Questão de Matemática — Raciocínio Lógico — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce190921
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- ANA
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: Errado (E). O argumento do astronauta é inválido porque a conclusão "Morrerei aqui" não é uma consequência lógica necessária das premissas P1 a P6. A falha central está na premissa P6, que afirma "Se nada disso acontecer, a comida acabará" — ela não garante que a comida acabará antes da chegada do socorro, apenas que acabará em algum momento. Para o argumento ser válido, seria necessário que a comida acabasse antes do socorro chegar, o que não está estabelecido.
Para analisar a validade de um argumento, devemos verificar se é possível que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa. Se isso for possível, o argumento é inválido. Vamos formalizar o argumento:
P1: ¬C (não tenho meios de contatar socorro)
P2: S → D (se tivesse meios, o socorro demoraria 4 anos)
P3: O → Suf (se oxigenador estragar antes, sufoco)
P4: R → Sed (se reciclador estragar antes, morro de sede)
P5: H → Imp (se habitáculo romper antes, implodo)
P6: ¬(O ∨ R ∨ H) → F (se nada disso acontecer, a comida acabará)
C: M (morrerei)
A questão crucial é: as premissas garantem que alguma das fatalidades (sufocamento, sede, implosão ou fome) ocorrerá antes da chegada do socorro? Vamos analisar:
P1 e P2 estabelecem que o astronauta não pode pedir socorro e, mesmo que pudesse, demoraria 4 anos. Isso significa que ele está sozinho por pelo menos 4 anos.
P3, P4 e P5 são condicionais: se um equipamento estragar antes do socorro, ele morre. Mas nada garante que esses equipamentos vão estragar antes do socorro.
P6 diz que se nenhum desses equipamentos estragar, a comida acabará. Mas não diz que a comida acabará antes do socorro chegar. Se a comida acabar depois de 4 anos, o socorro já teria chegado e ele não morreria de fome.
Portanto, é possível que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa: por exemplo, se nenhum equipamento estragar e a comida acabar exatamente no dia em que o socorro chega, ele não morre. Logo, o argumento é inválido.
Caso | Atribuição | Resultado |
|---|---|---|
1 | ¬C = V, S→D = V, O→Suf = V, R→Sed = V, H→Imp = V, ¬(O∨R∨H)→F = V, M = F | Consistente (contraexemplo: nenhum equipamento estraga e a comida acaba após 4 anos) |
2 | ¬C = V, S→D = V, O→Suf = V, R→Sed = V, H→Imp = V, ¬(O∨R∨H)→F = V, M = V | Consistente (exemplo: algum equipamento estraga antes do socorro) |
3 | ¬C = V, S→D = V, O→Suf = V, R→Sed = V, H→Imp = V, ¬(O∨R∨H)→F = V, M = F | Consistente (exemplo: comida acaba exatamente quando o socorro chega) |
Afirma que o argumento é válido. O erro está em considerar que P6 garante a morte por fome antes do socorro, mas a premissa não estabelece essa ordem temporal. A validade lógica exige que a conclusão seja necessariamente verdadeira quando as premissas são verdadeiras, o que não ocorre aqui.
O argumento é inválido, pois a conclusão não decorre logicamente das premissas. A falha está na falta de garantia de que a comida acabará antes do socorro chegar. Como é possível que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa, o argumento é inválido.
A banca explora a confusão entre "a comida acabará" (P6) e "a comida acabará antes do socorro chegar". O candidato pode assumir que a comida acaba antes, mas isso não está nas premissas. A ordem temporal é essencial para a validade.
Para testar a validade, tente construir um contraexemplo: uma situação em que todas as premissas são verdadeiras e a conclusão é falsa. Se conseguir, o argumento é inválido. Aqui, basta imaginar que a comida acaba depois de 4 anos, quando o socorro já chegou.
Gabarito: letra E — o argumento é inválido.
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