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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
ce186973
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Ortopedia)
Paciente de 67 anos de idade, do sexo feminino, previamente hígida e sem comorbidades, apresenta história de queda ao solo e dor em quadril esquerdo. Radiografia da bacia evidencia fratura de colo femoral com traço completo e sem desvio. Considerando o caso clínico descrito, julgue o item a seguir. O melhor tratamento para esta paciente é fixação in situ com parafusos canulados.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fratura de colo femoral no idoso: fixação in situ versus artroplastia

Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque, embora a fratura seja não deslocada (Garden 1 ou 2), a paciente tem 67 anos, idade em que a literatura e a prática ortopédica atual indicam artroplastia (hemi ou total) como tratamento de escolha, e não fixação in situ com parafusos canulados. O critério decisivo é a idade fisiológica e a qualidade óssea, não apenas o padrão da fratura.

A fratura de colo femoral é uma lesão comum no idoso, geralmente por queda da própria altura, e seu tratamento depende de múltiplos fatores. O ponto central é que a decisão não se baseia apenas no traço da fratura (deslocada ou não), mas principalmente na idade fisiológica do paciente, na qualidade óssea e nas comorbidades. No caso descrito, a paciente tem 67 anos, é previamente hígida e sem comorbidades, e apresenta fratura sem desvio. Apesar de a fratura não deslocada ser classicamente tratada com fixação in situ, a idade de 67 anos coloca a paciente no grupo em que a artroplastia é preferida, pois a fixação interna em idosos apresenta altas taxas de reoperação e complicações, como necrose avascular e pseudartrose.

A literatura ortopédica é clara ao diferenciar o tratamento entre pacientes jovens e idosos. Em pacientes jovens (geralmente abaixo de 65 anos), a preservação da cabeça femoral com fixação interna é priorizada, pois a qualidade óssea é boa e o potencial de consolidação é maior. Já em pacientes idosos (acima de 65 anos), a artroplastia é indicada, pois a fixação interna apresenta pobres resultados e índices de reoperação que podem chegar a 42% dos casos. A mortalidade é similar entre artroplastia e fixação interna, mas nas reoperações é muito maior. Portanto, a idade de 67 anos, mesmo com a fratura não deslocada, direciona o tratamento para a artroplastia.

A classificação de Garden é fundamental para entender a estabilidade da fratura. Fraturas impactadas em valgo ou não deslocadas (Garden 1 e 2) são consideradas estáveis e, em pacientes jovens, devem ser fixadas in situ. Já as fraturas deslocadas ou instáveis (Garden 3 e 4) costumam ser tratadas com redução e fixação interna em pacientes mais jovens (< 65 anos) ou com artroplastia nos pacientes mais velhos (> 65 anos). No caso, a fratura é não deslocada, mas a idade de 67 anos é o fator determinante para a escolha da artroplastia.

A idade cronológica nem sempre reflete a idade fisiológica, e o parâmetro de 65 anos não pode ser o único guia de decisão. No entanto, no caso descrito, a paciente é previamente hígida e sem comorbidades, o que poderia sugerir uma idade fisiológica menor. Apesar disso, a literatura atual ainda prefere a artroplastia em pacientes acima de 65 anos, mesmo com fratura não deslocada, devido aos melhores resultados funcionais e à menor taxa de reoperação. A fixação in situ com parafusos canulados seria mais apropriada em pacientes mais jovens ou naqueles com fratura impactada em valgo e boa qualidade óssea.

A pegadinha da questão está em focar apenas no padrão da fratura (não deslocada) e ignorar a idade da paciente. O candidato pode ser levado a pensar que, por ser uma fratura estável, a fixação in situ é o melhor tratamento. No entanto, a idade de 67 anos é o fator que muda a conduta para a artroplastia. A banca explora exatamente essa confusão entre o critério do traço da fratura e o critério da idade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que a fratura não deslocada (Garden 1 ou 2) sempre deve ser fixada in situ, ignorando a idade da paciente. Aos 67 anos, mesmo com fratura estável, a artroplastia é o tratamento de escolha na literatura atual. Fique atento: o critério decisivo é a idade fisiológica, não apenas o padrão do traço.

Item — ❌ Errado

A afirmativa está incorreta porque propõe fixação in situ com parafusos canulados como melhor tratamento para uma paciente de 67 anos com fratura de colo femoral não deslocada. Embora a fratura seja estável (Garden 1 ou 2), a idade de 67 anos coloca a paciente no grupo em que a artroplastia (hemi ou total) é preferida. A literatura mostra que a fixação interna em idosos tem altas taxas de reoperação (até 42%) e complicações como necrose avascular e pseudartrose, enquanto a artroplastia oferece melhores resultados funcionais e menor necessidade de reintervenção. Portanto, o melhor tratamento para esta paciente seria a artroplastia, não a fixação in situ.

Gabarito: ERRADO.

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