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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce189558
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Judiciária
Texto CB1A2-II


   O sofista e o ignorante ocupam mais o pensamento de Platão que o mentiroso, e quando ele distingue entre o erro e a mentira — quer dizer, entre “involuntário e voluntário” — é, de modo significativo, mais duro em relação àqueles que “chafurdam na ignorância de porcos” que em relação aos mentirosos. Terá isso acontecido porque era ainda desconhecida a mentira organizada, que domina a coisa pública, à diferença do mentiroso privado que tenta a sua sorte por sua própria conta?

    A mentira tradicional implicava apenas particulares e nunca visava enganar literalmente toda a gente; dirigia-se ao inimigo e só a ele queria enganar. Como os fatos se produzem sempre num contexto, uma mentira particular — quer dizer, uma falsificação que não se esforça por alterar todo o contexto — faz, por assim dizer, um buraco no tecido dos fatos. Como todo o historiador sabe, pode-se detectar uma mentira observando-se incongruências, buracos, ou junturas dos espaços consertados. Enquanto a textura no seu todo for conservada intacta, a mentira mostrar-se-á imediatamente de modo espontâneo.

    Se as mentiras políticas modernas são tão grandes que requerem um completo rearranjo de toda a textura factual — o fabrico de uma outra realidade, por assim dizer, na qual se encaixam sem costuras, fendas nem fissuras, exatamente como os fatos encaixavam no seu contexto original —, o que é que impede estas histórias, imagens e não fatos novos de se tornarem um substituto adequado da realidade e da factualidade?


Hannah Arendt. Verdade e política. Internet: (com adaptações). 
No que se refere aos sentidos e às ideias do texto CB1A2-II, julgue o item a seguir.Do desenvolvimento do texto depreende-se que a frase interrogativa que constitui o último parágrafo visa estimular a reflexão do leitor, e não fazer, de fato, uma pergunta sobre algo que a autora desconhece.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função da pergunta retórica no último parágrafo

✅ CERTO. A frase interrogativa do último parágrafo é retórica: a autora não pergunta por desconhecimento, mas conduz o raciocínio do leitor. Como se vê no trecho:

"o que é que impede estas histórias, imagens e não fatos novos de se tornarem um substituto adequado da realidade e da factualidade?"

A pergunta surge após uma reflexão sobre o "completo rearranjo de toda a textura factual" — o fabrico de uma outra realidade. A resposta já está implícita na própria argumentação: é justamente a capacidade de criar essa "outra realidade", sem costuras, que ameaça substituir a factualidade. Logo, a pergunta visa estimular a reflexão, não sanar dúvida.

PEGA ESSA DICA!

Perguntas retóricas são comuns em textos argumentativos; servem para envolver o leitor e enfatizar um ponto. O contexto anterior — a discussão sobre mentiras políticas e a textura factual — deixa claro que a autora já desenvolveu a linha de raciocínio.

Gabarito: C (Certo).

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