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Questão de Medicina — Endocrinologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
ce190833
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TST
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina Clínica Médica
Ainda no que concerne a doenças endócrinas, assinale a opção correta.
  1. AO tratamento com glicocorticoides é a principal indicação para o tireoidite silenciosa.
  2. BNenhum gene isolado explica o complexo fenótipo designado como síndrome metabólica.
  3. CAtualmente, a hipertrigliceridemia não é mais considerada bom marcador do distúrbio de resistência à insulina na síndrome metabólica.
  4. DO hipotireoidismo subclínico é mais observado em homens que em mulheres.
  5. ETireotoxicose é sinônimo de hipertireoidismo e representa o resultado de uma função tireoidiana excessiva.
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GabaritoB — Nenhum gene isolado explica o complexo fenótipo designado como síndrome metabólica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome metabólica e doenças endócrinas

Gabarito: letra B. A síndrome metabólica é um fenótipo complexo e multifatorial, resultado da interação de múltiplos genes com o ambiente, de modo que nenhum gene isolado explica sua expressão completa. As demais alternativas apresentam erros conceituais: o tratamento da tireoidite silenciosa não é feito com glicocorticoides, a hipertrigliceridemia ainda é um marcador relevante de resistência à insulina, o hipotireoidismo subclínico é mais comum em mulheres e tireotoxicose não é sinônimo de hipertireoidismo.

A síndrome metabólica é um conjunto de alterações metabólicas e cardiovasculares que aumentam o risco de diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. Seu diagnóstico envolve a presença de pelo menos três dos seguintes critérios: obesidade abdominal, hipertensão arterial, dislipidemia (elevação de triglicerídeos e/ou redução do HDL), e hiperglicemia de jejum. A resistência à insulina é o mecanismo fisiopatológico central que conecta essas alterações, e a hipertrigliceridemia é um marcador clássico desse distúrbio, pois reflete o aumento do fluxo de ácidos graxos livres para o fígado e a produção de VLDL.

A genética da síndrome metabólica é poligênica e complexa. Estudos de associação genômica ampla (GWAS) identificaram diversos loci associados a componentes individuais da síndrome, como obesidade, dislipidemia e resistência à insulina, mas nenhum gene isolado é capaz de explicar o fenótipo completo. A interação gene-ambiente, incluindo dieta, sedentarismo e fatores epigenéticos, é fundamental para a expressão da doença. Isso contrasta com doenças monogênicas, como algumas formas de hipercolesterolemia familiar, onde uma única mutação é suficiente para causar a doença.

A tireoidite silenciosa é uma forma de tireoidite subaguda linfocítica, de caráter autoimune, que cursa com tireotoxicose transitória seguida de hipotireoidismo. O tratamento é sintomático, com betabloqueadores para controle dos sintomas adrenérgicos, e não há indicação de glicocorticoides, que são reservados para casos de tireoidite subaguda de De Quervain, quando há dor intensa e resposta inflamatória sistêmica. A confusão entre os tipos de tireoidite é uma pegadinha clássica.

O hipotireoidismo subclínico, definido por TSH elevado com T4 livre normal, é mais prevalente em mulheres, especialmente após os 60 anos, e a prevalência aumenta com a idade. A associação com o sexo masculino é um erro comum, pois a tireoidite de Hashimoto, principal causa, é mais frequente no sexo feminino.

A tireotoxicose é o estado clínico resultante do excesso de hormônios tireoidianos nos tecidos, independentemente da causa. O hipertireoidismo é uma das causas de tireotoxicose, caracterizado pelo aumento da síntese e secreção hormonal pela glândula. Outras causas incluem tireoidites (destruição folicular com liberação de hormônios pré-formados), tireotoxicose factícia (ingestão exógena) e struma ovarii. Portanto, todo hipertireoidismo é tireotoxicose, mas nem toda tireotoxicose é hipertireoidismo.

A banca explora a confusão entre os conceitos de tireotoxicose e hipertireoidismo, além de inverter a epidemiologia do hipotireoidismo subclínico e o tratamento das tireoidites. Para acertar, é preciso dominar a fisiopatologia e a classificação das doenças tireoidianas, bem como os critérios diagnósticos da síndrome metabólica.

Síndrome metabólica
  • 1Fenótipo complexo e multifatorial
    • Interação de múltiplos genes
    • Interação com o ambiente
    • Nenhum gene isolado explica
  • 2Critérios diagnósticos (≥3)
    • Obesidade abdominal
    • Hipertensão arterial
    • Dislipidemia (TG alto / HDL baixo)
    • Hiperglicemia de jejum
  • 3Mecanismo central
    • Resistência à insulina
    • Hipertrigliceridemia é marcador clássico
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A tireoidite silenciosa é uma condição autolimitada, e o tratamento é sintomático, com betabloqueadores para controle dos sintomas adrenérgicos. Os glicocorticoides são indicados na tireoidite subaguda de De Quervain, que cursa com dor cervical e sintomas inflamatórios sistêmicos, e não na forma silenciosa. A alternativa troca a indicação terapêutica entre os tipos de tireoidite.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome metabólica é um fenótipo complexo, resultante da interação de múltiplos genes com fatores ambientais. Estudos genéticos identificaram diversos loci associados a componentes individuais, mas nenhum gene isolado explica o fenótipo completo. A alternativa está correta ao afirmar que nenhum gene isolado explica o complexo fenótipo da síndrome metabólica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipertrigliceridemia é um marcador clássico de resistência à insulina na síndrome metabólica, refletindo o aumento do fluxo de ácidos graxos livres para o fígado e a produção de VLDL. A alternativa afirma o contrário, o que é um erro conceitual. A resistência à insulina está diretamente associada ao aumento dos triglicerídeos e à redução do HDL.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O hipotireoidismo subclínico é mais prevalente em mulheres, especialmente após os 60 anos, e a prevalência aumenta com a idade. A alternativa inverte a epidemiologia, afirmando que é mais observado em homens. A tireoidite de Hashimoto, principal causa, é mais frequente no sexo feminino.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Tireotoxicose é o estado clínico resultante do excesso de hormônios tireoidianos, independentemente da causa. Hipertireoidismo é uma das causas, caracterizado pelo aumento da síntese e secreção hormonal. A alternativa afirma que são sinônimos, o que é um erro conceitual. Nem toda tireotoxicose é hipertireoidismo, como nas tireoidites e na tireotoxicose factícia.

Gabarito: letra B

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