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Questão de Medicina — Nefrologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaNefrologia
Código
ce190836
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TST
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina Clínica Médica
A respeito de doenças renais, assinale a opção correta.
  1. AA síndrome nefrótica caracteriza-se pela presença de proteinúria de 1 a 2 g/24 horas, hipertensão, hipercolesterolemia, hipoalbuminemia, edema ou anasarca e hematúria macroscópica.
  2. BAs causas mais relacionadas à azotemia pré-renal são redução do débito cardíaco, hipovolemia e fármacos que interferem com as respostas autorreguladoras renais, incluindo-se anti-inflamatórios não esteroides e inibidores da angiotensina II.
  3. CPara o estadiamento da insuficiência renal crônica, é necessário estimar-se, com mais precisão, a concentração sérica de creatinina e a albuminúria, em vez de se observar a taxa de filtração glomerular.
  4. DA síndrome nefrítica aguda ocasiona mais de 3 g/24 horas de proteinúria, hematúria com cilindros hemáticos, piúria, hipertensão, retenção de líquidos e elevação da creatinina sérica, associada a um aumento paradoxal da filtração glomerular.
  5. EA incidência de glomerulonefrite pós-estreptocócica tem aumentado drasticamente nos países desenvolvidos, ano a ano, devido à resistência bacteriana cada vez mais acentuada às infecções.
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GabaritoB — As causas mais relacionadas à azotemia pré-renal são redução do débito cardíaco, hipovolemia e fármacos que interferem com as respostas autorreguladoras renais, incluindo-se anti-inflamatórios não esteroides e inibidores da angiotensina II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doenças renais: síndromes glomerulares e azotemia

Gabarito: letra B. A alternativa correta descreve com precisão as causas mais comuns de azotemia pré-renal: redução do débito cardíaco, hipovolemia e fármacos que interferem na autorregulação renal, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e inibidores do sistema renina-angiotensina (IECA/BRA). As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre as síndromes nefrótica e nefrítica, estadiamento da doença renal crônica e epidemiologia da glomerulonefrite pós-estreptocócica.

A questão aborda dois grandes temas da nefrologia: as síndromes glomerulares (nefrótica e nefrítica) e a classificação da azotemia (pré-renal, renal e pós-renal). Compreender a fisiopatologia de cada uma é essencial para diferenciá-las.

Síndrome nefrótica é definida pela tríade clássica: proteinúria intensa (superior a 3,5 g/24h em adultos), hipoalbuminemia e edema. Hiperlipidemia e lipidúria são comuns, mas não obrigatórias. Hipertensão arterial e hematúria podem estar presentes, mas não fazem parte da definição. A proteinúria nefrótica é causada por lesão da barreira de filtração glomerular, levando à perda seletiva de proteínas, principalmente albumina. A hipoalbuminemia reduz a pressão oncótica plasmática, causando edema. A hiperlipidemia decorre do aumento da síntese hepática de lipoproteínas em resposta à hipoalbuminemia.

Síndrome nefrítica é caracterizada por hematúria glomerular (com cilindros hemáticos), oligúria, edema, hipertensão arterial e proteinúria subnefrótica (geralmente < 3,5 g/24h). A fisiopatologia envolve inflamação glomerular com proliferação celular, redução da taxa de filtração glomerular (TFG) e retenção de sódio e água, levando à expansão do volume extracelular e hipertensão. A proteinúria é menos intensa que na síndrome nefrótica porque a lesão é predominantemente inflamatória, e não por alteração da barreira de filtração.

Azotemia pré-renal ocorre quando há redução da perfusão renal, sem lesão parenquimatosa. As causas incluem hipovolemia (hemorragia, desidratação), redução do débito cardíaco (insuficiência cardíaca, choque) e fármacos que interferem na autorregulação renal, como AINEs (que inibem a síntese de prostaglandinas vasodilatadoras) e IECA/BRAs (que bloqueiam a vasoconstrição da arteríola eferente). A autorregulação renal mantém a TFG constante em variações de pressão arterial, e esses fármacos podem quebrar esse mecanismo, especialmente em situações de hipovolemia.

Estadiamento da doença renal crônica (DRC) é baseado na TFG e na albuminúria, conforme as diretrizes do KDIGO. A TFG é estimada por equações (CKD-EPI) a partir da creatinina sérica, e a albuminúria é avaliada pela relação albumina/creatinina urinária. A creatinina sérica isolada não é um bom marcador de função renal, pois depende de massa muscular, idade e sexo.

Glomerulonefrite pós-estreptocócica (GNPSE) é uma complicação de infecções por Streptococcus pyogenes (faringite ou piodermite). Sua incidência tem diminuído nos países desenvolvidos, devido ao tratamento precoce das infecções e melhores condições de saneamento. A resistência bacteriana não é o fator determinante para o aumento da incidência.

A pegadinha central da questão está na distinção entre as síndromes nefrótica e nefrítica, especialmente nos valores de proteinúria e na presença de hipertensão e hematúria. A banca explora a confusão entre essas duas síndromes, que são apresentações clínicas distintas das glomerulopatias.

Síndrome

Proteinúria

Hematúria

Hipertensão

TFG

Nefrótica

> 3,5 g/24h

Ausente ou discreta

Pode estar presente

Normal ou discretamente reduzida

Nefrítica

< 3,5 g/24h (subnefrótica)

Presente, com cilindros hemáticos

Frequente

Reduzida

Alternativa A — ❌ Incorreta

A síndrome nefrótica é definida por proteinúria intensa, superior a 3,5 g/24h em adultos, e não de 1 a 2 g/24h. Além disso, a hematúria macroscópica não é uma característica definidora da síndrome nefrótica; pode estar presente em algumas glomerulopatias, mas não é um critério diagnóstico. A alternativa mistura características da síndrome nefrótica com a nefrítica, como a hipertensão e a hematúria, que são mais comuns na nefrítica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente as causas de azotemia pré-renal. A redução do débito cardíaco (insuficiência cardíaca, choque cardiogênico) e a hipovolemia (hemorragia, desidratação) diminuem a perfusão renal. Fármacos como AINEs e inibidores da angiotensina II (IECA/BRAs) interferem na autorregulação renal, podendo precipitar ou agravar a lesão renal pré-renal, especialmente em pacientes com hipovolemia ou doença renal crônica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O estadiamento da DRC é baseado na TFG e na albuminúria, e não na creatinina sérica isolada. A TFG é o melhor parâmetro para avaliar a função renal, sendo estimada por equações como CKD-EPI. A albuminúria é um marcador de lesão renal e de risco de progressão. A creatinina sérica é um marcador indireto e menos preciso, pois é influenciada por fatores como massa muscular, idade e sexo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A síndrome nefrítica aguda é caracterizada por proteinúria subnefrótica (geralmente < 3,5 g/24h), hematúria com cilindros hemáticos, piúria, hipertensão, retenção de líquidos e elevação da creatinina sérica. No entanto, a TFG está reduzida, e não aumentada. A alternativa inverte o quadro, afirmando um "aumento paradoxal da filtração glomerular", o que é fisiologicamente incorreto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A incidência de glomerulonefrite pós-estreptocócica tem diminuído nos países desenvolvidos, devido ao tratamento precoce das infecções estreptocócicas e à melhoria das condições de saneamento. A resistência bacteriana não é o fator determinante para o aumento da incidência; na verdade, a incidência está em declínio.

Gabarito: letra B

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