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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaClínica Médica Humana
Código
ce190838
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TST
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina Clínica Médica
Em relação a patologias e queixas recorrentes em serviços de urgência, assinale a opção correta.
  1. AA vertigem posicional paroxística benigna é causa comum de tontura recorrente, cujos episódios são demorados, durando cerca de 30 a 40 minutos.
  2. BNa enxaqueca vestibular, a tontura ou vertigem se manifesta tipicamente em episódios recorrentes e curtos, cuja duração costuma ser inferior a um minuto.
  3. CA etiopatogenia de rinossinusite aguda está associada, na maioria das vezes, às bactérias anaeróbias, as quais, porém, desempenham um papel etiológico muito pequeno na rinossinusite crônica.
  4. DQuadro de urticária recorrente, envolvendo com frequência as nádegas e os punhos, é a manifestação cutânea mais comum relatada por pacientes portadores de ancilostomíase.
  5. EA perda de olfato associada à rinossinusite crônica, quadro muito frequente em serviço de pronto-atendimento, está relacionada à gravidade da inflamação, sendo a perda olfativa maior nos casos em que estejam presentes tanto a rinossinusite quanto a polipose.
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GabaritoE — A perda de olfato associada à rinossinusite crônica, quadro muito frequente em serviço de pronto-atendimento, está relacionada à gravidade da inflamação, sendo a perda olfativa maior nos casos em que estejam presentes tanto a rinossinusite quanto a polipose.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vertigem, rinossinusite e urticária: queixas recorrentes na urgência

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a única que apresenta uma afirmação fisiopatologicamente precisa: na rinossinusite crônica, a perda de olfato (hiposmia/anosmia) é diretamente proporcional à gravidade do processo inflamatório, sendo ainda mais acentuada quando há polipose nasal associada. As demais alternativas distorcem a duração dos episódios de vertigem, invertem o papel das bactérias na rinossinusite e atribuem à ancilostomíase uma manifestação cutânea que não é a mais característica.

A questão aborda três grandes grupos de queixas frequentes em serviços de urgência e emergência: as vestibulopatias (vertigem e tontura), as rinossinusites e as manifestações cutâneas de parasitoses. Para acertar, é preciso dominar a duração típica dos episódios de cada tipo de vertigem, a etiopatogenia das rinossinusites aguda e crônica e as manifestações clínicas das helmintíases. Vamos a cada ponto.

Vertigem e sua duração como chave diagnóstica. A duração do episódio vertiginoso é um dos dados mais importantes da anamnese, pois orienta o diagnóstico diferencial. A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é a causa mais comum de vertigem recorrente e se caracteriza por episódios muito curtos, tipicamente com duração de segundos a poucos minutos (raramente ultrapassando 1 minuto), desencadeados por mudanças de posição da cabeça. Já a enxaqueca vestibular (ou migrânea vestibular) cursa com episódios de vertigem que duram minutos a horas (tipicamente entre 5 minutos e 4 horas, podendo chegar a 72 horas). A doença de Ménière, por sua vez, apresenta crises de vertigem com duração de 20 minutos a 12 horas (em geral, horas). A neurite vestibular, um episódio único e prolongado, dura dias. Perceba como a duração é o critério que separa essas entidades — e é exatamente esse critério que as alternativas A e B invertem.

Rinossinusite: aguda × crônica e o papel das bactérias. A rinossinusite aguda é, na grande maioria dos casos, de etiologia viral (rinovírus, coronavírus, influenza, entre outros), sendo a superinfecção bacteriana uma complicação que ocorre em uma minoria dos casos (cerca de 0,5% a 2% das infecções virais). Quando há infecção bacteriana aguda, os agentes mais comuns são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis — bactérias aeróbias ou facultativas, não anaeróbias. Na rinossinusite crônica, o papel das bactérias é mais complexo e envolve biofilmes bacterianos, mas os anaeróbios têm participação maior do que na forma aguda, não menor. A alternativa C inverte completamente essa lógica.

Perda de olfato na rinossinusite crônica. A perda de olfato (hiposmia ou anosmia) é um sintoma muito frequente na rinossinusite crônica, presente em até dois terços dos pacientes. Sua fisiopatologia está relacionada à inflamação crônica da mucosa olfatória, que leva a edema, obstrução do neuroepitélio olfatório e dano aos receptores. A gravidade da perda olfativa é proporcional à intensidade do processo inflamatório, e a presença de polipose nasal associada agrava ainda mais o quadro, pois os pólipos obstruem mecanicamente o fluxo de ar até a fenda olfatória e amplificam a resposta inflamatória local. É exatamente isso que a alternativa E afirma.

Urticária e ancilostomíase. A ancilostomíase (infecção por Ancylostoma duodenale ou Necator americanus) tem como manifestação cutânea mais característica a dermatite pruriginosa no local de penetração das larvas (popularmente conhecida como "coceira do solo" ou "larva migrans" quando causada por outras espécies). A urticária recorrente, embora possa ocorrer em algumas parasitoses, não é a manifestação cutânea mais comum da ancilostomíase. Além disso, a localização típica descrita na alternativa D (nádegas e punhos) não corresponde ao padrão clássico de apresentação. A manifestação mais comum da ancilostomíase é, na verdade, a anemia ferropriva decorrente do sangramento intestinal crônico causado pelos vermes adultos aderidos à mucosa duodenal.

A pegadinha central desta questão é a inversão da duração dos episódios de vertigem entre VPPB e enxaqueca vestibular, além da inversão do papel das bactérias na rinossinusite. Guarde bem esses números — eles são o critério decisivo que separa as alternativas.

Vestibulopatia

Duração típica do episódio

Característica-chave

Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB)

Segundos a < 1 minuto

Desencadeada por mudança de posição da cabeça

Enxaqueca vestibular

Minutos a horas (5 min – 72 h)

Episódios recorrentes, frequentemente associados a cefaleia

Doença de Ménière

20 min a 12 horas

Crises com hipoacusia e zumbido

Neurite vestibular

Dias (episódio único)

Vertigem prolongada, sem sintomas auditivos

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) causa episódios demorados, de 30 a 40 minutos. Isso está errado: a VPPB é caracterizada por episódios muito curtos, com duração de segundos a menos de 1 minuto (em geral, 15 a 60 segundos), desencadeados por mudanças de posição da cabeça. A duração de 30 a 40 minutos é mais compatível com crises de doença de Ménière (que duram de 20 minutos a 12 horas) ou com a enxaqueca vestibular (que dura de minutos a horas). A banca trocou a duração típica da VPPB pela de outra vestibulopatia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que na enxaqueca vestibular a vertigem dura menos de um minuto. Isso está errado: a enxaqueca vestibular (ou migrânea vestibular) caracteriza-se por episódios de vertigem que duram de 5 minutos a 72 horas, sendo mais típico o padrão de minutos a horas (frequentemente entre 5 minutos e 4 horas). A duração inferior a um minuto é justamente o padrão da VPPB, não da enxaqueca vestibular. Novamente, a banca inverteu a duração típica entre as duas vestibulopatias.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a rinossinusite aguda é causada, na maioria das vezes, por bactérias anaeróbias, e que essas bactérias têm papel pequeno na rinossinusite crônica. Isso está duplamente errado: (1) a rinossinusite aguda é, na grande maioria dos casos, de etiologia viral, e quando há infecção bacteriana, os agentes predominantes são aeróbios (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis), não anaeróbios; (2) na rinossinusite crônica, os anaeróbios têm participação maior (embora o papel exato seja complexo, envolvendo biofilmes), não menor. A alternativa inverte completamente a etiopatogenia das duas formas da doença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que urticária recorrente envolvendo nádegas e punhos é a manifestação cutânea mais comum da ancilostomíase. Isso está errado: a manifestação cutânea mais característica da ancilostomíase é a dermatite pruriginosa no local de penetração das larvas (geralmente nos pés, por contato com solo contaminado). A urticária não é a manifestação cutânea mais comum, e a localização descrita (nádegas e punhos) não corresponde ao padrão clássico. Além disso, a manifestação clínica mais marcante da ancilostomíase é a anemia ferropriva por sangramento intestinal crônico, e não a urticária.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a perda de olfato na rinossinusite crônica está relacionada à gravidade da inflamação e é maior quando há polipose associada. Isso está correto: a hiposmia/anosmia é um sintoma frequente na rinossinusite crônica, e sua intensidade é proporcional à gravidade do processo inflamatório da mucosa olfatória. A presença de polipose nasal agrava a perda olfativa, pois os pólipos obstruem a fenda olfatória e amplificam a inflamação local. A alternativa descreve com precisão a fisiopatologia da perda olfativa nessa condição.

Conclusão: a única alternativa correta é a letra E, pois descreve corretamente a relação entre a gravidade da inflamação, a polipose nasal e a perda de olfato na rinossinusite crônica. As demais alternativas erram ao inverter a duração dos episódios de vertigem (A e B), ao inverter o papel das bactérias na rinossinusite (C) e ao atribuir à ancilostomíase uma manifestação cutânea que não é a mais comum (D).

Gabarito: letra E

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