Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
ce190133
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário – Área: Apoio Especializado – Especialidade: Medicina (Clínica Médica)
Em relação à infectologia, julgue o item a seguir.Tanto no hospedeiro normal quanto no imunocomprometido, a complicação mais debilitante do herpes-zóster é a dor associada à neurite aguda e à neuralgia pós-herpética.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Herpes-zóster: neuralgia pós-herpética como complicação

Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: a neuralgia pós-herpética é a complicação mais debilitante e mais comum do herpes-zóster, tanto em hospedeiros imunocompetentes quanto imunocomprometidos, sendo definida como dor persistente por mais de 90 dias após o rash cutâneo. Essa dor é precedida pela neurite aguda, que ocorre durante a fase de replicação viral nos gânglios sensitivos, e ambas compõem o espectro doloroso que mais impacta a qualidade de vida dos pacientes.

O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster (HHV-3), que permanece latente nos gânglios sensitivos dorsais e nos gânglios dos nervos cranianos após a primoinfecção (varicela). Quando há queda da imunidade celular — por idade avançada, imunossupressão, neoplasias, transplantes, uso de corticoides ou quimioterapia — o vírus se reativa, replica-se na raiz dorsal do gânglio sensitivo e gera inflamação neural e necrose. É exatamente essa replicação viral no tecido nervoso que produz a dor neurítica aguda, que pode preceder, acompanhar ou suceder as lesões cutâneas.

A complicação mais temida e mais frequente é a neuralgia pós-herpética (NPH), caracterizada por dor neuropática crônica que persiste por mais de 3 meses após o episódio agudo. Essa dor é tipicamente em queimação ou pontada, acompanhada de alodínia — o paciente sente desconforto até com o leve toque da roupa na região acometida. A NPH é mais comum em idosos e em imunocomprometidos, e é considerada importante causa de morbidade, especialmente em geriatria, podendo persistir por meses ou anos e impactar severamente a qualidade de vida.

A afirmativa menciona "dor associada à neurite aguda e à neuralgia pós-herpética". A neurite aguda é a dor que ocorre durante a fase ativa da doença, causada pela inflamação do nervo pela replicação viral; a neuralgia pós-herpética é a dor que persiste após a resolução das lesões cutâneas. Ambas são manifestações dolorosas do herpes-zóster, e a NPH é reconhecidamente a principal sequela e complicação da doença, tanto em imunocompetentes quanto em imunocomprometidos. A banca não está afirmando que a neurite aguda é a complicação mais debilitante, mas sim que a dor associada a ambas — neurite aguda e NPH — é a complicação mais debilitante, o que está correto.

A distinção importante é entre a dor aguda (neurite) e a dor crônica (NPH). A neurite aguda é esperada e autolimitada, resolvendo-se em geral dentro de 3 meses; a NPH é a persistência da dor além desse período, configurando-se como sequela. O fator de risco mais forte para NPH é a idade avançada, seguido de imunossupressão, dor prodrômica intensa, rash severo e acometimento oftalmológico. O tratamento precoce com antivirais (aciclovir, valaciclovir, fanciclovir) nas primeiras 72 horas visa justamente reduzir o risco de evolução para NPH.

A pegadinha que a banca poderia explorar seria afirmar que a complicação mais debilitante é diferente em imunocomprometidos (como a disseminação ou complicações viscerais), mas a NPH permanece como a complicação mais comum e debilitante em ambos os grupos. A disseminação cutânea ou sistêmica é mais frequente em imunossuprimidos, mas a NPH é a sequela que mais compromete a qualidade de vida de forma prolongada.

  1. 1Reativação do VZV (HHV-3)
  2. 2Neurite aguda (dor na fase ativa)
  3. 3Rash cutâneo
  4. 4Neuralgia pós-herpética (dor > 90 dias)
LEVEL · soulevel.com.br
NÃO CAIA NESSA!

A banca poderia tentar confundir ao afirmar que, no imunocomprometido, a complicação mais debilitante seria a disseminação do vírus ou complicações viscerais. No entanto, mesmo nesses pacientes, a neuralgia pós-herpética permanece como a complicação mais comum e debilitante, sendo a principal causa de morbidade prolongada. A dor crônica neuropática é o que mais impacta a qualidade de vida, independentemente do status imunológico.

CERTO. A afirmativa está correta: a complicação mais debilitante do herpes-zóster, tanto no hospedeiro normal quanto no imunocomprometido, é a dor associada à neurite aguda e à neuralgia pós-herpética, sendo esta última a principal sequela da doença.

Gabarito: CERTO.

Link permanente: /questoes/ce190133