Urticária, angioedema, rinite alérgica e cefaleias: abordagem diagnóstica e terapêutica
Gabarito: letra B. A afirmativa está correta porque, na avaliação de cefaleia de forte intensidade e início recente, a realização de neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) é recomendada como rastreamento inicial para excluir causas secundárias, conforme diretrizes de prática clínica. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de indicação terapêutica.
A questão aborda quatro temas distintos da prática clínica: urticária e angioedema, rinite alérgica e cefaleias. Para resolvê-la, é essencial dominar as particularidades de cada um, especialmente as indicações de exames complementares, o mecanismo de ação dos fármacos e os critérios de elegibilidade para tratamentos específicos. Vamos analisar cada alternativa em detalhe, identificando o erro específico de cada uma e a fundamentação correta.
Critério | A (IECA) | B (Cefaleia) | C (Anti-Histamínico) | D (Imunoterapia) | E (Cefaleia vascular) |
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Afirmação | Angioedema mais comum em brancos | Neuroimagem no rastreio inicial | Eficaz na congestão, menos no prurido | Indicada para hiporresponsivos | Cefaleias primárias = vasculares |
Correção | ❌ Inverte (mais comum em negros) | ✅ Correta | ❌ Inverte (eficaz no prurido, menos na congestão) | ❌ Termo errado (refratários) | ❌ Termo obsoleto |
Fundamento | Diferença genética no metabolismo da bradicinina | Excluir causas secundárias (HSA, tumor, trombose) | Eficácia: prurido/espirros/rinorreia (+++), obstrução (+) | Imunoterapia p/ refratários à farmacoterapia | ICHD-3: primárias × secundárias |
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação está incorreta porque inverte a realidade epidemiológica: o angioedema por inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) é mais frequente em pessoas negras do que em brancas. Estudos mostram que a população negra tem maior risco de desenvolver angioedema associado ao uso de IECA, possivelmente por diferenças genéticas no metabolismo da bradicinina. A banca troca o grupo de maior risco, transformando uma informação correta em uma armadilha clássica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. Na avaliação de cefaleia de forte intensidade e início recente, a realização de neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) é recomendada como rastreamento inicial para excluir causas secundárias, conforme diretrizes de prática clínica. A expressão "na maioria dos casos" é adequada, pois, embora a maioria das cefaleias seja primária, a presença de sinais de alarme (início recente, intensidade forte) justifica a investigação por imagem para afastar causas secundárias como hemorragia subaracnóidea, tumores ou trombose venosa cerebral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta porque inverte o perfil de eficácia dos anti-histamínicos H1. Conforme a tabela de efeitos dos medicamentos no tratamento das rinites, os anti-histamínicos orais são bastante efetivos (+++) no controle do prurido, espirros e rinorreia aquosa, mas apresentam eficácia limitada (+) na obstrução nasal. A alternativa afirma exatamente o oposto: que são eficazes na congestão nasal e menos eficazes no prurido, espirros e rinorreia. A banca troca os sintomas em que a classe é eficaz, criando uma pegadinha clássica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta porque o termo correto é "hiporresponsivos" e não "hiporresponsivos". A imunoterapia é recomendada para pacientes com rinite alérgica que apresentem sintomas moderados a graves e sejam refratários (hiporresponsivos) aos demais tratamentos. A alternativa troca o termo técnico, mas mantém o sentido correto, o que a torna incorreta apenas pela imprecisão terminológica. Na prática, a imunoterapia é indicada para pacientes com sintomas persistentes que não respondem adequadamente à farmacoterapia, conforme as diretrizes de rinite alérgica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta porque o termo "cefaleias vasculares" é obsoleto e não é utilizado na classificação atual. A migrânea e outras cefaleias primárias são classificadas como cefaleias primárias, e não como vasculares. A classificação internacional de cefaleias (ICHD-3) divide as cefaleias em primárias (migrânea, tensional, em salvas) e secundárias (causadas por outras condições). O termo "vascular" era usado em classificações antigas e não reflete a fisiopatologia atual, que envolve mecanismos neurovasculares complexos.
Gabarito: letra B