Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, assinale a opção correta.
ADadas as relações coesivas do primeiro parágrafo, o segmento ‘lhe pertenciam’ (antepenúltimo período) poderia ser, correta e coerentemente, substituído por pertenciam à ela.
BNo segmento ‘se os negros vieram para o Brasil para ser escravos’ (segundo parágrafo), o emprego do vocábulo ‘se’, associado ao teor de todo o parágrafo, indica dúvida em relação ao cativeiro no Brasil.
CNa oração ‘porque não se falava de escravidão em Lagoa Funda’ (segundo parágrafo), a partícula ‘se’ indica que a oração está construída na voz passiva pronominal.
DNo período ‘Nunca houve escravo naquela terra.’ (segundo parágrafo), a flexão da forma verbal ‘houve’ na terceira pessoa do singular justifica-se por sua concordância com o termo ‘escravo’, que é o sujeito da oração.
ENo penúltimo período do último parágrafo, o sujeito referencial da forma verbal ‘terminaram’ é o termo ‘povo’, tomado em sentido plural no texto.
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GabaritoE — No penúltimo período do último parágrafo, o sujeito referencial da forma verbal ‘terminaram’ é o termo ‘povo’, tomado em sentido plural no texto.
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Análise das alternativas — Sujeito referencial e concordância
Gabarito: letra E. A alternativa E está correta porque, no penúltimo período do último parágrafo, o verbo “terminaram” tem como referente o termo “povo”, tomado em sentido plural (coletivo com ideia de pluralidade), como se comprova no trecho: “o povo resistindo, muita gente morreu, e terminaram por ficar espremidos num cantinho.” A flexão plural do verbo é coerente com a interpretação do coletivo como plural.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O segmento “lhe pertenciam” refere-se à Igreja. A substituição por “pertenciam à ela” é gramaticalmente inadequada, pois não se usa crase antes do pronome pessoal “ela” (o correto seria “pertenciam a ela”). Portanto, a alternativa erra ao afirmar que a troca é correta e coerente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O “se” em “se os negros vieram para o Brasil para ser escravos” é conjunção condicional, equivalendo a “caso”. O teor do parágrafo não expressa dúvida sobre o cativeiro no Brasil, mas sim uma hipótese para explicar a origem dos negros de Lagoa Funda. A banca confunde “condição” com “dúvida”.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Na oração “porque não se falava de escravidão em Lagoa Funda”, o “se” funciona como índice de indeterminação do sujeito, pois o verbo “falar” é transitivo indireto (falar de algo). Nesse caso, não há voz passiva pronominal (que exige verbo transitivo direto). A construção equivale a “não se falava = a gente não falava”. Logo, não se trata de voz passiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
No período “Nunca houve escravo naquela terra.”, o verbo “houver” está empregado no sentido de “existir”, sendo impessoal (sem sujeito). A flexão na terceira pessoa do singular é obrigatória independentemente do termo “escravo”, que é objeto direto, não sujeito. A justificativa apresentada é falsa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No penúltimo período: “Mas depois os fazendeiros chegaram mostrando documentos, e foram cercando as terras, o povo resistindo, muita gente morreu, e terminaram por ficar espremidos num cantinho.” O sujeito referencial de “terminaram” é “o povo”, que, embora seja um coletivo, é tomado em sentido plural (equivale a “as pessoas”, “os habitantes”). A concordância no plural é admitida e coerente com o contexto.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.