Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce191294
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- CAU-BR
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior

- CCerto
- EErrado

GabaritoC — Certo
✅ CERTO.
O item afirma que o significado das expressões "vãos de abrir" e "opacos de fechar" está em consonância com a tensão central do poema: a transformação do sujeito que abre novos caminhos para o homem em alguém que o encerra atrás de muros confortáveis. Esse julgamento é correto.
O poema "Fábula de um arquiteto" estrutura-se em duas estrofes: a primeira (versos 1-6) descreve a arquitetura ideal como construção de portas abertas, luz e liberdade; a segunda (versos 7-16) apresenta a degeneração desse ideal, quando o arquiteto, amedrontado pela liberdade que criou, passa a fechar espaços. É justamente na segunda estrofe que aparecem as expressões citadas:
"Onde vãos de abrir, ele foi amurando / opacos de fechar; onde vidro, concreto; / até fechar o homem: na capela útero, / com confortos de matriz, outra vez feto."
O contraste entre "vãos de abrir" (espaços que permitem abertura, passagem, luz) e "opacos de fechar" (superfícies que bloqueiam, impedem a visão e a liberdade) materializa a antítese que percorre todo o poema. Inicialmente, o arquiteto "abre para o homem" (verso 7); depois, "renegou dar a viver no claro e aberto" (verso 12). As expressões, portanto, não são aleatórias: elas cristalizam a tensão entre o que abre e o que fecha, entre a liberdade e o enclausuramento, que o próprio eu lírico explicita ao narrar a transformação do arquiteto.
Dessa forma, o significado das expressões está perfeitamente alinhado à tese do poema — a passagem de um ideal de abertura para uma prática de cerceamento. Logo, o item está Certo.
Gabarito: Certo (C).
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