Assinale a opção correta em referência às doenças endócrinas.
AO diabetes melito gestacional é diagnosticado em qualquer fase da gestação, em face de exames pré-gestacionais normais.
BO uso disseminado da glicemia plasmática de jejum ou da HbA1c como teste de rastreamento de diabetes melito do tipo 2 é altamente recomendado porque um grande número de indivíduos que preenchem os critérios atuais para a doença é assintomático e não tem conhecimento de que sofre desse distúrbio.
CA grande maioria dos obesos tem níveis baixos de leptina, importante hormônio regulador do apetite.
DA resistência à insulina é observada em um número significativo de mulheres com síndrome dos ovários policísticos, entretanto tal distúrbio não eleva o risco de desenvolvimento de diabetes melito do tipo 2 nessa população.
EA possibilidade de hipotireoidismo deve ser sempre considerada na investigação de ganho de peso, pois ele é uma causa cada vez mais comum de obesidade.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — O uso disseminado da glicemia plasmática de jejum ou da HbA1c como teste de rastreamento de diabetes melito do tipo 2 é altamente recomendado porque um grande número de indivíduos que preenchem os critérios atuais para a doença é assintomático e não tem conhecimento de que sofre desse distúrbio.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doenças endócrinas: rastreamento do diabetes melito tipo 2
Gabarito: letra B. A afirmativa está correta porque o rastreamento do diabetes melito tipo 2 por glicemia de jejum ou HbA1c é amplamente recomendado, uma vez que muitos indivíduos que preenchem os critérios diagnósticos são assintomáticos e desconhecem a doença — exatamente o que a alternativa descreve. As demais opções contêm erros conceituais: o diabetes gestacional é diagnosticado na gestação, não em qualquer fase; obesos geralmente têm leptina elevada (resistência à leptina); a resistência à insulina na SOP aumenta o risco de DM2; e o hipotireoidismo não é causa comum de obesidade.
O diabetes melito tipo 2 é uma doença metabólica caracterizada por hiperglicemia decorrente de resistência à insulina e deficiência relativa de sua secreção. Uma das grandes dificuldades do manejo é que a doença pode permanecer assintomática por anos, período em que o diagnóstico precoce por rastreamento é fundamental para prevenir complicações micro e macrovasculares. Por isso, diretrizes de sociedades de endocrinologia e órgãos de saúde pública recomendam o rastreamento em adultos com fatores de risco, utilizando testes como a glicemia de jejum, o teste oral de tolerância à glicose e a hemoglobina glicada (HbA1c). A lógica é simples: identificar a doença antes do aparecimento de sintomas permite intervenção precoce com mudança de estilo de vida e farmacoterapia, reduzindo morbimortalidade.
Na prática, o rastreamento é indicado para adultos com sobrepeso/obesidade e um ou mais fatores de risco adicionais (sedentarismo, história familiar, hipertensão, dislipidemia, SOP, entre outros), ou para todos os adultos a partir de determinada idade, independentemente de fatores de risco. O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais, e a ausência de sintomas não exclui a doença — pelo contrário, é a situação mais comum no momento do diagnóstico.
A distinção que importa aqui é entre rastreamento e diagnóstico. Rastreamento é a aplicação de um teste em população assintomática para identificar doença não suspeitada; diagnóstico é a confirmação em indivíduos sintomáticos ou com rastreamento positivo. A alternativa B fala de rastreamento, e a justificativa apresentada — grande número de assintomáticos que desconhecem a doença — é exatamente o racional para se rastrear. As outras alternativas misturam conceitos ou trazem informações incorretas, como veremos.
A pegadinha da banca está em alternativas que parecem plausíveis à primeira vista, mas contêm um erro sutil: a letra C inverte a fisiologia da leptina (obesos têm níveis altos, não baixos); a letra D nega um risco real (SOP aumenta risco de DM2); a letra E superestima o papel do hipotireoidismo na obesidade. A letra A erra ao dizer que o diabetes gestacional é diagnosticado "em qualquer fase da gestação" com exames pré-gestacionais normais — na verdade, o diagnóstico é feito durante a gestação, e exames pré-gestacionais normais não excluem o desenvolvimento da condição. Guarde esses quatro erros: eles são o critério que separa a correta das incorretas.
Diabetes melito tipo 2: Rastreamento (assintomáticos) (Glicemia de jejum, HbA1c, Detecta doença não suspeitada); Fatores de risco (Sobrepeso/obesidade, Sedentarismo, História familiar, SOP); Diagnóstico (Sintomáticos, Rastreamento positivo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O diabetes melito gestacional (DMG) é definido como intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação. A alternativa erra ao afirmar que é diagnosticado "em qualquer fase da gestação" — o rastreamento é realizado tipicamente entre 24 e 28 semanas, e o diagnóstico é feito durante a gestação, não em qualquer fase. Além disso, exames pré-gestacionais normais não excluem o desenvolvimento do DMG, que ocorre justamente por alterações metabólicas da gravidez. O erro está na imprecisão temporal e na lógica de que exames normais antes da gestação afastariam o diagnóstico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque o rastreamento do diabetes melito tipo 2 por glicemia de jejum ou HbA1c é altamente recomendado, e a justificativa apresentada é exatamente o racional: muitos indivíduos que preenchem os critérios diagnósticos são assintomáticos e não sabem que têm a doença. Isso permite diagnóstico e intervenção precoces, prevenindo complicações. A frase espelha o consenso das diretrizes de rastreamento, que priorizam a detecção em população assintomática de risco.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa inverte a fisiologia da leptina. A leptina é um hormônio produzido pelo tecido adiposo que regula o apetite e o gasto energético. Em obesos, os níveis de leptina estão elevados, não baixos — o que ocorre é resistência à leptina, ou seja, o cérebro não responde adequadamente ao sinal de saciedade. A alternativa erra ao afirmar que "a grande maioria dos obesos tem níveis baixos de leptina". O conceito correto é o oposto: hiperleptinemia com resistência à leptina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa está correta na primeira parte — a resistência à insulina é de fato observada em um número significativo de mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP) — mas erra na conclusão. A resistência à insulina na SOP é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de diabetes melito tipo 2. A alternativa nega esse risco, afirmando que "tal distúrbio não eleva o risco de desenvolvimento de diabetes melito do tipo 2 nessa população", o que é falso. A SOP aumenta sim o risco de DM2, e o rastreamento é recomendado nessa população.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está correta ao afirmar que o hipotireoidismo deve ser considerado na investigação de ganho de peso — de fato, o hipotireoidismo pode causar ganho de peso por redução do metabolismo basal. No entanto, erra ao dizer que é "uma causa cada vez mais comum de obesidade". O hipotireoidismo é uma causa relativamente rara de obesidade; a grande maioria dos casos de obesidade é multifatorial, relacionada a fatores genéticos, ambientais e comportamentais. O erro está na superestimação da frequência do hipotireoidismo como causa de obesidade.
Fechamento: a questão cobra conhecimentos básicos de endocrinologia, e a alternativa B é a única que apresenta uma afirmação correta e bem fundamentada. As demais contêm erros conceituais que podem ser identificados com o domínio da fisiologia e da prática clínica. Para a prova, lembre-se: leptina alta na obesidade (resistência), SOP aumenta risco de DM2, hipotireoidismo não é causa comum de obesidade, e DMG é diagnosticado durante a gestação, não em qualquer fase.