Questão de Medicina — Mastologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce190096
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TSE
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário – Área: Apoio Especializado – Especialidade: Medicina (Clínica Médica)
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque os ensaios clínicos randomizados que demonstraram redução de mortalidade com o rastreamento mamográfico avaliaram mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos (ou, em algumas diretrizes, até 74 anos), e não "até os 79 anos". O posicionamento do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para detecção precoce do câncer de mama no Brasil, publicado em 2023, mantém a recomendação de rastreamento mamográfico bienal para mulheres de 50 a 69 anos, sendo contrário ao rastreamento em mulheres com menos de 50 anos e com 75 anos ou mais.
O rastreamento do câncer de mama é uma estratégia de saúde pública que visa detectar a doença em estágios iniciais, antes do surgimento de sintomas, para reduzir a mortalidade. A recomendação de rastreamento não é uniforme para todas as idades; ela se baseia no equilíbrio entre os benefícios (redução de mortalidade) e os danos (falsos-positivos, biópsias desnecessárias, sobrediagnóstico e sobretratamento). Os ensaios clínicos randomizados que embasaram as diretrizes de rastreamento avaliaram principalmente mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, que é onde a evidência de redução de mortalidade é mais robusta. Para mulheres mais jovens (40-49 anos) e mais velhas (70 anos ou mais), a evidência é menos clara, e os potenciais danos podem superar os benefícios.
O INCA, em sua diretriz de 2015 e no posicionamento de 2023, adota a recomendação do Ministério da Saúde: rastreamento mamográfico bienal para mulheres de 50 a 69 anos. A diretriz é clara ao afirmar que o Ministério da Saúde é contrário ao rastreamento com mamografia em mulheres com idade inferior a 50 anos e igual ou superior a 75 anos. A faixa etária de 70 a 74 anos não é formalmente recomendada pelo INCA, embora algumas diretrizes internacionais, como a do American College of Physicians, estendam a recomendação até 74 anos. No entanto, a afirmativa da questão menciona "até os 79 anos", o que não corresponde a nenhuma recomendação baseada em ensaios clínicos randomizados que demonstraram redução de mortalidade.
A banca explora a confusão entre a faixa etária recomendada (50-69 anos) e outras faixas que aparecem em diretrizes internacionais ou em discussões sobre rastreamento. O candidato pode se lembrar de que "alguns estudos" avaliaram mulheres até 74 anos, mas a extrapolação para 79 anos é incorreta. Além disso, a questão pede especificamente o posicionamento do INCA, que é mais restritivo do que algumas diretrizes internacionais.
A banca tenta fazer o candidato confundir a faixa etária recomendada pelo INCA (50 a 69 anos) com faixas etárias mais amplas discutidas em outros contextos. A pegadinha está em "até os 79 anos": não há ensaio clínico randomizado que embase o rastreamento até essa idade, e o INCA é contrário ao rastreamento em mulheres com 75 anos ou mais. Lembre-se: a recomendação brasileira é bem delimitada — 50 a 69 anos, a cada dois anos.
A afirmativa está errada porque os ensaios clínicos randomizados que demonstraram redução de mortalidade com o rastreamento mamográfico avaliaram mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, e não "até os 79 anos". O posicionamento do INCA, alinhado ao Ministério da Saúde, recomenda o rastreamento mamográfico bienal apenas para mulheres de 50 a 69 anos, sendo contrário ao rastreamento em mulheres com menos de 50 anos e com 75 anos ou mais. A faixa etária de 70 a 74 anos não é formalmente recomendada pelo INCA, e a de 79 anos não encontra respaldo em evidências de ensaios clínicos randomizados.
Gabarito: ERRADO.
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