Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — CESPE / CEBRASPE 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
ce190271
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário – Área: Apoio Especializado – Especialidade: Medicina do Trabalho
Com relação às doenças do sistema cardiovascular e aos procedimentos de ressuscitação, julgue o item que se segue.O diagnóstico do choque cardiogênico requer a realização de avaliação hemodinâmica invasiva.
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Choque cardiogênico: diagnóstico clínico e monitorização hemodinâmica
Gabarito: ERRADO. O diagnóstico do choque cardiogênico é fundamentalmente clínico, baseado na presença de hipotensão arterial e sinais de hipoperfusão tecidual, não exigindo obrigatoriamente a realização de avaliação hemodinâmica invasiva. A monitorização invasiva, como o cateter de artéria pulmonar (Swan-Ganz), é reservada para situações específicas, como quando a avaliação não invasiva é insuficiente ou em casos de choque refratário, conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
O choque cardiogênico é uma síndrome clínica caracterizada pela falência da bomba cardíaca, resultando em débito cardíaco inadequado para suprir as demandas metabólicas dos tecidos. O diagnóstico é essencialmente clínico e pode ser feito à beira do leito, pela observação de hipotensão arterial (pressão arterial sistólica < 90 mmHg por pelo menos 30 minutos) associada a sinais de hipoperfusão tecidual, como oligúria, alteração do nível de consciência, extremidades frias e mal perfundidas. Esses achados clínicos, somados à documentação da disfunção miocárdica (geralmente por ecocardiograma), são suficientes para estabelecer o diagnóstico na grande maioria dos casos.
A avaliação hemodinâmica invasiva, com o cateter de artéria pulmonar, não é um requisito diagnóstico obrigatório. As diretrizes atuais recomendam seu uso de forma seletiva, em situações específicas, como quando a avaliação hemodinâmica não invasiva é considerada insuficiente, em pacientes com choque refratário que não respondem à terapia inicial, ou em casos de hipertensão pulmonar com disfunção de ventrículo direito. O uso rotineiro do cateter de artéria pulmonar em todos os pacientes com choque cardiogênico é, inclusive, desencorajado pelas evidências atuais, sendo classificado como Classe III (não recomendado) nas diretrizes.
A monitorização hemodinâmica moderna baseia-se em uma abordagem multimodal, que integra parâmetros clínicos, laboratoriais e de imagem. O ecocardiograma point-of-care e a ultrassonografia pulmonar têm papel central, por serem métodos não invasivos, seguros e acurados, capazes de fornecer informações sobre débito cardíaco, função ventricular, pressões de enchimento e grau de congestão pulmonar. O cateter de artéria pulmonar fica reservado para os casos em que não há janela ecocardiográfica adequada, na hipertensão pulmonar com disfunção de VD e no choque refratário.
A pegadinha desta questão está em confundir o diagnóstico clínico do choque cardiogênico com a necessidade de monitorização hemodinâmica invasiva. O diagnóstico é clínico e pode ser complementado por exames não invasivos; a monitorização invasiva é uma ferramenta terapêutica e de refinamento diagnóstico, utilizada em situações específicas, não sendo um pré-requisito para o diagnóstico. Guarde essa distinção: diagnóstico clínico ≠ monitorização invasiva obrigatória.
Choque cardiogênico
1Diagnóstico
Clínico (hipotensão + hipoperfusão)
Ecocardiograma point-of-care
Não exige cateter invasivo
2Monitorização invasiva (Swan-Ganz)
Uso seletivo
Avaliação não invasiva insuficiente
Choque refratário
Hipertensão pulmonar com disfunção de VD
Uso rotineiro desencorajado (Classe III)
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Alternativa E — ✅ Correta (ERRADO) ⟵ GABARITO
A afirmativa está errada. O diagnóstico do choque cardiogênico é essencialmente clínico, baseado na presença de hipotensão arterial e sinais de hipoperfusão tecidual, como oligúria, alteração do nível de consciência e extremidades frias. A avaliação hemodinâmica invasiva, com cateter de artéria pulmonar, não é obrigatória para o diagnóstico, sendo reservada para situações específicas, como quando a avaliação não invasiva é insuficiente ou em casos de choque refratário. As diretrizes atuais, inclusive, desencorajam o uso rotineiro do cateter de artéria pulmonar em todos os pacientes com choque cardiogênico.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre choque cardiogênico, lembre-se: o diagnóstico é clínico (hipotensão + hipoperfusão). A monitorização invasiva (Swan-Ganz) é uma ferramenta para casos selecionados, não um critério diagnóstico. Essa distinção é frequentemente cobrada em provas.