Artrite reumatoide é uma doença com características crônicas e fenômenos inflamatórios persistentes. O fator de risco ambiental mais bem estabelecido para essa patologia é
Aa infecção por estafilococos.
Ba hipovitaminose D crônica.
Ca hiperglicemia.
Do tabagismo.
Ea hipertrigliceridemia.
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GabaritoD — o tabagismo.
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Artrite reumatoide: fatores de risco
Gabarito: letra D. O tabagismo é o fator de risco ambiental mais bem estabelecido para o desenvolvimento da artrite reumatoide, com forte associação epidemiológica e mecanismos fisiopatológicos que envolvem a citrulinação de proteínas e a geração de autoanticorpos (fator reumatoide e anti-CCP). As demais alternativas não correspondem a fatores de risco comprovados para a doença.
A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune, crônica e inflamatória, que acomete predominantemente as articulações periféricas de forma simétrica, podendo levar a deformidades e incapacidade funcional. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo uma complexa interação entre suscetibilidade genética — notadamente os alelos HLA-DRB1 que compartilham o epítopo compartilhado — e fatores ambientais. Entre os fatores ambientais, o tabagismo é o mais robustamente associado à doença, sendo capaz de desencadear o processo autoimune em indivíduos geneticamente predispostos.
O mecanismo pelo qual o tabagismo contribui para a AR envolve a citrulinação de proteínas nos pulmões, um processo pós-traducional que converte resíduos de arginina em citrulina. Em indivíduos suscetíveis, essas proteínas citrulinadas são reconhecidas como antígenos, levando à produção de anticorpos anti-proteínas citrulinadas (anti-CCP), que são altamente específicos para a AR e podem ser detectados anos antes do início dos sintomas articulares. Esse fenômeno explica por que o tabagismo é um fator de risco particularmente forte para a AR soropositiva (fator reumatoide e/ou anti-CCP positivos).
Na prática clínica, a identificação do tabagismo como fator de risco modificável é crucial, pois a cessação do tabagismo está associada a menor risco de desenvolver a doença e a melhor resposta ao tratamento. Além disso, o tabagismo influencia a gravidade da AR, estando associado a maior atividade da doença, maior progressão radiológica e pior resposta às terapias, incluindo os agentes biológicos.
É importante distinguir a AR de outras condições reumáticas, como a osteoartrite, que é uma doença degenerativa, e a febre reumática, que é uma complicação de infecção estreptocócica. Enquanto a AR tem forte associação com o tabagismo, a osteoartrite está mais relacionada a fatores mecânicos e à idade, e a febre reumática é desencadeada por infecção pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Essa distinção é fundamental para a compreensão dos fatores de risco de cada condição.
A banca explora a associação entre fatores de risco e doenças reumáticas, sendo o tabagismo o fator mais bem estabelecido para a AR. As alternativas incorretas apresentam condições que não são reconhecidas como fatores de risco para a doença, mas que podem estar associadas a outras comorbidades. O candidato deve estar atento ao conhecimento consolidado na literatura médica sobre os fatores de risco da AR.
Artrite reumatoide
1Etiologia multifatorial
Genética (HLA-DRB1)
Fatores ambientais
2Fator de risco mais estabelecido
Tabagismo
Citrulinação de proteínas
Anti-CCP
AR soropositiva
3Outros fatores (sem evidência)
Infecção estafilocócica
Hipovitaminose D
Hiperglicemia
Hipertrigliceridemia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A infecção por estafilococos não é um fator de risco para a artrite reumatoide. Embora infecções bacterianas possam desencadear artrites sépticas, que são infecções articulares diretas, elas não estão implicadas na patogênese da AR, que é uma doença autoimune. A confusão pode ocorrer com a febre reumática, que é desencadeada por infecção estreptocócica, mas não por estafilococos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hipovitaminose D crônica não é o fator de risco ambiental mais bem estabelecido para a artrite reumatoide. Embora a deficiência de vitamina D tenha sido estudada como possível moduladora da resposta imune e possa ter algum papel em doenças autoimunes, a evidência para a AR não é tão forte quanto a do tabagismo. A hipovitaminose D está mais associada a doenças ósseas como osteomalacia e osteoporose.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hiperglicemia, característica do diabetes mellitus, não é um fator de risco estabelecido para a artrite reumatoide. Embora o diabetes possa estar associado a outras complicações musculoesqueléticas, como a síndrome do túnel do carpo e a capsulite adesiva, não há evidência robusta de que a hiperglicemia seja um fator de risco para o desenvolvimento da AR.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tabagismo é o fator de risco ambiental mais bem estabelecido para a artrite reumatoide. A associação é forte e consistente em diversos estudos epidemiológicos, e o mecanismo fisiopatológico envolve a citrulinação de proteínas nos pulmões, levando à produção de anticorpos anti-CCP em indivíduos geneticamente suscetíveis. O tabagismo também está associado a maior gravidade da doença e pior resposta ao tratamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hipertrigliceridemia não é um fator de risco para a artrite reumatoide. Embora dislipidemias sejam comorbidades frequentes em pacientes com AR, devido à inflamação crônica, elas não são fatores de risco para o desenvolvimento da doença. A hipertrigliceridemia está mais associada a risco cardiovascular, não a doenças autoimunes.