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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
ce186969
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Ortopedia)
Paciente, 73 anos de idade, vítima de colisão carro contra carro, com trauma em coluna cervical refere mecanismo de flexo-extensão exagerado. Após a realização dos exames de imagem, foi verificada uma fratura de processo odontoide tipo II de Anderson e D’Alonzo. A respeito desse caso clínico e dos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item subsequente. As fraturas de odontoide do tipo II da classificação de Anderson e D’Alonzo são mais estáveis que as fraturas do tipo III, e o tratamento pode ser feito de forma conservadora ou cirúrgica.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Fraturas do odontoide: classificação de Anderson e D'Alonzo

Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque as fraturas do tipo II de Anderson e D'Alonzo são menos estáveis que as do tipo III, e não mais estáveis como afirma o enunciado. O tipo II ocorre na base do odontoide, uma zona de baixa vascularização e com grande estresse biomecânico, o que confere alto risco de pseudartrose e instabilidade; já o tipo III se estende para o corpo de C2, área com melhor suprimento sanguíneo e maior superfície de contato ósseo, o que favorece a consolidação e confere maior estabilidade.

A classificação de Anderson e D'Alonzo é o sistema mais utilizado para descrever as fraturas do processo odontoide, dividindo-as em três tipos conforme a localização anatômica da linha de fratura. O tipo I é uma avulsão do ápice do odontoide, geralmente associada à lesão do ligamento alar; o tipo II é a fratura da base do odontoide, na junção com o corpo de C2; e o tipo III é a fratura que se estende para o corpo de C2, envolvendo a região mais volumosa e vascularizada da vértebra.

A estabilidade e o prognóstico dessas fraturas estão diretamente relacionados à localização. No tipo II, a fratura ocorre em uma área de transição entre o dente e o corpo vertebral, onde há menor superfície de contato ósseo e menor vascularização, o que aumenta o risco de não consolidação (pseudartrose) e torna a fratura inerentemente instável. Por outro lado, o tipo III, por se estender para o corpo de C2, apresenta maior área de superfície óssea e melhor irrigação sanguínea, o que favorece a consolidação e confere maior estabilidade à fratura.

Na prática clínica, essa distinção é fundamental para a decisão terapêutica. As fraturas do tipo II, por serem instáveis e apresentarem alto risco de pseudartrose, frequentemente requerem tratamento cirúrgico, especialmente em pacientes idosos, como o caso descrito (73 anos), em que a qualidade óssea está comprometida. Já as fraturas do tipo III, por serem mais estáveis, podem ser tratadas de forma conservadora com imobilização externa, como colar cervical ou halo-vest, na maioria dos casos.

A pegadinha da questão está exatamente na inversão do conceito de estabilidade entre os tipos II e III. O candidato que memoriza a classificação sem compreender a biomecânica e a vascularização da região pode facilmente cair na armadilha de acreditar que a fratura da base (tipo II) é mais estável que a fratura do corpo (tipo III), quando na realidade ocorre o oposto. A banca explora essa confusão comum, trocando o adjetivo "mais estáveis" por "menos estáveis" na afirmativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a relação de estabilidade entre os tipos II e III da classificação de Anderson e D'Alonzo. O candidato que decora a classificação sem entender a biomecânica pode acreditar que a fratura da base (tipo II) é mais estável, quando na verdade é a menos estável, justamente por ocorrer em uma zona de baixa vascularização e alto risco de pseudartrose. Lembre-se: quanto mais distal e menos extensa a fratura, maior a instabilidade.

Tipo de Fratura

Localização

Estabilidade

Vascularização

Risco de Pseudartrose

Tratamento Típico

Tipo I

Ápice do odontoide (avulsão)

Tipo II

Base do odontoide (junção com C2)

Menos estável

Baixa

Alto

Cirúrgico (frequente)

Tipo III

Estende-se ao corpo de C2

Mais estável

Boa

Baixo

Conservador (imobilização)

1Tipo I
Avulsão do ápice
Lesão do ligamento alar
2Tipo II
Base do odontoide
Menos estável
Alto risco de pseudartrose
Tratamento cirúrgico
3Tipo III
Estende-se ao corpo de C2
Mais estável
Melhor vascularização
Tratamento conservador
Fraturas do odontoide (Anderson e D'Alonzo)
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Fraturas do odontoide (Anderson e D'Alonzo): Tipo I (Avulsão do ápice, Lesão do ligamento alar); Tipo II (Base do odontoide, Menos estável, Alto risco de pseudartrose, Tratamento cirúrgico); Tipo III (Estende-se ao corpo de C2, Mais estável, Melhor vascularização, Tratamento conservador)

Item — ❌ ERRADO

A afirmativa contém dois erros conceituais. Primeiro, afirma que as fraturas do tipo II são "mais estáveis" que as do tipo III, o que é incorreto: o tipo II é o mais instável, pois ocorre na base do odontoide, região de baixa vascularização e alto risco de pseudartrose. Segundo, embora seja verdade que o tratamento pode ser conservador ou cirúrgico, essa afirmação isolada não salva o item, pois o erro na comparação de estabilidade torna a assertiva globalmente falsa. O tipo III, por se estender para o corpo de C2, tem maior superfície de contato e melhor vascularização, sendo mais estável e com melhor prognóstico de consolidação.

Gabarito: ERRADO

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