Acerca das intoxicações exógenas, assinale a opção correta.
APacientes com intoxicações graves após ingestão de anfetaminas substituídas, como N-metil-3,4 metilenodioxianfetamina (MDMA), apresentam arritmias e aumento do débito cardíaco devido ao aumento do tempo de enchimento diastólico associado à taquicardia.
BPacientes com síndrome colinérgica apresentam mucosas secas e, diferentemente dos sintomas da intoxicação por agentes simpaticomiméticos, não ficam diaforéticos porque as glândulas secretórias da pele e das mucosas apresentam inervação adrenérgica.
CPara o controle pressórico e a melhora da qualidade de vida de pacientes hipertensos e medicados com inibidores da monoaminaoxidase, deve ser prescrita uma dieta específica, com alimentos ricos em iramina, substância presente em queijos e vinhos, por exemplo.
DSintomas muscarínicos (receptores iônicos) se caracterizam por midríase, taquicardia, fraqueza, tremores, fasciculações, convulsões e sonolência. Agentes causais incluem as substâncias dos grupos dos organofosforados e carbamatos.
EA síndrome opioide tem aspecto semelhante ao da síndrome sedativo-hipnótica, e seu diagnóstico se confirma pela observação da resposta do paciente ao naloxone, que é um antagonista direto dos receptores opioides; entretanto a ausência de resposta não exclui a intoxicação por opioides.
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GabaritoE — A síndrome opioide tem aspecto semelhante ao da síndrome sedativo-hipnótica, e seu diagnóstico se confirma pela observação da resposta do paciente ao naloxone, que é um antagonista direto dos receptores opioides; entretanto a ausência de resposta não exclui a intoxicação por opioides.
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Intoxicações exógenas: síndromes tóxicas e seus diagnósticos
Gabarito: letra E. A síndrome opioide se assemelha à sedativo-hipnótica (sedação e depressão respiratória), e o diagnóstico é confirmado pela resposta ao naloxone, antagonista direto dos receptores opioides; contudo, a ausência de resposta não exclui a intoxicação por opioides, pois pode haver co-ingestão de outras substâncias ou doses insuficientes do antídoto. As demais alternativas distorcem mecanismos fisiopatológicos e manifestações clínicas das síndromes tóxicas.
As intoxicações exógenas são um desafio diagnóstico na emergência, pois o paciente frequentemente chega inconsciente ou não cooperativo. O manejo inicial segue a ordem ABCDE, com estabilização dos sinais vitais antes mesmo do diagnóstico definitivo. A identificação da síndrome tóxica é feita pela combinação de achados clínicos — nível de consciência, pupilas, pele, sinais vitais — que apontam para o grupo de substâncias envolvidas. Cada síndrome tem um padrão característico: a colinérgica cursa com aumento de secreções (diaforese, broncorreia, miose), a anticolinérgica com secura de mucosas e midríase, a simpaticomimética com agitação e hipertermia, e a opioide com a tríade clássica de rebaixamento do nível de consciência, miose e depressão respiratória.
A síndrome opioide é causada pela ativação de receptores mu, que modulam a nocicepção, a resposta ventilatória e a motilidade intestinal. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas o teste terapêutico com naloxone — antagonista competitivo dos receptores opioides — é o padrão para confirmação. A reversão da bradipneia após a administração do antídoto confirma o diagnóstico. No entanto, a ausência de resposta não exclui a intoxicação por opioides: pode ocorrer em casos de co-ingestão de outras drogas depressoras, em doses muito elevadas de opioides que exigem doses maiores de naloxone, ou quando o antídoto é administrado em dose insuficiente. Por isso, a alternativa E está correta ao afirmar que a ausência de resposta não exclui o diagnóstico.
A banca explora, nas demais alternativas, erros conceituais clássicos: inversão de efeitos farmacológicos (como na letra A), confusão entre inervação simpática e parassimpática (letra B), troca de "tiramina" por "iramina" e recomendação absurda de dieta rica na substância (letra C), e mistura de sintomas muscarínicos com nicotínicos (letra D). O candidato precisa dominar as diferenças entre os receptores colinérgicos e os efeitos de cada grupo de tóxicos para não cair nessas armadilhas.
Sedação, depressão respiratória, sem miose obrigatória
Potencialização GABAérgica
Benzodiazepínicos, barbitúricos
Síndromes tóxicas
1Colinérgica
Miose, diaforese, broncorreia
Causas: organofosforados, carbamatos
2Anticolinérgica
Midríase, mucosas secas
3Simpaticomimética
Agitação, hipertermia, taquicardia
Causas: MDMA, cocaína
4Opioide
Miose, depressão respiratória
Diagnóstico: resposta ao naloxone
Ausência de resposta não exclui
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A intoxicação por MDMA (anfetamina substituída) causa síndrome simpaticomimética, com taquicardia e aumento do débito cardíaco. Porém, o mecanismo descrito está errado: a taquicardia diminui o tempo de enchimento diastólico, não o aumenta. O aumento do débito cardíaco ocorre por estímulo adrenérgico (aumento da contratilidade e da frequência cardíaca), e não por prolongamento do enchimento diastólico. Além disso, arritmias podem ocorrer, mas não pela via descrita.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A síndrome colinérgica é causada por inibidores da acetilcolinesterase, que aumentam a acetilcolina na fenda sináptica, ativando receptores muscarínicos e nicotínicos. Os sintomas muscarínicos incluem diaforese (aumento da secreção glandular), miose, broncorreia, êmese, diarreia e lacrimejamento. A afirmativa erra ao dizer que os pacientes não ficam diaforéticos e que as glândulas secretórias têm inervação adrenérgica — na verdade, as glândulas sudoríparas têm inervação colinérgica (parassimpática), e a diaforese é um sintoma típico da síndrome colinérgica. A confusão com a síndrome anticolinérgica (que causa mucosas secas) é o erro central.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Pacientes em uso de inibidores da monoaminaoxidase (IMAO) devem evitar alimentos ricos em tiramina (queijos, vinhos, embutidos), pois a tiramina pode precipitar crise hipertensiva. A alternativa erra ao recomendar uma dieta rica nessa substância e ainda a escreve como "iramina". O correto é a restrição de tiramina na dieta para evitar o acúmulo de catecolaminas e a consequente crise hipertensiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa mistura sintomas muscarínicos e nicotínicos. Os sintomas muscarínicos (receptores acoplados à proteína G, não iônicos) incluem aumento de secreções, miose, broncorreia, êmese, diarreia e bradicardia. Os sintomas nicotínicos (receptores iônicos) incluem midríase, taquicardia, fraqueza, tremores, fasciculações, convulsões e sonolência. A afirmativa atribui sintomas nicotínicos aos receptores muscarínicos e ainda os classifica como "iônicos", o que é fisiologicamente incorreto. Os organofosforados e carbamatos causam a síndrome colinérgica, com predomínio de sintomas muscarínicos, mas também podem causar sintomas nicotínicos.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome opioide apresenta sedação e depressão respiratória, semelhante à síndrome sedativo-hipnótica, mas com miose característica. O diagnóstico é confirmado pela resposta ao naloxone, antagonista direto dos receptores opioides, que reverte a bradipneia. Contudo, a ausência de resposta não exclui a intoxicação por opioides, pois pode haver co-ingestão de outras substâncias, doses insuficientes de naloxone ou opioides de alta potência que exigem doses maiores do antídoto. A alternativa está correta ao afirmar essa ressalva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os efeitos das síndromes tóxicas. Aqui, a letra B troca a diaforese da síndrome colinérgica pela secura de mucosas da anticolinérgica, e a letra D mistura sintomas muscarínicos com nicotínicos. Na prova, identifique a síndrome pelos achados-chave: miose + secreções = colinérgica; midríase + secura = anticolinérgica; agitação + hipertermia = simpaticomimética; miose + depressão respiratória = opioide. Com esse mapa, você elimina as alternativas erradas rapidamente.