Grau de Endividamento: análise dos indicadores de endividamento
Gabarito: letra D. A alternativa D afirma que a empresa capta mais de R$ 3,00 de capital de terceiros para cada R$ 1,00 de capital próprio, o que corresponde a um grau de endividamento (Passivo / PL) superior a 3,0. Esse indicador, quando acima de 1, já indica maior dependência de recursos de terceiros; acima de 3,0 reforça a situação de alto endividamento. As demais alternativas contêm inconsistências conceituais ou interpretações equivocadas dos índices mencionados.
A questão exige conhecimento dos principais índices de estrutura de capital e sua interpretação. Com base nas fórmulas-padrão pacificadas (conforme o enunciado), temos:
Grau de Endividamento = Passivo / Patrimônio Líquido (PL)
Índice de Imobilização dos Recursos não Correntes (IRNC) = (Investimentos + Intangível + Imobilizado) / (PL + Passivo não Circulante)
Índice de Composição do Endividamento (CE) = Passivo Circulante / Passivo Total
Índice de Imobilização do Capital Próprio (ICP) = (Investimentos + Intangível + Imobilizado) / PL
A análise a seguir considera que os valores do balancete e da DRE indicam um Grau de Endividamento > 3, sustentando a alternativa D.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os credores tinham mais garantia em X1 do que em X3. A garantia aos credores é inversamente proporcional ao Grau de Endividamento (quanto menor a relação Passivo/PL, maior a garantia). Para que X1 oferecesse mais garantia, o índice em X1 deveria ser menor que em X3. Entretanto, com base nos dados do balancete (não reproduzidos aqui), a tendência foi de aumento do endividamento, ou seja, X3 apresenta menor garantia. A alternativa inverte a lógica ou depende de tendência contrária aos fatos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O IRNC mede a parcela dos recursos permanentes (PL + PÑC) aplicada em ativos fixos. Um IRNC crescente indica que a empresa está utilizando cada vez mais capital de longo prazo para financiar ativos imobilizados – e não “imobilizando recursos de curto prazo”. Na verdade, se IRNC ultrapassa 1, significa que parte dos ativos fixos é financiada por passivos de curto prazo, mas a expressão “imobilizando recursos de curto prazo” é imprecisa e a tendência crescente não demonstra isso de forma direta. O erro está na má interpretação do que o índice representa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O CE elevado indica que a maior parte do endividamento total é de curto prazo (circulante). Isso revela que a empresa depende de recursos de terceiros de curta maturidade, geralmente usados para financiar o capital de giro, e não especificamente para “cobrir despesas de curto prazo”. As despesas são reconhecidas no resultado e não são financiadas diretamente por passivos; o correto seria dizer que a empresa financia seu ativo circulante com passivos circulantes. A afirmação é conceitualmente falha.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme mencionado, o Grau de Endividamento (Passivo / PL) superior a 3 significa que, para cada R$ 1,00 de capital próprio, a empresa deve mais de R$ 3,00 a terceiros. Essa é uma situação de elevada dependência de capital de terceiros. O enunciado indica que os cálculos devem ser feitos com duas casas decimais e que foram extraídos do balancete; assumindo que os valores apurados resultaram em um índice acima de 3, a alternativa está correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O ICP mede quanto do capital próprio está aplicado em ativos fixos. Um ICP acima de 2 significa que os ativos fixos superam o dobro do PL, ou seja, o PL cobre menos da metade desses investimentos. A alternativa afirma que “o patrimônio líquido está cobrindo a maior parte dos investimentos”, o que contradiz o valor > 2. Se ICP > 2, a cobertura do PL é inferior a 50%. Portanto, a afirmação é internamente inconsistente e incorreta.
Gabarito: letra D.