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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce189566
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Judiciária
Texto CB1A2-I


   Com o intuito de mostrar os procedimentos ardilosos de pessoas sem escrúpulos que movidas pelo ódio e por ambições políticas inventam mentiras e as transformam em supostas verdades, Umberto Eco escreveu O Cemitério de Praga, publicado em 2010.

   Tendo como base fatos e personagens verídicos que participaram da elaboração e da disseminação de Os Protocolos dos Sábios de Sião, o autor reconstrói o século 19 através de uma narração polêmica. Eco narra o nascimento e a evolução desse abjeto complô, criado com a finalidade de atribuir aos judeus uma fictícia conspiração para dominar o mundo.

   Os falsos documentos forjados pela polícia secreta do Czar Nicolau II, em 1897, foram utilizados por Hitler em sua política de extermínio, tendo sido incluídos em Mein Kampf, apesar de o jornal britânico The Times, em 1921, já ter desmascarado a farsa.

   Mesmo após a comprovação da farsa, o magnata Henry Ford levou os Protocolos, na tradução inglesa, para os EUA, e publicou-os em forma de livro, e o rei Faisal, da Arábia Saudita, costumava oferecê-los, em sua versão árabe, às autoridades que visitavam o país.

    Em uma de suas entrevistas aos jornais italianos, Umberto Eco ressaltou o perigo que se esconde nas chamadas “conspirações falsas”, pelo seu alto grau de manipulação e dada a dificuldade em desmenti-las. “A característica de uma conspiração verdadeira é que ela é invariavelmente descoberta”, analisa. “Hitler e o nazismo propagaram a falsa conspiração dos judeus como verdadeira e tiraram proveito dos Protocolos.”

    Mas por que as pessoas ainda consomem essa farsa? Será por ignorância? Por curiosidade? Os Protocolos, afinal, seguem sendo oferecidos e vendidos em uma dezena de idiomas, em formato de livro, com circulação livre na Internet.

     Juíza em Israel por mais de 30 anos, Hadassa Ben-Itto investigou o embuste durante seis anos e em 1998 publicou um livro sobre o assunto. “Escrevi esse livro como um desafio a todos aqueles que inadvertidamente permitem que essa e outras mentiras similares sejam espalhadas e provoquem danos contínuos”, explica.

   Em sua opinião, o conceito de “liberdade de expressão” não deveria acobertar mentiras. “Uma mentira deliberada não é uma ideia”, reforça. “Ela pode facilmente se transformar em uma arma perigosa e como tal deve ser banida, assim como outras armas que têm o potencial de causar assassínios em massa e destruição.”


Sheila Sacks. Internet: (com adaptações). 
No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB1A2-I, julgue o próximo item.Seriam preservadas a coerência e a correção gramatical do texto caso o período “‘Uma mentira deliberada não é uma ideia’, reforça” (segundo período do último parágrafo) fosse reescrito da seguinte forma: Hadassa Ben-Itto reforça que uma mentira deliberada não é uma ideia.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

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Reescrita de discurso direto para indireto

Gabarito: ✅ Certo. A reescrita preserva tanto a coerência textual quanto a correção gramatical, pois mantém o sentido original da fala de Hadassa Ben-Itto e emprega estrutura sintática adequada para o discurso indireto.

A passagem original do texto é:

"'Uma mentira deliberada não é uma ideia', reforça."

Nela, o verbo "reforça" já tem como sujeito implícito Hadassa Ben-Itto (a personagem que vinha sendo mencionada no parágrafo). A reescrita explicita o sujeito: "Hadassa Ben-Itto reforça que uma mentira deliberada não é uma ideia." A substituição do discurso direto pelo indireto (com a conjunção "que") é gramaticalmente correta e não altera o sentido. A coerência também se mantém, pois o contexto continua sendo a opinião de Hadassa, e o enunciado reescrito se encaixa perfeitamente na sequência argumentativa do texto.

Portanto, a afirmação do item está correta.

Item — ✅ Correta ⟵ GABARITO

✅ CERTO. A reescrita é válida e preserva a coerência e a correção gramatical.

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