Paciente, 73 anos de idade, vítima de colisão carro contra carro, com trauma em coluna cervical refere mecanismo de flexo-extensão exagerado. Após a realização dos exames de imagem, foi verificada uma fratura de processo odontoide tipo II de Anderson e D’Alonzo. A respeito desse caso clínico e dos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item subsequente. Os fatores de risco para pseudoartrose são desvio inicial maior do que 4 a 6 mm, angulação maior do que 10 graus e retardo no diagnóstico.
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Fratura do odontoide tipo II e fatores de risco para pseudoartrose
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: os fatores de risco para pseudoartrose (não consolidação) em fraturas do odontoide tipo II de Anderson e D'Alonzo incluem desvio inicial maior que 4 a 6 mm, angulação maior que 10 graus e retardo no diagnóstico. Essa é uma informação consolidada na literatura ortopédica, e o enunciado a reproduz fielmente.
A fratura do odontoide (processo odontoide do áxis, C2) é uma lesão comum na coluna cervical alta, especialmente em idosos, frequentemente decorrente de mecanismos de flexo-extensão exagerada, como em colisões automobilísticas. A classificação de Anderson e D'Alonzo divide essas fraturas em três tipos, com base na localização anatômica da linha de fratura:
Tipo I: avulsão do ápice do odontoide (inserção do ligamento alar).
Tipo II: fratura da base do odontoide, na junção com o corpo de C2 — é o tipo mais comum e o que apresenta maior risco de pseudoartrose.
Tipo III: fratura que se estende para o corpo de C2 (osso esponjoso, melhor vascularização).
A pseudoartrose é a principal complicação do tratamento conservador das fraturas tipo II, justamente porque a base do odontoide é uma zona de vascularização relativamente precária, com predomínio de osso cortical e menor aporte sanguíneo. Por isso, a identificação de fatores que aumentam o risco de não consolidação é crucial para decidir entre tratamento conservador (colar cervical ou halo-vest) e cirúrgico (artrodese C1-C2 ou fixação do parafuso canulado).
Os fatores de risco clássicos para pseudoartrose em fraturas do odontoide tipo II são:
Desvio inicial > 4 a 6 mm: o deslocamento dos fragmentos compromete o contato ósseo e a estabilidade, dificultando a consolidação.
Angulação > 10 graus: a angulação excessiva também indica instabilidade e mau contato entre os fragmentos.
Retardo no diagnóstico: o atraso no início do tratamento permite que a fratura permaneça instável por mais tempo, favorecendo a formação de tecido fibroso no foco.
Idade avançada: pacientes idosos têm menor potencial de consolidação óssea.
Cominuição associada (tipo IIa): a presença de fragmentos cominutivos aumenta a instabilidade.
Deslocamento posterior: algumas séries apontam pior prognóstico quando o desvio é posterior.
A banca explora exatamente a literalidade desses fatores. O candidato que conhece os valores de desvio e angulação citados na literatura (4-6 mm e 10°, respectivamente) acerta a questão sem hesitação. A pegadinha, se houvesse, seria trocar esses números por outros próximos (por exemplo, "desvio > 2 mm" ou "angulação > 5°"), o que tornaria a afirmativa incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca poderia facilmente trocar os valores de desvio e angulação para testar o candidato. Memorize os números exatos: desvio > 4 a 6 mm e angulação > 10° são os limiares que indicam maior risco de pseudoartrose e, portanto, tendência ao tratamento cirúrgico. Qualquer valor diferente (como 2 mm ou 5°) deve ser tratado com desconfiança.
Na prática clínica, esses fatores são utilizados para individualizar a conduta. Um paciente idoso com fratura tipo II desviada 7 mm e angulada 15° tem indicação cirúrgica preferencial, pois o risco de pseudoartrose com tratamento conservador é alto. Já um paciente jovem com fratura sem desvio e sem angulação pode ser tratado com halo-vest ou colar cervical, com boas taxas de consolidação.
Portanto, a afirmativa está CORRETA, pois descreve com precisão os fatores de risco para pseudoartrose nesse tipo específico de fratura.