Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce190145
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TSE
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário – Área: Apoio Especializado – Especialidade: Medicina (Clínica Médica)
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a migrânea (enxaqueca) é, sim, classicamente classificada como uma cefaleia vascular primária, e os desfechos do seu tratamento podem ser previstos, em parte, pelos efeitos vasculares — como demonstra a eficácia dos triptanos, que agem por vasoconstrição. A banca explora a confusão entre a classificação histórica da migrânea como "cefaleia vascular" e o entendimento fisiopatológico moderno, que a considera uma disfunção neuronal (teoria neurovascular).
Para entender a questão, é preciso dominar a classificação das cefaleias. Elas se dividem em dois grandes grupos: primárias e secundárias. As cefaleias primárias são doenças em que a dor não é gerada por uma lesão tecidual da cabeça, mas por uma disfunção do complexo sistema de modulação sensitiva, que cursa com ativação do sintoma de maneira recorrente. A forma mais comum no pronto atendimento é a enxaqueca (ou migrânea), e na população geral a cefaleia tipo tensão. Já as cefaleias secundárias se dão quando alguma patologia detectável gera a dor entre seus sintomas — como hemorragia subaracnóidea, trombose venosa cerebral, tumor, infecção etc.
A migrânea, historicamente, foi classificada como uma cefaleia vascular — e essa classificação ainda é amplamente utilizada e cobrada em provas. A justificativa vem da fisiopatologia: a crise migranosa envolve vasodilatação intracraniana, e os triptanos, principal classe de medicamentos para abortar a crise, atuam como agonistas dos receptores 5-HT1B/1D, promovendo vasoconstrição. Essa ação vascular é diretamente relacionada à eficácia do tratamento, o que permite prever, em parte, os desfechos terapêuticos com base nos efeitos vasculares.
A banca, no entanto, explora a confusão entre a classificação histórica e o entendimento moderno. A teoria neurovascular atual considera a migrânea uma disfunção neuronal primária, com ativação do sistema trigêmino-vascular e liberação de neuropeptídeos (como o CGRP), que leva à vasodilatação e à inflamação neurogênica. Mas isso não significa que a migrânea deixou de ser considerada uma cefaleia vascular — ela é, sim, uma cefaleia primária com componente vascular importante, e os efeitos vasculares dos medicamentos (como a vasoconstrição dos triptanos) são preditores de resposta ao tratamento.
A pegadinha da questão está em afirmar que a migrânea "não é considerada uma cefaleia vascular" e que os desfechos do tratamento "não podem ser previstos pelos efeitos vasculares". Isso contraria tanto a classificação clássica quanto a prática clínica. O candidato que conhece a fisiopatologia moderna pode ser levado a concordar com a afirmativa, mas ela está errada frente ao que é cobrado em provas e à literatura médica tradicional.
A banca inverte o entendimento: a migrânea É uma cefaleia vascular primária, e os efeitos vasculares dos triptanos (vasoconstrição) são justamente o que permite prever a resposta ao tratamento. O candidato que só conhece a teoria neurovascular moderna pode cair na armadilha de achar que a afirmativa está certa.
Critério | Migrânea (visão clássica) | Migrânea (visão moderna) |
|---|---|---|
Classificação | Cefaleia vascular primária | Disfunção neuronal (teoria neurovascular) |
Fisiopatologia | Vasodilatação intracraniana | Ativação do sistema trigêmino-vascular, liberação de CGRP |
Tratamento (exemplo) | Triptanos (agonistas 5-HT1B/1D) | Triptanos (vasoconstrição) + novas terapias (anticorpos anti-CGRP) |
Previsão de resposta | Efeitos vasculares (vasoconstrição) | Efeitos vasculares ainda relevantes, mas com ênfase neuronal |
A afirmativa está errada porque a migrânea é, sim, considerada uma cefaleia vascular primária. A classificação clássica das cefaleias primárias inclui a migrânea como exemplo típico de cefaleia vascular, ao lado da cefaleia em salvas. Além disso, os desfechos do tratamento podem ser previstos pelos efeitos vasculares: os triptanos, por exemplo, são eficazes justamente por sua ação vasoconstritora nos receptores 5-HT1B/1D. A banca explora a confusão entre a teoria neurovascular moderna (que enfatiza o componente neuronal) e a classificação tradicional, mas a afirmativa contraria o que é cobrado em provas e a prática clínica.
Gabarito: ERRADO.
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