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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce191018
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANATEL
Ano
2024
Nível
Superior
Texto CB1A6

      De todas as inovações óbvias que surgiram no século XXI, poucas são tão invisíveis como a mudança na maneira de perceber o tempo.

    O controle do tempo na comunicação até o final do século XX decorria especialmente de uma característica: a programação. Com o controle dos meios de produção e distribuição da informação, fosse ela qual fosse, o cenário temporal dispunha também de uma estrutura hierárquica de controle. Era possível traçar e agenciar cronogramas complexos e prazos de entrega. O que basicamente mudou?
     
    A comunicação não mudou. Mudaram os meios. Todos têm acesso às redes. Nelas a produção de conteúdo é incessante. O conteúdo é produzido por todos. A estrutura não é mais regida por uma lógica de programação, mas por uma lógica de fluxo. Nesse novo ecossistema, impera uma economia da atenção e, sendo a atenção um recurso escasso, é preciso a todo tempo escolher algo a que dedicar a atenção e, dedicada a atenção, devemos reagir rapidamente com as mudanças necessárias. Aqui aparecem claramente as diferenças do tempo em um ecossistema em fluxo permanente. As mudanças também devem ser permanentes. Isso em comunicação se traduz em não esperar mais longos prazos para dar respostas. Até o século passado, o furo de um veículo de comunicação só poderia ser ultrapassado 24 horas depois: na próxima edição. Hoje um furo de reportagem é imediatamente absorvido em rede, compartilhado, respondido e repercutido por todos os concorrentes. Em uma sociedade que se comunica em fluxo, é preciso avaliar diariamente onde estão os impedimentos e o que deve ser priorizado, e redefinir foco e estratégia. A comunicação também passa a lidar com o provisório, com o possível e com o impermanente.
       
      Saber como equilibrar o tempo nessa pressão imediatista é o grande desafio do século XXI. Há saberes que só se atingem com reflexão, laços que só se formam com experiências reais compartilhadas. Saber desligar o celular, parar de responder emails para completar uma tarefa, ler um livro inteiro e principalmente saber conversar com os outros são habilidades cada vez mais valorizadas em uma sociedade digital, exatamente por serem habilidades capazes de dilatar o tempo em que vivemos, formas de transformar o fluxo que consome nossa atenção em momento no qual nós consumimos o mundo.

Margot Pavan. O tempo e a comunicação digital no século XXI.
Internet:<www.jornaldocomercio.com>  (com adaptações)
No que diz respeito a aspectos linguísticos do texto CB1A6, julgue o seguinte item.O segmento “por uma lógica”, em “mas por uma lógica de fluxo” (sexto período do terceiro parágrafo), poderia ser suprimido sem prejuízo das relações de coesão e coerência textuais.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do item — supressão de "por uma lógica"

✅ CERTO. O segmento "por uma lógica", na expressão "mas por uma lógica de fluxo", pode ser suprimido sem prejuízo das relações de coesão e coerência textuais. A supressão gera a estrutura "mas de fluxo", que mantém a correção gramatical e o sentido original, apoiada no paralelismo e na elipse do termo antecedente.

Comprovação no texto

O trecho original é: "A estrutura não é mais regida por uma lógica de programação, mas por uma lógica de fluxo." A segunda oração é coordenada adversativa, com o verbo "regida” subentendido (elipse). Ao suprimir "por uma lógica", obtém-se: "não é mais regida por uma lógica de programação, mas de fluxo." Essa construção é gramatical porque:

  • O verbo "regida" exige a preposição "por", já presente no primeiro termo.

  • O paralelismo entre as duas ideias ("de programação" vs. "de fluxo") é mantido, pois ambos são complementos nominais de "lógica".

  • A elipse do termo repetido é recurso coesivo clássico, sem quebrar a coerência.

❌ Por que a banca consideraria errado? (Pegadinha)

Muitos candidatos podem achar que a supressão quebra a regência verbal, argumentando que "regida de fluxo" não é aceitável. Contudo, a preposição "por" já foi empregada no primeiro termo e vale para o segundo por subentendido. A construção final "mas de fluxo" é, na verdade, uma elipse de "mas [regida por uma lógica] de fluxo", perfeitamente coerente e coesa.

NÃO CAIA NESSA!

Confundir a necessidade de repetição da preposição "por" com a possibilidade de elipse em paralelismo. A banca testa se o candidato reconhece que elementos repetidos podem ser omitidos sem prejuízo, desde que a estrutura paralela os recupere.

💡 Dica de método

Para itens de "supressão sem prejuízo", verifique:

  1. Se o termo suprimido é repetição de algo já expresso.

  2. Se a regência e a coerência se mantêm com a omissão.

  3. Se há paralelismo que recupere a informação omitida.

Gabarito: C (Certo).

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