Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças do Colágeno — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaDoenças do Colágeno
Código
ce190831
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TST
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina Clínica Médica
Artrite reumatoide é uma doença com características crônicas e fenômenos inflamatórios persistentes. O fator de risco ambiental mais bem estabelecido para essa patologia é
  1. Aa infecção por estafilococos.
  2. Ba hipovitaminose D crônica.
  3. Ca hiperglicemia.
  4. Do tabagismo.
  5. Ea hipertrigliceridemia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o tabagismo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Artrite reumatoide: fatores de risco

Gabarito: letra D. O tabagismo é o fator de risco ambiental mais bem estabelecido para o desenvolvimento da artrite reumatoide, com forte associação epidemiológica e mecanismos fisiopatológicos que envolvem a citrulinação de proteínas e a geração de autoanticorpos (fator reumatoide e anti-CCP). As demais alternativas não correspondem a fatores de risco comprovados para a doença.

A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune, crônica e inflamatória, que acomete predominantemente as articulações periféricas de forma simétrica, podendo levar a deformidades e incapacidade funcional. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo uma complexa interação entre suscetibilidade genética — notadamente os alelos HLA-DRB1 que compartilham o epítopo compartilhado — e fatores ambientais. Entre os fatores ambientais, o tabagismo é o mais robustamente associado à doença, sendo capaz de desencadear o processo autoimune em indivíduos geneticamente predispostos.

O mecanismo pelo qual o tabagismo contribui para a AR envolve a citrulinação de proteínas nos pulmões, um processo pós-traducional que converte resíduos de arginina em citrulina. Em indivíduos suscetíveis, essas proteínas citrulinadas são reconhecidas como antígenos, levando à produção de anticorpos anti-proteínas citrulinadas (anti-CCP), que são altamente específicos para a AR e podem ser detectados anos antes do início dos sintomas articulares. Esse fenômeno explica por que o tabagismo é um fator de risco particularmente forte para a AR soropositiva (fator reumatoide e/ou anti-CCP positivos).

Na prática clínica, a identificação do tabagismo como fator de risco modificável é crucial, pois a cessação do tabagismo está associada a menor risco de desenvolver a doença e a melhor resposta ao tratamento. Além disso, o tabagismo influencia a gravidade da AR, estando associado a maior atividade da doença, maior progressão radiológica e pior resposta às terapias, incluindo os agentes biológicos.

É importante distinguir a AR de outras condições reumáticas, como a osteoartrite, que é uma doença degenerativa, e a febre reumática, que é uma complicação de infecção estreptocócica. Enquanto a AR tem forte associação com o tabagismo, a osteoartrite está mais relacionada a fatores mecânicos e à idade, e a febre reumática é desencadeada por infecção pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Essa distinção é fundamental para a compreensão dos fatores de risco de cada condição.

A banca explora a associação entre fatores de risco e doenças reumáticas, sendo o tabagismo o fator mais bem estabelecido para a AR. As alternativas incorretas apresentam condições que não são reconhecidas como fatores de risco para a doença, mas que podem estar associadas a outras comorbidades. O candidato deve estar atento ao conhecimento consolidado na literatura médica sobre os fatores de risco da AR.

Artrite reumatoide
  • 1Etiologia multifatorial
    • Genética (HLA-DRB1)
    • Fatores ambientais
  • 2Fator de risco mais estabelecido
    • Tabagismo
      • Citrulinação de proteínas
      • Anti-CCP
      • AR soropositiva
  • 3Outros fatores (sem evidência)
    • Infecção estafilocócica
    • Hipovitaminose D
    • Hiperglicemia
    • Hipertrigliceridemia
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A infecção por estafilococos não é um fator de risco para a artrite reumatoide. Embora infecções bacterianas possam desencadear artrites sépticas, que são infecções articulares diretas, elas não estão implicadas na patogênese da AR, que é uma doença autoimune. A confusão pode ocorrer com a febre reumática, que é desencadeada por infecção estreptocócica, mas não por estafilococos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hipovitaminose D crônica não é o fator de risco ambiental mais bem estabelecido para a artrite reumatoide. Embora a deficiência de vitamina D tenha sido estudada como possível moduladora da resposta imune e possa ter algum papel em doenças autoimunes, a evidência para a AR não é tão forte quanto a do tabagismo. A hipovitaminose D está mais associada a doenças ósseas como osteomalacia e osteoporose.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hiperglicemia, característica do diabetes mellitus, não é um fator de risco estabelecido para a artrite reumatoide. Embora o diabetes possa estar associado a outras complicações musculoesqueléticas, como a síndrome do túnel do carpo e a capsulite adesiva, não há evidência robusta de que a hiperglicemia seja um fator de risco para o desenvolvimento da AR.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O tabagismo é o fator de risco ambiental mais bem estabelecido para a artrite reumatoide. A associação é forte e consistente em diversos estudos epidemiológicos, e o mecanismo fisiopatológico envolve a citrulinação de proteínas nos pulmões, levando à produção de anticorpos anti-CCP em indivíduos geneticamente suscetíveis. O tabagismo também está associado a maior gravidade da doença e pior resposta ao tratamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipertrigliceridemia não é um fator de risco para a artrite reumatoide. Embora dislipidemias sejam comorbidades frequentes em pacientes com AR, devido à inflamação crônica, elas não são fatores de risco para o desenvolvimento da doença. A hipertrigliceridemia está mais associada a risco cardiovascular, não a doenças autoimunes.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/ce190831