Julgue o item a seguir, considerando as técnicas empregadas em resumos de dados levantados de uma população.A partir de uma tabela de frequências acumuladas, independentemente de tratar-se de variável qualitativa ordinal ou quantitativa, é possível recuperar as frequências individuais de cada valor ou classe.
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Tabela de frequências acumuladas e recuperação das frequências individuais
✅ CERTO. A partir de uma tabela de frequências acumuladas é possível recuperar as frequências individuais de cada valor ou classe, tanto para variáveis qualitativas ordinais quanto para variáveis quantitativas, pois a frequência acumulada é construída pela soma sucessiva das frequências simples — e essa operação é reversível por subtração.
A tabela de distribuição de frequências é uma das principais ferramentas da estatística descritiva para resumir dados. Ela pode ser apresentada de duas formas complementares: a frequência simples (ou absoluta), que indica quantas vezes cada valor ou classe ocorreu, e a frequência acumulada, que soma as frequências simples de todos os valores ou classes até determinado ponto. A relação entre elas é direta: a frequência acumulada de uma categoria é o total acumulado das frequências simples até ela.
A chave da questão está na reversibilidade dessa operação. Se a frequência acumulada é a soma das frequências simples anteriores, então a frequência simples de uma categoria é obtida subtraindo-se a frequência acumulada da categoria anterior da frequência acumulada da própria categoria. Matematicamente, para a i-ésima categoria: , em que é a frequência acumulada até a categoria i e é a acumulada até a categoria anterior. Para a primeira categoria, a frequência simples é igual à própria frequência acumulada.
Essa propriedade vale independentemente do tipo de variável, desde que a tabela de frequências acumuladas tenha sido construída a partir de uma variável que admita ordenação — o que é exatamente o caso das variáveis qualitativas ordinais (que possuem uma ordem natural, como escolaridade ou classe social) e das variáveis quantitativas (discretas ou contínuas, que são naturalmente ordenáveis). A única exigência é que a tabela acumulada registre as frequências acumuladas de cada valor ou classe, o que permite a recuperação por subtração.
A pegadinha que a banca poderia explorar seria pensar que a recuperação só é possível para variáveis quantitativas, ou que a tabela acumulada perde informação. Na verdade, a tabela de frequências acumuladas preserva toda a informação das frequências simples, pois é uma transformação bijetora — cada tabela de frequências simples gera uma única tabela acumulada, e vice-versa. O que não seria possível seria recuperar os dados brutos individuais (os valores exatos de cada observação), mas isso não é o que a questão pede: ela pede as frequências individuais de cada valor ou classe, que são plenamente recuperáveis.
Na prova, lembre-se da operação inversa: para obter a frequência simples de uma classe, subtraia a frequência acumulada da classe anterior da frequência acumulada da classe atual. Para a primeira classe, a frequência simples é a própria acumulada. Esse raciocínio vale para qualquer variável ordenável — qualitativa ordinal ou quantitativa.