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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce191294
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAU-BR
Ano
2024
Nível
Superior
           Imagem da questão

                  Fábula de um arquiteto
A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.

João Cabral de Melo Neto. Fábula de um arquiteto.
In: Antologia poética. Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1978, p.18.
Considerando o texto e a imagem da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, obra de Oscar Niemayer, julgue o item a seguir.Na segunda estrofe, o significado das expressões “vãos de abrir” e “opacos de fechar” está em consonância com a tensão que estrutura o poema: a transformação do sujeito que abre novos caminhos para o homem em alguém capaz de encerrá-lo por trás de muros confortáveis.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

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CERTO.

O item afirma que o significado das expressões "vãos de abrir" e "opacos de fechar" está em consonância com a tensão central do poema: a transformação do sujeito que abre novos caminhos para o homem em alguém que o encerra atrás de muros confortáveis. Esse julgamento é correto.

O poema "Fábula de um arquiteto" estrutura-se em duas estrofes: a primeira (versos 1-6) descreve a arquitetura ideal como construção de portas abertas, luz e liberdade; a segunda (versos 7-16) apresenta a degeneração desse ideal, quando o arquiteto, amedrontado pela liberdade que criou, passa a fechar espaços. É justamente na segunda estrofe que aparecem as expressões citadas:

"Onde vãos de abrir, ele foi amurando / opacos de fechar; onde vidro, concreto; / até fechar o homem: na capela útero, / com confortos de matriz, outra vez feto."

O contraste entre "vãos de abrir" (espaços que permitem abertura, passagem, luz) e "opacos de fechar" (superfícies que bloqueiam, impedem a visão e a liberdade) materializa a antítese que percorre todo o poema. Inicialmente, o arquiteto "abre para o homem" (verso 7); depois, "renegou dar a viver no claro e aberto" (verso 12). As expressões, portanto, não são aleatórias: elas cristalizam a tensão entre o que abre e o que fecha, entre a liberdade e o enclausuramento, que o próprio eu lírico explicita ao narrar a transformação do arquiteto.

Dessa forma, o significado das expressões está perfeitamente alinhado à tese do poema — a passagem de um ideal de abertura para uma prática de cerceamento. Logo, o item está Certo.

Gabarito: Certo (C).

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