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Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsPontuação
Código
ce189385
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Administrativa
Texto CB1A1-I


  O aforismo “o cliente sempre tem razão” é bastante conhecido e muito citado como argumento econômico. Justifica-se para manter a fidelidade dos consumidores a marcas e a lojas a fim de evitar que a insatisfação individual se torne uma indesejada propaganda negativa.

   Será que, sob a ótica jurídica, a afirmativa corresponde à realidade? Não! O cliente (consumidor) só tem razão quando o direito, a lei, lhe dá amparo.

   Invariavelmente, baseando-se em critério pessoal do que seria justo como solução para problema de consumo, o consumidor realmente acredita que possui o direito que alega e, dentro da sua lógica, passa a exigir determinado comportamento do fornecedor.

    A expressão direito do consumidor tem sentido de conjunto de normas que regulam as relações entre consumidores e fornecedores; não significa necessariamente que o consumidor tem sempre direito de exigir a satisfação dos seus interesses.
 
  Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa que acredita poder, em qualquer circunstância, trocar um produto que acabou de adquirir simplesmente porque, chegando em casa, percebeu que não era exatamente aquilo que queria, preferia de outra cor ou até haver gastado o dinheiro com algo mais interessante. Para a lei, a troca ou devolução do dinheiro pago só é possível em situações bem concretas: promessa do vendedor de trocar ou devolver o dinheiro (art. 30 do Código de Defesa do Consumidor); vício do produto (art. 18); compra fora do estabelecimento físico (art. 49).

   Daí a importância de que toda pessoa tenha uma noção básica de quais são os seus direitos e de como exigir a sua observância. Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?


Leonardo Bessa. O cliente – nem sempre – tem razão! In: Metrópoles. 20/06/2024. Internet: (com adaptações).
Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.No início do quinto parágrafo, a vírgula empregada após o verbo “ilustrar” é facultativa e sua supressão preservaria a correção gramatical do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do item: vírgula após "ilustrar" é facultativa?

✅ GABARITO: E (Errado).

O item afirma que a vírgula empregada após o verbo "ilustrar" no início do quinto parágrafo é facultativa e que sua supressão preservaria a correção gramatical. No entanto, essa vírgula é obrigatória segundo as regras de pontuação da língua portuguesa, pois separa uma oração subordinada adverbial final anteposta à oração principal.

Trecho do texto: "Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa..."

A expressão "Para ilustrar" constitui uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo (equivale a "Para que se ilustre") e está deslocada para o início do período. De acordo com a gramática normativa, sempre que uma oração subordinada adverbial (final, temporal, causal, concessiva etc.) antecede a oração principal, o uso da vírgula é obrigatório, independentemente da extensão da oração. Exemplos clássicos: "Quando chegar, avise-me." / "Para estudar, preciso de silêncio."

Dessa forma, a vírgula após "ilustrar" não é facultativa, e sua supressão prejudicaria a correção gramatical do período (embora o sentido permaneça compreensível, a estrutura foge à norma culta). Portanto, a afirmação do item é falsa.

PEGA ESSA DICA!

Atenção à diferença entre adjuntos adverbiais curtos (como "Em casa", "Aqui") e orações subordinadas adverbiais. Para adjuntos adverbiais de até três palavras, a vírgula é facultativa; para orações, é obrigatória quando antepostas. "Para ilustrar" é uma oração (tem verbo no infinitivo e valor circunstancial), não um simples adjunto.

Conclusão: O item está ERRADO porque a vírgula não é facultativa, e sim de uso obrigatório.

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