Score), que considera dano esquelético e de tecidos moles, isquemia, presença de choque e idade do paciente. No caso descrito, a presença de ausência de pulso ao Doppler, parestesia e atividade motora diminuída indica lesão vascular grave que pode comprometer a viabilidade do membro, mas a decisão de amputar depende de múltiplos fatores, incluindo o tempo de isquemia, a extensão da lesão e a resposta ao tratamento. A pressão arterial instável que responde a fluidos sugere choque hipovolêmico inicial, que deve ser tratado antes da abordagem definitiva do membro.

A pegadinha desta questão está em associar o caso clínico (trauma com lesão vascular) à epidemiologia geral das amputações. O candidato pode ser levado a pensar que, como o trauma é a causa no caso apresentado, ele seria a causa mais comum na faixa etária do paciente. No entanto, a epidemiologia mostra o contrário: na faixa de 50 a 75 anos, predominam as causas vasculares. É essencial separar a indicação individual (o que fazer com este paciente) da estatística populacional (qual a causa mais comum nessa faixa etária).

120–40 anos
Trauma (principal)
250–75 anos
Doença vascular periférica (principal)
Diabetes mellitus
Aterosclerose
3Trauma
Acidentes de trânsito
Acidentes de trabalho
Ferimentos por arma de fogo
Amputação: causas mais comuns
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Amputação: causas mais comuns: 20–40 anos (Trauma (principal)); 50–75 anos (Doença vascular periférica (principal), Diabetes mellitus, Aterosclerose); Trauma (Acidentes de trânsito, Acidentes de trabalho, Ferimentos por arma de fogo)

Item — ❌ ERRADO ⟵ GABARITO

A afirmativa está errada porque inverte a epidemiologia das amputações. Na faixa etária de 50 a 75 anos, a indicação mais comum de amputação é a doença vascular periférica (isquemia crítica, gangrena, pé diabético), não o trauma. O trauma é a principal causa de amputação em adultos jovens (20-40 anos), enquanto nas faixas etárias mais avançadas predominam as complicações de doenças crônicas como diabetes e aterosclerose. O caso clínico apresentado é um exemplo de trauma com lesão vascular, mas isso não altera a estatística populacional.

Gabarito: ERRADO

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