Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaNeurologia
Código
ce190140
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário – Área: Apoio Especializado – Especialidade: Medicina (Clínica Médica)
Julgue o item seguinte, relativo às doenças reumáticas.O fenômeno de Raynaud secundário associado à esclerose sistêmica costuma progredir para alterações estruturais irreversíveis nos vasos sanguíneos de pequeno calibre, culminando em úlceras isquêmicas nas pontas dos dedos, necrose e amputação.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fenômeno de Raynaud secundário na esclerose sistêmica

Gabarito: CERTO. O fenômeno de Raynaud secundário associado à esclerose sistêmica (ES) realmente costuma evoluir para alterações estruturais irreversíveis nos pequenos vasos, culminando em úlceras isquêmicas nas pontas dos dedos, necrose e até amputação. Essa progressão é uma característica central da vasculopatia periférica da ES, conforme descrito na literatura médica especializada.

O fenômeno de Raynaud é uma resposta vasospástica exagerada ao frio ou ao estresse emocional, caracterizada por palidez (vasoconstrição), cianose (estase capilar) e hiperemia reativa (vasodilatação compensatória). Na forma primária (doença de Raynaud), o quadro é benigno, simétrico e não evolui com necrose tecidual, ulceração ou gangrena. Já na forma secundária, o fenômeno de Raynaud é uma manifestação de uma doença de base — como a esclerose sistêmica — e está associado a uma vasculopatia estrutural progressiva.

Na esclerose sistêmica, o fenômeno de Raynaud é quase universal e frequentemente é a manifestação inicial da doença. A diferença crucial é que, na ES, o vasoespasmo recorrente se soma a alterações estruturais da parede vascular: proliferação da íntima, fibrose da adventícia e lesão endotelial. Essas alterações levam a estreitamento luminal progressivo e oclusão dos pequenos vasos, resultando em isquemia crônica. As consequências clínicas são cicatrizes depressíveis nas pontas dos dedos, úlceras digitais isquêmicas e, em casos graves, gangrena que pode evoluir para autoamputação.

A distinção entre o fenômeno de Raynaud primário e o secundário é fundamental para o prognóstico. Enquanto o primário é uma condição funcional e reversível, o secundário, especialmente na ES, é uma doença vascular estrutural e progressiva. A capilaroscopia periungueal ajuda a diferenciar: na ES, observam-se megacapilares, hemorragias, neovascularização e áreas avasculares, achados ausentes na forma primária. Além disso, a presença de perda de tecido nas pontas dos dedos e a positividade para anticorpo antinuclear (ANA) são características que apontam para a forma secundária.

A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato pode confundir o fenômeno de Raynaud primário (benigno, sem lesão estrutural) com o secundário (associado à ES, com vasculopatia progressiva). A afirmativa descreve com precisão a história natural do Raynaud secundário na ES, incluindo a progressão para úlceras isquêmicas, necrose e amputação — um desfecho bem documentado na literatura.

Fenômeno de Raynaud
  • 1Primário (doença de Raynaud)
    • Benigno
    • Simétrico
    • Sem necrose/úlcera
  • 2Secundário (ex.: esclerose sistêmica)
    • Vasculopatia estrutural progressiva
      • Proliferação da íntima
      • Fibrose da adventícia
      • Lesão endotelial
    • Consequências
      • Cicatrizes depressivas
      • Úlceras isquêmicas
      • Gangrena → autoamputação
LEVEL · soulevel.com.br

Item — ✅ CERTO

A afirmativa está correta porque descreve fielmente a evolução do fenômeno de Raynaud secundário na esclerose sistêmica. A literatura médica confirma que, na ES, o fenômeno de Raynaud se associa a uma vasculopatia periférica progressiva, com alterações estruturais irreversíveis nos pequenos vasos. Essas alterações levam à perda de tecido nas pontas dos dedos, resultando em cicatrizes depressíveis, úlceras isquêmicas e, em casos graves, gangrena que pode culminar em autoamputação. O texto da afirmativa espelha exatamente essa sequência fisiopatológica e clínica.

A progressão descrita é uma das manifestações mais características e temidas da ES, sendo um dos principais contribuintes para a morbidade da doença. O reconhecimento precoce dessa evolução é essencial para o manejo adequado, incluindo medidas de proteção contra o frio, uso de vasodilatadores (como bloqueadores de canais de cálcio) e, em casos selecionados, intervenções cirúrgicas ou terapias mais agressivas para prevenir a perda digital.

Gabarito: CERTO.

Link permanente: /questoes/ce190140