Em relação à anafilaxia, que pode ocorrer por reação a diferentes agentes, sendo os mais comuns alimentos e medicamentos, assinale a opção correta.
APara o tratamento de pacientes com anafilaxia, recomenda-se administração de adrenalina de 0,01 mL/kg de uma solução (1:10000).
BAs reações da anafilaxia são desencadeadas quase sempre por reações mediadas pela IgE, após a exposição de indivíduos previamente sensibilizados a um antígeno, caracterizadas como reações de hipersensibilidade do tipo III.
CEstudos de metanálise demonstram que, em 95% dos casos, a anafilaxia se comporta como um quadro clínico bifásico, por isso o médico deve estar atento para uma ação imediata.
DSão preditores de anafilaxia grave: atraso na administração da adrenalina, uso de betabloqueadores e inibidores de enzima conversora de angiotensina, anti-inflamatórios e doença cardiovascular.
EA reação bifásica pode ocorrer entre 14 a 21 dias depois da exposição ao agente de risco, mas, na maioria das vezes, a ocorrência se dá após 72 horas.
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GabaritoD — São preditores de anafilaxia grave: atraso na administração da adrenalina, uso de betabloqueadores e inibidores de enzima conversora de angiotensina, anti-inflamatórios e doença cardiovascular.
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Anafilaxia: diagnóstico, tratamento e fatores de risco
Gabarito: letra D. A alternativa D está correta porque elenca corretamente os preditores de anafilaxia grave: atraso na administração de adrenalina, uso de betabloqueadores, inibidores da ECA, anti-inflamatórios e doença cardiovascular. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de dose, como a diluição incorreta da adrenalina na alternativa A e a classificação equivocada da anafilaxia como hipersensibilidade tipo III na alternativa B.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave e potencialmente fatal, caracterizada por início rápido e acometimento de vias aéreas, respiração ou circulação, geralmente associada a manifestações cutâneas e de mucosas. O mecanismo mais comum é a degranulação de mastócitos e basófilos mediada por IgE, mas também pode ocorrer por ativação direta dessas células (reações anafilactoides). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios de consenso, e o tratamento de primeira linha é a adrenalina intramuscular, que deve ser administrada precocemente.
A compreensão dos fatores de risco para gravidade é crucial na prática clínica. O atraso na administração de adrenalina é o principal fator associado a desfechos graves e óbito. O uso de betabloqueadores pode mascarar os efeitos da adrenalina e dificultar o tratamento, enquanto os inibidores da ECA podem potencializar o angioedema. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são desencadeantes conhecidos de reações anafilactoides, e a doença cardiovascular prévia aumenta a vulnerabilidade ao choque. Esses fatores, quando presentes, devem alertar o médico para um manejo mais agressivo e observação prolongada.
A reação bifásica é uma complicação importante, caracterizada pela recorrência dos sintomas após melhora inicial. Diferentemente do que afirma a alternativa E, a segunda fase ocorre tipicamente em até 8 horas, podendo se estender até 24 horas, e não em dias. A maioria dos casos de anafilaxia (75-80%) segue um curso unifásico, e a frequência de reações bifásicas é baixa, em torno de 5%, contrariando a alternativa C. O reconhecimento desses padrões é essencial para a decisão sobre o tempo de observação e a alta hospitalar.
A dose e a via de administração da adrenalina são pontos críticos. A recomendação atual é a administração intramuscular de solução 1:1000, na dose de 0,3-0,5 mg para adultos e 0,01 mg/kg (máximo 0,3 mg) para crianças, no vasto lateral da coxa. A alternativa A erra ao sugerir a diluição 1:10000, que é utilizada em contextos específicos de infusão intravenosa, e ao indicar dose em mL/kg sem especificar a concentração correta. A via intramuscular é preferida por sua segurança e rápida absorção.
A classificação da anafilaxia como hipersensibilidade tipo III, como proposto na alternativa B, é um erro conceitual grave. A anafilaxia é o protótipo da reação de hipersensibilidade tipo I, mediada por IgE, que ocorre em indivíduos previamente sensibilizados. A hipersensibilidade tipo III é mediada por imunocomplexos e está associada a doenças como lúpus e glomerulonefrite, não à anafilaxia. Essa distinção é fundamental para o entendimento da fisiopatologia e do tratamento.
Guarde esses conceitos: a anafilaxia é uma reação tipo I mediada por IgE, tratada com adrenalina IM 1:1000, e os fatores de risco para gravidade incluem atraso no tratamento, uso de betabloqueadores, IECA, AINEs e doença cardiovascular. É exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.
Anafilaxia
1Mecanismo
Tipo I (IgE)
Mastócitos/basófilos
2Tratamento
Adrenalina IM 1:1000
Adulto: 0,3–0,5 mg
Criança: 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg)
3Curso
Unifásico (75–80%)
Bifásico (~5%)
Recorre em até 8h (máx. 24h)
4Preditores de gravidade
Atraso na adrenalina
Betabloqueador
IECA
AINE
Doença cardiovascular
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa erra na dose e na diluição da adrenalina. A recomendação para o tratamento da anafilaxia é a administração intramuscular de adrenalina na concentração 1:1000, na dose de 0,3-0,5 mg para adultos e 0,01 mg/kg (máximo 0,3 mg) para crianças. A solução 1:10000 é utilizada apenas em infusão intravenosa contínua em casos refratários, não como primeira linha. A dose em mL/kg, sem especificar a concentração, é ambígua e incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa classifica erroneamente a anafilaxia como hipersensibilidade tipo III. A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade imediata, tipo I, mediada por IgE, que ocorre após exposição a um antígeno em indivíduos previamente sensibilizados. A hipersensibilidade tipo III é mediada por imunocomplexos e não se aplica à anafilaxia. O erro está na troca do tipo de reação, um distrator clássico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que 95% dos casos de anafilaxia são bifásicos, o que é incorreto. Estudos de metanálise mostram que o curso bifásico ocorre em apenas cerca de 5% dos casos, e a maioria (75-80%) segue um padrão unifásico. A reação bifásica é uma complicação rara, mas importante, que ocorre tipicamente em até 8 horas, podendo se estender até 24 horas. O erro está na superestimativa da frequência.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao listar os preditores de anafilaxia grave: atraso na administração de adrenalina, uso de betabloqueadores, inibidores da ECA, anti-inflamatórios e doença cardiovascular. Esses fatores estão associados a maior risco de reações graves, refratariedade ao tratamento e pior prognóstico. O reconhecimento desses preditores é essencial para a estratificação de risco e o manejo adequado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que a reação bifásica ocorre entre 14 a 21 dias após a exposição. A segunda fase da anafilaxia ocorre tipicamente em até 8 horas, podendo se estender até 24 horas, e raramente até 72 horas. O intervalo de dias é completamente incorreto e não corresponde à fisiopatologia da reação. O erro está no prazo, um distrator numérico.