Questão de Medicina — Medicina Intensiva — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce190110
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TSE
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário – Área: Apoio Especializado – Especialidade: Medicina (Clínica Médica)
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque antitussígenos são indicados para tosse SECA (não produtiva), e não para tosse produtiva — nesse caso, a prioridade é facilitar a eliminação do muco, e não suprimi-la. O uso de antitussígenos na tosse produtiva pode reter secreções, piorar o quadro e contrariar o princípio do controle de sintomas em cuidados paliativos, que busca o conforto sem causar dano.
A tosse é um mecanismo de defesa das vias aéreas que visa expelir secreções e partículas. Em cuidados paliativos, o controle da tosse deve ser individualizado, considerando o tipo de tosse (seca ou produtiva), a causa subjacente e o objetivo do cuidado — sempre priorizando o conforto e a qualidade de vida do paciente. A distinção fundamental é: tosse seca (irritativa, sem secreção) pode ser tratada com antitussígenos centrais, que suprimem o reflexo da tosse; tosse produtiva (com expectoração) deve ser manejada com medidas que facilitem a eliminação do muco, como hidratação, umidificação do ar, fisioterapia respiratória e, em alguns casos, mucolíticos ou expectorantes. Suprimir a tosse produtiva com antitussígenos é contraproducente, pois retém secreções, aumenta o risco de complicações respiratórias (como pneumonia) e não alivia a dor muscular ou a exaustão — pelo contrário, pode agravá-las.
Na prática, um paciente paliativo com tosse produtiva por broncorreia ou secreção abundante deve ser avaliado quanto à causa (infecção, broncoaspiração, tumor, etc.) e tratado de forma direcionada. Por exemplo, se houver infecção, antibióticos; se houver broncoespasmo, broncodilatadores; se houver secreção espessa, mucolíticos. A fisioterapia respiratória e a aspiração de vias aéreas podem ser úteis. O antitussígeno (como codeína ou dextrometorfano) só está indicado na tosse seca persistente que causa dor, exaustão ou interfere no sono e no repouso — e mesmo assim, com cautela, pois pode causar sedação e constipação.
A banca explora aqui uma confusão clássica: o candidato pode pensar que, como a tosse causa dor muscular e exaustão, o antitussígeno seria benéfico. Mas o raciocínio correto é que, na tosse produtiva, o muco precisa ser eliminado — e o antitussígeno impede essa eliminação, piorando o quadro. O princípio do controle de sintomas em cuidados paliativos é "tratar a causa quando possível e aliviar o sintoma quando necessário", mas nunca de forma que cause mais dano. A afirmativa inverte essa lógica ao indicar antitussígeno para reduzir a produção de muco — o que é fisiologicamente incorreto, pois antitussígenos não reduzem a produção de muco; eles suprimem o reflexo da tosse.
Guarde a fronteira: tosse seca → antitussígeno; tosse produtiva → facilitar expectoração. É exatamente nessa distinção que a questão se resolve.
A afirmativa está incorreta por dois motivos: (1) antitussígenos não reduzem a produção de muco — eles suprimem o reflexo da tosse; (2) na tosse produtiva, o objetivo é ELIMINAR o muco, não retê-lo. O uso de antitussígenos nesse contexto pode causar retenção de secreções, piorando a dor muscular e a exaustão, além de aumentar o risco de complicações respiratórias. O manejo correto da tosse produtiva em cuidados paliativos inclui hidratação, umidificação, fisioterapia respiratória e tratamento da causa subjacente, não a supressão do reflexo.
A banca tenta fazer o candidato acreditar que, como a tosse causa dor e exaustão, o antitussígeno seria a solução. Mas a pegadinha está na palavra "produtiva": antitussígeno é para tosse SECA. Na tosse produtiva, o muco precisa sair — suprimir a tosse retém secreção e piora o quadro. Fique atento a essa inversão: o sintoma (tosse) é o mecanismo de defesa, e não o problema em si.
Gabarito: ERRADO.
Link permanente: /questoes/ce190110