Paciente de 67 anos de idade, do sexo feminino, previamente hígida e sem comorbidades, apresenta história de queda ao solo e dor em quadril esquerdo. Radiografia da bacia evidencia fratura de colo femoral com traço completo e sem desvio.Considerando o caso clínico descrito, julgue o item a seguir.Caso essa paciente seja deambuladora comunitária, o melhor tratamento será artroplastia total do quadril.
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Fratura de colo femoral no idoso: artroplastia total vs. hemiartroplastia
Gabarito: ERRADO. Para uma paciente idosa, deambuladora comunitária, com fratura de colo femoral sem desvio, a artroplastia total do quadril não é, de imediato, o melhor tratamento — a literatura e a prática ortopédica indicam que, nesse cenário específico, a fixação interna (osteossíntese) ou a hemiartroplastia são opções mais apropriadas, dependendo de fatores como a idade fisiológica e a qualidade óssea. A artroplastia total é reservada para casos selecionados, geralmente em pacientes mais jovens e com maior demanda funcional, nos quais a preservação do acetábulo e a maior durabilidade do implante justificam o procedimento mais invasivo.
A fratura de colo femoral é uma lesão comum em idosos, frequentemente resultante de trauma de baixa energia, como uma queda da própria altura. O tratamento visa restaurar a função e a mobilidade, aliviar a dor e prevenir complicações como a necrose avascular da cabeça femoral e a pseudoartrose. A escolha entre as diferentes modalidades cirúrgicas — fixação interna, hemiartroplastia ou artroplastia total — é complexa e depende de uma série de fatores, incluindo a idade do paciente, o nível de atividade, a qualidade óssea, o desvio da fratura e a expectativa de vida.
No caso de uma fratura sem desvio (Garden I ou II) em um paciente idoso, a fixação interna com parafusos canulados ou um implante de ângulo fixo (como o DHS) pode ser uma opção válida, especialmente se a qualidade óssea for boa e o paciente tiver baixa demanda funcional. No entanto, a literatura mostra que a fixação interna em idosos com fratura deslocada tem altas taxas de reoperação (até 42%), o que levou muitos cirurgiões a preferirem a artroplastia nesse grupo. Para fraturas sem desvio, a fixação interna ainda é uma opção, mas a decisão deve ser individualizada.
A hemiartroplastia (substituição apenas da cabeça femoral) é frequentemente indicada para pacientes idosos com fratura deslocada e baixa demanda funcional, pois é um procedimento menos invasivo que a artroplastia total e apresenta menor risco de luxação. A artroplastia total do quadril (substituição da cabeça femoral e do acetábulo) é geralmente reservada para pacientes mais jovens, ativos e com boa qualidade óssea, nos quais a maior durabilidade do implante e a melhor função justificam o procedimento mais extenso. No caso de uma paciente de 67 anos, deambuladora comunitária, a artroplastia total pode ser considerada, mas não é o "melhor tratamento" de forma absoluta, pois a hemiartroplastia ou a fixação interna podem ser mais apropriadas dependendo da avaliação individual.
A decisão entre artroplastia total e hemiartroplastia deve ser baseada em fatores como atividade do paciente, qualidade da superfície articular acetabular e expectativa de vida. A artroplastia total oferece melhores resultados em termos de dor e função, mas apresenta maior risco de luxação (até 11%) em comparação com a hemiartroplastia (2-3%). Por outro lado, a taxa de reoperação é menor na artroplastia total (4%) do que na hemiartroplastia (18%). Portanto, a escolha deve ser individualizada, e a afirmação de que a artroplastia total é o melhor tratamento para todas as pacientes idosas com fratura de colo femoral sem desvio é uma generalização incorreta.
A pegadinha desta questão está em assumir que a artroplastia total é sempre a melhor opção para fraturas de colo femoral em idosos, ignorando a necessidade de individualizar o tratamento com base em fatores como o desvio da fratura, a idade fisiológica e a qualidade óssea. A banca explora a tendência de associar "fratura de colo femoral em idoso" diretamente a "artroplastia", sem considerar as nuances da decisão clínica.
Fratura de colo femoral no idoso
1Fatores da decisão
Idade fisiológica
Qualidade óssea
Desvio da fratura
Demanda funcional
2Opções de tratamento
Fixação interna (osteossíntese)
Fratura sem desvio (Garden I/II)
Boa qualidade óssea
Hemiartroplastia
Idoso com baixa demanda
Menos invasiva
Menor risco de luxação
Artroplastia total
Paciente jovem e ativo
Maior durabilidade
Maior risco de luxação
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Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO
A afirmação de que a artroplastia total do quadril é o melhor tratamento para uma paciente idosa, deambuladora comunitária, com fratura de colo femoral sem desvio é incorreta. Embora a artroplastia seja uma opção válida em muitos casos, a decisão deve ser individualizada. Para fraturas sem desvio, a fixação interna pode ser uma alternativa menos invasiva, e a hemiartroplastia é frequentemente preferida em pacientes idosos com menor demanda funcional. A artroplastia total é mais indicada para pacientes mais jovens e ativos, onde a maior durabilidade do implante e a melhor função justificam o procedimento mais extenso. Portanto, a generalização de que a artroplastia total é o melhor tratamento para todas as pacientes idosas com fratura de colo femoral sem desvio é errada.