Sífilis: tratamento com benzilpenicilina benzatina e diagnóstico
Gabarito: letra B. A alternativa correta descreve com precisão o intervalo de administração da benzilpenicilina benzatina no tratamento da sífilis: uma semana (sete dias) entre as doses, com reinício do esquema em gestantes se o intervalo ultrapassar sete dias e, nas demais pessoas, se transcorrerem mais de 14 dias entre as doses. Essa regra consta das diretrizes do Ministério da Saúde e da Nota Técnica nº 14/2023, que trata especificamente do intervalo entre doses em gestantes.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, que, se não tratada adequadamente, pode evoluir em estágios (primário, secundário, latente e terciário) e, na gestação, causar a sífilis congênita, com graves consequências para o feto. O tratamento de escolha é a benzilpenicilina benzatina, um antibiótico de depósito que mantém níveis séricos adequados por cerca de três semanas. Por isso, o esquema terapêutico é baseado em doses semanais, e o intervalo entre elas é um ponto crítico: se for muito longo, a concentração do antibiótico cai abaixo do nível mínimo necessário para eliminar a bactéria, permitindo a persistência ou recidiva da infecção.
A regra do intervalo é distinta para gestantes e não gestantes. Em gestantes, o risco de transmissão vertical é altíssimo, e qualquer falha no tratamento pode levar à sífilis congênita. Por isso, o Ministério da Saúde, por meio da Nota Técnica nº 14/2023, estabeleceu que, se o intervalo entre as doses ultrapassar sete dias, o esquema deve ser reiniciado do zero. Já para as demais pessoas, o reinício é necessário apenas se o intervalo for superior a 14 dias. Essa diferença reflete a maior gravidade da falha terapêutica na gestação e a necessidade de garantir a cura antes do parto.
Na prática, imagine uma gestante que recebeu a primeira dose de benzilpenicilina benzatina na segunda-feira e deveria retornar na segunda-feira seguinte. Se ela comparecer apenas na quarta-feira (nove dias após a primeira dose), o intervalo ultrapassou sete dias, e o esquema deve ser reiniciado, ou seja, ela receberá novamente a primeira dose, e o ciclo recomeça. Para um homem não gestante, o mesmo atraso de nove dias não exigiria reinício, pois ainda está dentro do limite de 14 dias. Essa distinção é exatamente o que a alternativa B captura.
A banca explora aqui a confusão entre os dois limites: muitos candidatos lembram que o intervalo é de sete dias, mas não sabem diferenciar o prazo para reinício entre gestantes e não gestantes. A pegadinha está em inverter esses valores ou em generalizar a regra da gestante para todos os pacientes. Guarde bem: sete dias para reinício em gestantes; 14 dias para reinício nas demais pessoas — é esse par que decide a questão.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A faixa etária da vacina HPV no Programa Nacional de Imunizações (PNI) está incorreta. O PNI preconiza a vacinação de meninas de 9 a 14 anos e de meninos de 11 a 14 anos, mas a alternativa inverte os limites: diz "meninos de 11 a 14 anos e meninas de 9 a 14 anos". Na verdade, a faixa etária dos meninos é de 11 a 14 anos, e a das meninas é de 9 a 14 anos — a alternativa está correta nesse ponto. Porém, o erro está em afirmar que o programa "estabelece a proteção" apenas para essas faixas, quando, na verdade, o PNI também prevê a vacinação de outros grupos, como pessoas vivendo com HIV, transplantados e vítimas de violência sexual, entre 9 e 45 anos. A alternativa é incompleta e, portanto, incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente o intervalo de administração da benzilpenicilina benzatina no tratamento da sífilis: uma semana (sete dias) entre as doses. Em gestantes, o esquema deve ser reiniciado se o intervalo ultrapassar sete dias; nas demais pessoas, se transcorrerem mais de 14 dias entre as doses. Essa regra está alinhada com as diretrizes do Ministério da Saúde e com a Nota Técnica nº 14/2023, que trata especificamente do intervalo entre doses em gestantes. A distinção entre os prazos é fundamental para garantir a efetividade do tratamento e prevenir a sífilis congênita.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O agente etiológico do cancroide (cancro mole) é a bactéria Haemophilus ducreyi, e não a Klebsiella granulomatis. A Klebsiella granulomatis é o agente causador da donovanose (granuloma inguinal), outra IST. A alternativa troca os agentes etiológicos de duas doenças distintas, uma pegadinha clássica da banca.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os testes TPHA, TPPA e MHA-TP são testes treponêmicos, ou seja, detectam anticorpos específicos contra o Treponema pallidum. A alternativa afirma que são indicados para detecção de sífilis não treponêmica, o que está errado. Os testes não treponêmicos (como VDRL e RPR) detectam anticorpos anticardiolipina, que não são específicos, mas são úteis para triagem e monitoramento da resposta ao tratamento. A alternativa inverte a classificação dos testes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A Chlamydia trachomatis (sorovariantes L1, L2 e L3) é o agente etiológico do linfogranuloma venéreo (LGV), e não da clamídia e da donovanose. A clamídia é causada pelos sorovariantes D-K da mesma bactéria, e a donovanose é causada pela Klebsiella granulomatis. A alternativa mistura os agentes etiológicos de três ISTs distintas.
Gabarito: letra B