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Questão de Medicina — Nefrologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaNefrologia
Código
ce190835
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TST
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina Clínica Médica
Ainda no que se refere a doenças renais, assinale a opção correta.
  1. AAs complicações venosas secundárias ao estado de hipercoagulabilidade associado à síndrome nefrótica não podem ser tratadas com anticoagulantes convencionais, sob o risco de hematúria maciça.
  2. BOs cálculos de fosfato de cálcio são os mais comuns na etiopatogenia da nefrolitíase.
  3. CUm maior aporte nutricional de cálcio está relacionado a um menor risco de formação de cálculos renais.
  4. DNa perda de álcalis a partir do trato gastrointestinal, devido a diarreia, ou a partir dos rins, devido a distúrbios tubulares renais, como na acidose tubular renal, ocorre acidose metabólica com ânion gap aumentado.
  5. ECetoacidose diabética e acidose lática são exemplos de acidose metabólica com ânion gap reduzido.
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GabaritoC — Um maior aporte nutricional de cálcio está relacionado a um menor risco de formação de cálculos renais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nefrolitíase e distúrbios ácido-básicos: o que a banca cobra

Gabarito: letra C. A alternativa correta afirma que um maior aporte nutricional de cálcio está relacionado a um menor risco de formação de cálculos renais — e isso é verdade: o cálcio dietético liga-se ao oxalato no intestino, reduzindo sua absorção e, consequentemente, a excreção urinária de oxalato, o principal fator de risco para litíase. As demais alternativas contêm erros conceituais clássicos: a síndrome nefrótica pode sim ser tratada com anticoagulantes; os cálculos mais comuns são de oxalato de cálcio (não de fosfato); a perda de álcalis causa acidose metabólica com ânion gap normal; e a cetoacidose diabética e a acidose lática cursam com ânion gap aumentado.

A nefrolitíase é uma doença multifatorial, e a banca explora justamente as confusões mais frequentes na prática clínica. Vamos por partes. Primeiro, a composição dos cálculos: os de cálcio (oxalato e fosfato) correspondem a cerca de 80% dos casos, sendo o oxalato de cálcio o tipo mais comum — o fosfato de cálcio é menos frequente. Os cálculos de ácido úrico e estruvita (associados a infecção) vêm em seguida. Essa é a base para eliminar a alternativa B.

Segundo, a relação entre cálcio dietético e litíase: por muito tempo se acreditou que restringir cálcio na dieta reduziria o risco de cálculos, mas o oposto é verdadeiro. O cálcio ingerido se liga ao oxalato no lúmen intestinal, formando um complexo não absorvível que é eliminado nas fezes. Com baixa ingestão de cálcio, mais oxalato é absorvido e excretado na urina, aumentando o risco de precipitação de oxalato de cálcio. Por isso, a recomendação atual é manter uma ingestão adequada de cálcio (em torno de 1.000–1.200 mg/dia), e não restringi-lo. Essa é a lógica da alternativa C.

Terceiro, os distúrbios do equilíbrio ácido-básico. A acidose metabólica é classificada pelo ânion gap (AG), que é calculado como Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻). Quando há perda de bicarbonato — seja por diarreia (perda gastrointestinal) ou por distúrbios tubulares renais, como na acidose tubular renal — o organismo retém cloro para manter a eletroneutralidade, resultando em acidose metabólica hiperclorêmica com ânion gap normal. Já na cetoacidose diabética e na acidose lática, há acúmulo de ácidos orgânicos (cetoácidos e lactato), que consomem bicarbonato sem elevar o cloro, gerando acidose com ânion gap aumentado. A alternativa D inverte esses conceitos, e a E também.

Por fim, a alternativa A trata da síndrome nefrótica e do risco de trombose venosa. A síndrome nefrótica, especialmente com albumina sérica < 2 g/dL e proteinúria > 10 g/dia, confere estado de hipercoagulabilidade por perda de antitrombina III na urina, aumento de fatores pró-coagulantes e ativação plaquetária. Isso aumenta o risco de trombose venosa renal (TVR) e de outros eventos tromboembólicos. O tratamento anticoagulante é indicado e pode ser feito com anticoagulantes convencionais (heparina, varfarina, DOACs), com monitorização cuidadosa. Não há contraindicação absoluta; o risco de sangramento deve ser avaliado, mas não impede o tratamento. A alternativa A afirma exatamente o contrário, sendo incorreta.

Guarde esses quatro pilares: composição dos cálculos, papel do cálcio dietético, classificação da acidose metabólica pelo ânion gap e manejo da hipercoagulabilidade na síndrome nefrótica. É neles que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que as complicações venosas da síndrome nefrótica "não podem ser tratadas com anticoagulantes convencionais" é falsa. O estado de hipercoagulabilidade aumenta o risco de trombose, e a anticoagulação é justamente o tratamento indicado, com heparina ou varfarina, por exemplo. O risco de hematúria existe, mas não contraindica o uso; ele é manejado com monitorização. A banca tenta fazer o candidato acreditar que o risco de sangramento impede a anticoagulação, o que não é verdade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os cálculos de fosfato de cálcio não são os mais comuns. O tipo mais frequente é o de oxalato de cálcio, seguido pelos de fosfato de cálcio, ácido úrico e estruvita. A alternativa erra ao apontar o fosfato como o mais comum, quando na verdade o oxalato predomina.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a correta. O cálcio dietético se liga ao oxalato no intestino, formando um complexo insolúvel que é excretado nas fezes, reduzindo a absorção de oxalato e, portanto, sua excreção urinária. Com menor oxalato urinário, menor risco de formação de cálculos de oxalato de cálcio. Estudos epidemiológicos confirmam que dietas ricas em cálcio estão associadas a menor incidência de litíase, enquanto a restrição de cálcio aumenta o risco.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A perda de álcalis (bicarbonato) por diarreia ou por acidose tubular renal causa acidose metabólica com ânion gap NORMAL, não aumentado. Isso ocorre porque a perda de HCO₃⁻ é compensada por retenção de Cl⁻, resultando em acidose hiperclorêmica. A alternativa inverte o conceito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Cetoacidose diabética e acidose lática são exemplos de acidose metabólica com ânion gap AUMENTADO, não reduzido. O acúmulo de cetoácidos e lactato consome bicarbonato sem elevar o cloro, aumentando o ânion gap. A alternativa erra ao classificá-las como de ânion gap reduzido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os conceitos de ânion gap: perda de bicarbonato (diarreia, ATR) → AG normal; acúmulo de ácidos orgânicos (cetoacidose, lactato) → AG aumentado. Memorize essa regra e você elimina as alternativas D e E na hora.

PEGA ESSA DICA!

Para a prova, decore a composição dos cálculos: oxalato de cálcio (mais comum) > fosfato de cálcio > ácido úrico > estruvita. E lembre: cálcio na dieta é PROTETOR, não fator de risco. Esses dois pontos caem com frequência em questões de nefrologia.

Gabarito: letra C

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