Acerca do pé torto congênito, julgue o item subsequente.O diagnóstico do pé torto congênito no recém-nascido baseia-se nos achados clínicos, não sendo obrigatório o uso de exames radiográficos para o diagnóstico.
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GabaritoC — Certo
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Pé torto congênito: diagnóstico clínico
Gabarito: CERTO. O diagnóstico do pé torto congênito (PTC) no recém-nascido é essencialmente clínico, baseado na inspeção e na manobra de correção passiva, sendo os exames radiográficos dispensáveis para o diagnóstico inicial — eles são úteis para avaliação complementar, planejamento cirúrgico e acompanhamento, mas não são obrigatórios para confirmar a deformidade. Essa é a conduta consagrada na ortopedia pediátrica, e é exatamente o que a afirmativa sustenta.
O pé torto congênito é uma deformidade complexa e rígida do pé, presente ao nascimento, que não se corrige passivamente. Para entender por que o diagnóstico é clínico, é preciso primeiro diferenciá-lo do pé torto posicional, que é uma condição benigna e comum, decorrente da posição intrauterina. No pé torto posicional, o examinador consegue, com manobra delicada, levar o pé à postura fisiológica — ou seja, a deformidade é redutível. Já no pé torto congênito, a deformidade é fixa e não redutível por manobras, o que já é um forte indicativo diagnóstico ao exame físico. Essa distinção é o primeiro passo do raciocínio clínico e não depende de nenhum exame de imagem.
A deformidade do PTC é descrita pela combinação de quatro componentes, que formam o mnemônico CAVE (ou EVA):
Cavo: prega transversal na planta do pé, com arco plantar aumentado;
Aduto: antepé desviado medialmente;
Varo: calcâneo em inversão, com a face plantar voltada medialmente;
Equino: calcanhar elevado e antepé caído (flexão plantar do tornozelo).
Esses componentes são identificados pela inspeção e palpação, e a rigidez da deformidade é confirmada pela tentativa de correção passiva. Em cerca de 50% dos casos, o PTC é bilateral e simétrico, o que reforça ainda mais o diagnóstico clínico quando ambos os pés apresentam o mesmo padrão rígido.
Na prática, o exame físico do recém-nascido com suspeita de PTC segue um roteiro simples: inspecionar os pés, observar a posição de repouso, tentar a correção passiva e avaliar a rigidez. Se a deformidade for redutível, trata-se de pé torto posicional, com bom prognóstico e tratamento fisioterápico. Se for rígida, o diagnóstico de PTC é firmado e o tratamento ortopédico (método de Ponseti, com gesso seriado e tenotomia percutânea do tendão calcâneo, quando indicada) deve ser iniciado precocemente, idealmente na primeira semana de vida.
A radiografia, quando realizada, tem papel secundário: serve para documentar a gravidade, auxiliar no planejamento cirúrgico e acompanhar a evolução, mas não é necessária para fechar o diagnóstico. O mesmo raciocínio vale para outros exames de imagem, como a ultrassonografia e a ressonância magnética, que são reservados para casos específicos ou para avaliação de deformidades atípicas. A banca explora exatamente essa inversão: o candidato pode achar que, por ser uma deformidade óssea, o diagnóstico exige radiografia — mas a regra de ouro é que o diagnóstico do PTC é clínico, e a radiografia é complementar.
Guarde essa hierarquia: diagnóstico clínico (inspeção + manobra) → radiografia como complemento (planejamento/evolução). É nessa fronteira que a afirmativa se sustenta.
Pé torto congênito (PTC): Diagnóstico (Clínico (inspeção + manobra), Radiografia não é obrigatória); Deformidade (CAVE) (Cavo, Aduto, Varo, Equino); Diferencial (PTC: rígido, não redutível, Posicional: redutível, benigno); Radiografia (Planejamento cirúrgico, Acompanhamento)
Item — ✅ CERTO
A afirmativa está correta. O diagnóstico do pé torto congênito no recém-nascido é clínico, baseado na identificação da deformidade rígida (cavo, aduto, varo e equino) e na impossibilidade de correção passiva. Os exames radiográficos não são obrigatórios para o diagnóstico; eles são ferramentas complementares, utilizadas principalmente para planejamento cirúrgico e acompanhamento da evolução. A conduta padrão na ortopedia pediátrica é firmar o diagnóstico ao exame físico e iniciar o tratamento precocemente, sem aguardar confirmação por imagem.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, desconfie de afirmativas que exigem exames de imagem para diagnosticar deformidades congênitas ortopédicas clássicas. O padrão é: diagnóstico clínico primeiro, imagem como complemento. Memorize o mnemônico CAVE (cavo, aduto, varo, equino) para os componentes do PTC e lembre-se de que a rigidez (não redutível) é o que o diferencia do pé torto posicional.