Paciente, 73 anos de idade, vítima de colisão carro contra carro, com trauma em coluna cervical refere mecanismo de flexo-extensão exagerado. Após a realização dos exames de imagem, foi verificada uma fratura de processo odontoide tipo II de Anderson e D’Alonzo.A respeito desse caso clínico e dos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item subsequente.As fraturas do processo odontoide são mais frequentes no sexo feminino.
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Fraturas do processo odontoide: epidemiologia
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta: as fraturas do processo odontoide são mais frequentes no sexo masculino, não no feminino. Essa é uma informação epidemiológica clássica da literatura ortopédica, e a banca inverteu o sexo para testar o candidato.
As fraturas do processo odontoide (dente do áxis, C2) são as lesões mais comuns da coluna cervical alta em adultos, correspondendo a cerca de 10-15% de todas as fraturas da coluna cervical. O mecanismo típico é a hiperextensão ou hiperflexão, como no caso do paciente do enunciado (colisão carro contra carro com flexo-extensão exagerada). A classificação de Anderson e D'Alonzo divide essas fraturas em três tipos, sendo o tipo II (fratura na base do odontoide, como a do paciente) o mais frequente e o de pior prognóstico, com maior risco de pseudartrose.
Do ponto de vista epidemiológico, a literatura é consistente: há um claro predomínio no sexo masculino, especialmente em adultos jovens vítimas de trauma de alta energia (acidentes automobilísticos, quedas de altura). Em idosos, as fraturas do odontoide também são comuns, geralmente por quedas da própria altura, e nesse grupo a distribuição entre os sexos tende a se aproximar, mas o predomínio masculino se mantém na maioria das séries. A banca explora exatamente essa inversão: o candidato que não domina a epidemiologia pode ser induzido a marcar "certo" por associar fraturas em idosos a osteoporose feminina — mas essa associação não se aplica ao odontoide.
É importante distinguir: a osteoporose é mais prevalente em mulheres e predispõe a fraturas por fragilidade (punho, vértebra, quadril), mas a fratura do odontoide, mesmo no idoso, tem como principal mecanismo o trauma (queda), e a literatura ortopédica registra predomínio masculino. Essa é a pegadinha central da questão: o candidato confunde o perfil epidemiológico da osteoporose com o da fratura do odontoide.
Guarde o critério: quando a questão perguntar sobre a epidemiologia das fraturas do odontoide, a resposta é sempre predomínio no sexo masculino — independentemente da faixa etária. É exatamente nesse ponto que a afirmativa erra.
Item — ❌ Errado
A afirmativa diz que as fraturas do processo odontoide são mais frequentes no sexo feminino. Isso está errado: a literatura ortopédica é unânime em demonstrar predomínio no sexo masculino. A banca inverteu o sexo para criar um distrator baseado na associação equivocada com a osteoporose, que é mais comum em mulheres — mas essa associação não se aplica a essa fratura específica, cujo principal mecanismo é o trauma de alta energia (mais comum em homens) ou a queda em idosos, onde o predomínio masculino se mantém na maioria das séries.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o sexo de maior prevalência: afirma que a fratura do odontoide é mais comum em mulheres, quando a literatura mostra predomínio masculino. O candidato que associa fratura em idoso a osteoporose feminina cai na armadilha — mas a osteoporose predispõe a fraturas por fragilidade (punho, vértebra, quadril), não à fratura do odontoide, que é tipicamente traumática. Com treino, você enxerga essa inversão de longe 💪.